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A história de Ênio Silveira na educação começou muito antes da fundação do Colégio Antares. O educador e empresário relembrou uma trajetória que teve início ainda na adolescência, quando transformou a preparação para o Colégio Militar de Fortaleza em um pequeno curso preparatório criado no quintal da casa dos pais.
Ênio contou detalhes da infância, da influência decisiva do pai em sua formação, dos primeiros passos como professor de matemática, da criação de grandes projetos educacionais e da construção de uma carreira que o tornou uma das principais referências do setor no Ceará.
O pai que abriu o caminho
Segundo ele, tudo começou dentro de casa. Filho de um servidor público do Instituto Nacional do Seguro Seguro Social (INSS), que se aposentou como superintendente do órgão, e de uma dona de casa, o futuro educador cresceu em um ambiente onde os estudos eram valorizados.
O pai, apaixonado por matemática, decidiu prepará-lo para o concurso de ingresso no Colégio Militar de Fortaleza. Para isso, criou uma rotina rigorosa de exercícios e acompanhamento semanal.
"Ele comprou dois livros difíceis, de grande qualidade, e toda semana me dava uma tarefa. No sábado, a gente olhava tudo o que eu tinha feito e ele me ensinava o que eu tinha errado", relembra Ênio.
A estratégia funcionou. Ao final do ano, Ênio foi aprovado e ingressou na instituição que acabaria mudando os rumos de sua vida.
Colégio Militar: onde a vocação para ensinar nasceu
Logo nos primeiros anos como aluno do Colégio Militar, Ênio passou a chamar atenção pelo desempenho em matemática. O resultado foi um convite do professor Gildo Rodas para atuar como monitor da disciplina. A atividade era voluntária. Após as aulas regulares, ele voltava ao colégio para ajudar outros estudantes.
Foi nesse período que percebeu algo que o acompanharia pelo resto da vida.
"Os alunos que estudavam comigo começaram a crescer muito. Eu vi que realmente era um talento, era uma vocação que eu tinha e, a partir daí, não parei mais de dar aula", afirma.
O que começou como monitoria logo se transformou em aulas particulares para colegas e amigos. Ainda adolescente, ele passou a receber estudantes em casa para reforço escolar. Durante aproximadamente 30 anos, manteve contato direto com salas de aula, conciliando a atividade com a gestão de instituições de ensino.
O resultado rapidamente chamou atenção.
No ano seguinte, a turma passou para 12 estudantes. Todos foram aprovados. Depois vieram 20 alunos. Em seguida, dezenas. Mais tarde, centenas.
O crescimento ocorreu de forma totalmente orgânica, impulsionado pela recomendação das famílias.
Durante 15 anos, participou diretamente da expansão do grupo e da consolidação da marca no mercado educacional. A experiência acumulada nesse período serviria de base para um novo projeto.
1998: A fundação do Colégio Antares
Após deixar o GEO, Ênio decidiu investir em uma instituição própria. Em 1998, fundou oficialmente o Colégio Antares, que iniciou as atividades com uma unidade na Praia de Iracema, em Fortaleza.
Eu resolvi sair e montar o Colégio Antares. O cursinho já fazia muito sucesso e entrei com o slogan: do melhor curso para o melhor colégio.
Outro tema abordado durante a entrevista foi a incorporação do Antares ao Grupo Salta, considerado um dos maiores grupos de educação básica do Brasil. Ênio explicou que a decisão amadureceu após décadas de dedicação integral ao negócio e ganhou força durante o período da pandemia.
Além da oportunidade financeira, ele buscava garantir a continuidade do projeto educacional.
Educação: "É o caminho do progresso do nosso país"
Ao final da entrevista, o educador afirmou que o Brasil precisa ampliar os investimentos em educação para reduzir desigualdades e criar oportunidades para as novas gerações.
Para ele, o ensino continua sendo o principal instrumento de ascensão social e desenvolvimento econômico.
Esse país tem que entender que educação é tudo. É a maneira de fazer com que o aluno pobre, o aluno carente, possa disputar oportunidades em igualdade de condições. É o caminho do progresso do nosso país.