
Fotos: Lino Vieira
O presidente do Banco do Nordeste (BNB), Wanger de Alencar, reforçou, nesta sexta-feira (23), a missão do banco como agente de fomento ao desenvolvimento regional, com foco social e alta capilaridade no atendimento a micro e pequenos empreendedores. Em visita ao Grupo Cidade de Comunicação (GCC), ele destacou pilares históricos da instituição, projetou números robustos para 2026 e explicou como empreendedores podem acessar linhas de crédito, especialmente pelo microcrédito Crediamigo.
BNB como motor do desenvolvimento nordestino
Para Wanger de Alencar, o Banco do Nordeste tem desempenhado papel essencial no desenvolvimento econômico e social da Região. Ele afirmou que o banco “não [foi] feito para lucrar e sim para melhorar a vida de muita gente”, reforçando seu caráter como banco de desenvolvimento.
O presidente destacou três marcos fundamentais que moldaram essa atuação:
A criação histórica do próprio BNB, há 73 anos, quando ficou clara a necessidade de um agente financeiro robusto voltado ao Nordeste.
A criação do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE) pela Constituição de 1988, considerado por ele um divisor de águas para o fortalecimento econômico regional.
As políticas de microcrédito, com destaque para os programas Crediamigo (urbano) e Agroamigo (rural), que, segundo o presidente, representam uma política pública de inclusão social com impacto direto na vida de milhões de pessoas.

“São marcos importantíssimos para que o nosso Nordeste esteja no outro patamar”, declarou Wanger, apontando para a transformação da região por meio de financiamento inclusivo e políticas estruturadas.
Projeção de R$ 75 bilhões em contratações para 2026
O presidente do BNB apresentou projeções ambiciosas para o volume de crédito contratado ao longo de 2026. Com base no desempenho de 2025 — quando o banco alcançou cerca de R$ 68 bilhões em contratações — Wanger afirmou que o objetivo é ampliar esse volume para R$ 75 bilhões a R$ 76 bilhões no próximo ano.
“Se nesse ano nós fizemos aí, em contratação, 68 bilhões de reais, obviamente que a gente quer buscar fazer um pouco mais, fazer uns 75, 76 bilhões. Essa é a pegada”, declarou ele.
O executivo relacionou essa expansão diretamente ao papel estratégico do banco no estímulo à economia nordestina, com ênfase na geração de empregos.
Eu acho que esse é o grande papel do Banco do Nordeste, gerar emprego. A gente não foge da nossa missão, da nossa missão de desenvolver.
Wanger acrescentou que metade dos recursos do FNE é direcionada ao semiárido nordestino e mais da metade do total é aplicado em setores prioritários, reforçando o compromisso institucional com o desenvolvimento sustentável da região.
Como acessar crédito: foco no microempreendedor
Uma das principais dúvidas dos empreendedores é como acessar as linhas de crédito oferecidas pelo BNB, especialmente no âmbito do programa Crediamigo, voltado ao microcrédito urbano. Wanger explicou que a taxa de juros é diferenciada e estruturada para atender quem precisa de capital para manter ou expandir atividades produtivas.
“A taxa de juros é totalmente diferenciada”, afirmou ele, ressaltando que o modelo foi desenhado para os pequenos negócios.
O presidente destacou a ampla capilaridade do banco — presente em mais de 2.070 municípios, com cerca de 300 agências e mais de 1.400 pontos de atendimento — como diferencial para facilitar o acesso ao crédito. Ele recomendou que empreendedores procurem um agente do banco ou uma agência física para obter informações detalhadas, além de orientá-los a visitar o site oficial do BNB.
Wanger também pontuou que o principal requisito para solicitar crédito é ter perfil empreendedor.
Se você é empreendedor, pode procurar os nossos agentes porque é o nosso papel.
Segundo dados divulgados durante as entrevistas, o Crediamigo atende mais de 4,2 milhões de clientes, com impacto social estimado que pode alcançar até 16 milhões de pessoas, quando considerados os efeitos indiretos na economia local.
Inclusão social como vetor do desenvolvimento
O presidente reforçou ainda que o foco do BNB não é apenas financiar grandes projetos, mas promover inclusão social por meio de crédito pulverizado. Ele citou um conceito popular — atribuído ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva — para ilustrar essa filosofia: “muito dinheiro, na mão de poucos, não gera riqueza, enquanto pouco dinheiro, na mão de muitos, gera riqueza, inclusão social e circulação de recursos”.
Essa lógica está na raiz dos programas de microcrédito, que começam com valores modestos (inclusive a partir de R$ 100) e que, na prática, já transformaram milhares de pequenos negócios em empreendimentos consolidados, segundo o presidente.