
Foto: Geovanne Jinkings
Há histórias que não pedem pressa. Elas pedem escuta, silêncio e coração aberto. Foi assim a conversa entre Paulinha Sampaio e Gaída Dias, em um bate-papo marcado por emoção, fé e verdade. Mãe, empresária, modelo e agora também voz ativa na defesa da inclusão, Paulinha abriu a própria vida para contar uma trajetória que atravessa milagres, dores e uma confiança radical em Deus.
“A minha história tem que começar com o Felipe, que é meu parceiro, meu melhor amigo, marido, que tá comigo pra tudo”, iniciou Paulinha, ao lembrar dos 22 anos de união com o companheiro de vida. Um amor que nasceu ainda na adolescência e que se transformou na base de uma família sustentada pela fé.
O primeiro filho, Bento, chegou cedo, logo após o casamento. E, mesmo antes de nascer, já carregava um significado espiritual. Durante uma peregrinação a Lourdes, na França, Paulinha viveu uma experiência que marcaria para sempre a família. “Quando eu saí, eu encontrei o Felipe e disse: o nome do nosso filho foi escolhido e é Bento, porque ele acabou de ser bento pelas freiras".

Depois de Bento, veio um longo período de espera. O desejo de ampliar a família esbarrou em um diagnóstico duro: menopausa precoce. “Eu fiz tratamento durante um ano inteiro, eram doses hormonais altíssimas… mexia com o emocional, com o corpo.” A decisão de parar não foi simples, mas foi acolhida com amor. “O Felipe chegou pra mim e disse: a nossa família é perfeita, isso é suficiente pra mim".
Foi quando Paulinha precisou fazer um exercício difícil: aceitar. “Teve um momento que virou uma chave. Eu disse: olha o que eu tenho. Tenho tanto. Um filho lindo, saudável, uma família estruturada, um marido incrível".
E então, quando não se esperava mais nada, veio Lourdes Maria. Um susto, seguido de medo, seguido de milagre. “Quando o médico disse ‘é um bebê, e é uma menina’, eu chorava, eu berrava, não sei explicar.” Lourdes chegou cheia de luz, confirmando a fé que sempre acompanhou a família. “Foi uma gestação tão leve, tão cheia de luz, tão perfeita".
Deus ainda guardava mais um presente
Celeste foi descoberta quase que por acaso, durante uma viagem. “A gente fez o teste meio na brincadeira… e deu positivo. A gente ficou um olhando pro outro, sem acreditar.” O nome veio como um sopro. “Eu escutei esse nome. Celeste. Um presente que vem direto do céu".
A alegria, no entanto, foi atravessada por um novo desafio. Durante um exame, veio o diagnóstico de uma síndrome rara. “Quando ele falou, meu corpo inteiro gelou. Eu senti que algo não estava certo.” O chão sumiu. Vieram noites sem dormir, buscas na internet, medo, luto.
Nenhuma mãe está preparada. A gente idealiza um filho. É uma dor inexplicável.
A virada veio quando Paulinha decidiu não silenciar. “Quando eu dei nome à síndrome e à dor, eu fui muito acolhida por outras mães.” Hoje, ela faz parte de uma rede internacional de mães e descobriu que a informação e o afeto também curam. “Eu acho que cada pessoa tem um porquê de estar aqui, uma missão".
Na conversa, Gaída Dias compartilhou sua própria vivência como mãe atípica, criando um espaço de identificação e acolhimento. Paulinha ouviu, absorveu e respondeu com maturidade e fé. “Quando Deus envia um filho assim, a criança não é especial, a família é”, refletiu Gaída, em um dos momentos mais emocionantes do diálogo.
Paulinha também falou sobre a importância da estrutura familiar.
A gente se unifica mais a cada desafio. Tem dias que eu caio, e ele me levanta. E tem dias que é o contrário.
E destacou o papel dos filhos nesse processo. “O Bento me disse: ‘eu vou ensinar tudo que eu sei pra ela’".
Hoje, às vésperas da chegada de Celeste, Paulinha se reconhece diferente. Mais consciente, mais forte, mais humana. “Essa caminhada é pro resto da vida. E ela não é só da criança, é da família, da sociedade".
Mais do que um relato sobre maternidade, a história de Paulinha Sampaio é um convite à empatia, à inclusão e à fé vivida no cotidiano. Uma lembrança delicada de que nem todo milagre vem sem dificuldade — mas todo amor verdadeiro transforma.