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A marca Zibba é possuidora de uma expertise na criação, Alice Tapajós, sócia e diretora de estilo da marca, com mais de 30 anos de experiência no ramo da moda. Em conversa com a Frisson, ela contou um pouco da sua trajetória.
Como se sente em ser considerada ícone da moda brasileira?
Me sinto honrada e feliz porque a criação sempre foi meu roteiro de vida.
Você passou um tempo ausente do mundo fashion, como foi essa volta?
Eu passei um tempo afastada dos holofotes quando encerrei minha marca, mas nunca deixei de trabalhar com moda e de experimentar novos caminhos. Cheguei, inclusive, a fazer figurino para uma ópera, “Capuleti e Montechi”, uma versão de Romeu e Julieta, com 150 personagens, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro. Foi um desafio fascinante. Também coordenei algumas marcas como consultora. Mas, sem dúvida, sou melhor em me entender do que interpretar o desejo do cliente. Então, naturalmente, quis fazer de novo uma marca em que eu decidisse os caminhos do estilo.
O que gosta mais de desenhar: joias, roupas ou acessórios?
O que me fascina é coordenar tudo isso junto, transformando o conjunto numa linguagem única, um estilo.
Tem algo que ainda pretende realizar na profissão?
Amo exatamente o que estou fazendo neste momento na Zibba, que é dirigir o estilo e a criação da marca. Mas, quem sabe... Talvez em algum outro momento eu tenha o desejo de desenvolver uma linha para uma fast fashion.
Conta pra gente um pouquinho do trabalho com a Zibba.
Meu trabalho na Zibba começou com o desenvolvimento de bolsas para outras marcas, como Ateen, Daslu e Dona Coisa. Em 2009, uma das bolsas, a Marie, foi premiada pelo I.H.D.A (Independent Handbag Designer Awards), em Nova York, e despertou a atenção de investidores. Então, eles assumiram o negócio e transformaram a Zibba numa marca internacional com showroom nos EUA. Só no ano de 2010, a Zibba entrou no Brasil com uma loja no Leblon, no Rio de Janeiro, e showroom em São Paulo. Aos poucos, houve uma evolução e, além de bolsas, a Zibba ousadamente montou uma coleção completa de roupas com estilo contemporâneo e marcante DNA carioca.
É dificil uma mulher ser aceita como criadora no mundo da moda?
Jamais achei que houvesse qualquer preconceito nesse sentido.
O mercado nordestino atrai bons investimentos de moda?
Com certeza! O Nordeste é uma região fundamental e a aprovação de uma marca pela brasileira nordestina é um passaporte para o sucesso de um negócio de moda.
A moda hoje é só para o público A?
Na minha opinião, cada vez mais, a moda é democrática e a mulher brasileira ousa, misturando o caro com o barato sem medo de ser feliz.
Alice Tapajós por ela mesma? Conta um pouquinho pra gente da diretora de estilo.
Quando eu era pequena, jurava ser a Alice do País das Maravilhas. E, por isso, desde então fiz a escolha de se feliz. Nasci numa família de artistas. Aliás, minha bisavó que era poetisa, Ignes Sabino, nasceu em Pernambuco, no Nordeste. Mas, eu sou carioca geral, da praia desde pequena. Se não fosse criar para a moda, certamente iria criar algo mais. Estudei para ser jornalista e achei que pudesse ser uma grande escritora. Mas, ainda na faculdade, descobri a delícia de inventar moda e, no pátio da faculdade, comecei a vender camisas para as amigas. Tenho uma história comprida de vida, com muitos altos e alguns baixos, mas nunca duvidei nem por um minuto que, se insistisse e nunca desistisse, o caminho seria um só: a vitória de uma vida bem vivida.
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