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De corretora de imóveis a referência do agro: conheça a trajetória de Rita Grangeiro

Empreendedora cearense transformou oito hectares de terra em um dos negócios mais promissores do agronegócio nordestino

 

A história da empresária Rita Grangeiro é marcada por coragem, visão empreendedora e capacidade de reinventar caminhos. Hoje reconhecida como uma das principais referências do agronegócio no Ceará, ela construiu um verdadeiro império do coco a partir de um pequeno plantio iniciado há cerca de 30 anos em Paracuru, no litoral cearense.

 

À frente da Fazenda Grangeiro, Rita relembrou os desafios e decisões que mudaram sua vida — desde os tempos como corretora de imóveis até o protagonismo no agro nordestino.

 

Infância empreendedora e vontade de trabalhar

 

Nascida em Fortaleza, Rita é filha de funcionários da Caixa Econômica Federal. Apesar de ter crescido em uma família de classe média, ela afirma que sempre teve uma forte vocação para o trabalho.

 

Ainda adolescente, aos 13 anos, começou a ganhar dinheiro dando aulas de trabalhos manuais, especialmente da técnica de pergaminho, aprendida com irmãs religiosas do Bom Pastor. O talento virou negócio rapidamente.

 

“Eu nunca fui muito ligada aos estudos. Gostava mesmo era de trabalhar”, contou durante a entrevista.

 

O espírito empreendedor surgiu cedo. Aos 17 anos, Rita já havia conquistado independência financeira suficiente para comprar seu primeiro carro, uma Marajó zero quilômetro, fruto do dinheiro obtido com as aulas e trabalhos artesanais.

 

Sucesso no mercado imobiliário

 

Depois de casar, Rita iniciou uma nova fase profissional incentivada pelo marido: tornou-se corretora de imóveis. Para isso, precisou até buscar o certificado de conclusão do ensino médio, documento que nunca havia retirado oficialmente.

 

Sem trabalhar vinculada a imobiliárias tradicionais, ela construiu carreira de forma independente e rapidamente se destacou no setor. Durante cerca de dez anos, acumulou bons resultados no mercado imobiliário cearense, vendendo empreendimentos importantes da época.

 

O início da Fazenda Grangeiro

 

A virada veio a partir de uma conversa familiar. O sogro de Rita ofereceu ao casal uma pequena área de oito hectares em Paracuru para o plantio de coco, como uma espécie de garantia para o futuro.


Eu errei em tudo que você puder imaginar. Errei na muda, no espaçamento, na irrigação… mas fui aprendendo.

 

Sem recursos para contratar assistência técnica particular, Rita procurou apoio na Embrapa, onde conheceu o pesquisador Fábio Miranda, especialista em irrigação. A parceria foi decisiva para o desenvolvimento do negócio.

 

A fazenda passou a funcionar como área de experimentos da Embrapa em estudos relacionados à adubação e produtividade do coco no Nordeste. O aprendizado técnico ajudou a transformar um pequeno plantio em uma operação altamente produtiva.

 

Crescimento e parceria com a Ducoco

 

Durante cerca de 18 anos, a Fazenda Grangeiro tornou-se uma das principais fornecedoras de coco para a indústria Ducoco, referência nacional no setor.

 

Entrada no varejo 

 

Após quase duas décadas fornecendo matéria-prima para a indústria, Rita decidiu mudar novamente o rumo dos negócios. Dessa vez, o objetivo era atuar diretamente no varejo, agregando valor ao produto.

 

A iniciativa surgiu através do filho Eduardo Grangeiro, que enxergou potencial no mercado supermercadista.

 

Foi então que nasceu a marca My Côco, responsável por popularizar o coco pronto para consumo nos supermercados. Um dos grandes diferenciais da empresa foi justamente o desenvolvimento do chamado “coquinho careca”, já higienizado e com sistema facilitado de abertura — inovação que ajudou a aproximar ainda mais o produto do consumidor.

 

Hoje, a Fazenda Grangeiro se consolidou como uma das operações mais bem-sucedidas do agronegócio cearense, unindo tecnologia, produção agrícola e inovação.

 

Protagonismo feminino no agro

 

Em um setor historicamente dominado por homens, Rita também se tornou símbolo da força feminina no agronegócio.

 

Durante a entrevista, destacou que as mulheres vêm conquistando cada vez mais espaço na gestão de propriedades rurais e negócios do agro brasileiro.

 

Sempre fui a única mulher nas reuniões, nas associações, nas decisões do setor. E isso continua acontecendo muitas vezes até hoje.

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