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Neuma Figueiredo: o nome da Casa Cor Ceará

Prestes a comandar mais uma edição da Casa Cor Ceará, Neuma Figueiredo conta à Frisson um pouco da sua trajetória e da história do evento, hoje um dos mais importantes no contexto da arquitetura, decoração e paisagismo em todo o País.


Já se vão 16 anos de Casa Cor Ceará. O que você pode dizer de todo esse tempo atuando num dos mais importantes eventos de arquitetura, decoração e paisagismo?

O sucesso do nosso evento é fruto de muito trabalho e dedicação de todos que participam da mostra. São patrocinadores, parceiros, empresas, órgãos públicos e uma variada rede de profissionais que estão presentes na formatação, desenvolvimento e execução destas 16 edições da Casa Cor Ceará. Todos com um só objetivo: divulgar o talento, tecnologia, produção, design e arquitetura que o nosso Estado desenvolve com esse povo que é tão talentoso e inovador. Uma coisa garanto que nunca vamos abrir mão: surpreender.

O tema dessa edição é “Um novo olhar para o Ceará”. Conte como foi pensado esse tema em 2013 e o que o motivou a continuidade.

Já em 2013, decidimos que seria muito produtivo homenagear o Ceará no tema do evento. O efeito nos projetos apresentados foi incrível. Tivemos ótimas inspirações, com resultados inovadores na utilização de produtos da nossa terra, como artesanatos, rendas, artes, materiais e técnicas, tudo com raiz cearense. Percebemos que o tema ainda tinha muito o que ser explorado e uma edição da Casa Cor Ceará não bastaria para apresentar todas as referências e homenagens ao Ceará. Portanto, este ano, voltamos à homenagear a cultura e a diversidade cearense. A inspiração estará presente em todos os ambientes em referências de design e arquitetura criadas pelos profissionais que participam da mostra.

Essa 16ª edição da Casa Cor Ceará se dará na casa de Danilo Pinto, que foi sede da Secretaria de Desenvolvimento do Estado do Ceará. Como um local é escolhido para sediar a mostra? Quais os requisitos mínimos?

Nossa procura é incessante e sempre estamos procurando novas locações para a realização da Casa Cor Ceará. A escolha de um local sempre foi um diferencial do evento em Fortaleza. São poucas as franquias da Casa Cor que podem contar com um local diferente a cada edição. Nos orgulhamos em conseguir sempre achar um local disponível e com os requisitos certos para sediar o evento. Ou seja, deve ser em um terreno amplo, ter a possibilidade de ser modificado, estar localizado em uma área e/ou ter um significado importante para a cidade, estar disponível para ocupação durante, praticamente, seis meses do ano (período de ocupação médio para preparação, execução e liberação). O prédio que abrigará o evento, atualmente, se encontra desativado, mas já sediou a Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará (Adece) e a Vice-Governadoria do Estado. Originalmente, o imóvel foi construído para ser uma residência, no início da década de 50, pelo empresário, Danilo Pinto, um dos proprietários da Companhia Importadora de Máquinas e Acessórios Irmãos Pinto, a Cimaipinto.

Particularmente, como se deu a escolha do local desse ano?

Tivemos uma extensa procura pelo local desde o ano passado. Elegemos alguns espaços como possíveis locais e começamos a procurar os responsáveis por cada um para nos certificar se poderíamos utilizar. Um dos locais era este imóvel que teve sua última utilização para o Governo do Estado como sede da Adece. Conseguimos informações de que o imóvel não estava sendo utilizado e nos foi liberada a utilização do espaço. Fizemos uma análise para o que precisaria ser investido para preparação do terreno e do imóvel e iniciamos o processo de modificação.

Como é feita a seleção de arquitetos parceiros e empresas em cada edição?

Logo após a definição do local, convidamos uma seleção de empresas, parceiros e profissionais arquitetos, designer e decoradores para conhecer o projeto do evento e o imóvel onde será realizada a mostra. A partir daí, os profissionais escolhem os espaços e definem seus projetos para, então, contar com o apoio das empresas, parceiros e patrocinadores do evento.  

E os homenageados? Como é o processo de escolha?

Contamos com ajuda de formadores de opinião, jornalistas, profissionais da área e amigos que nos auxiliam na definição destes nomes que sempre tem um perfil de relevância para a cultura local e até mesmo nacional.  

Fale um pouco sobre os homenageados de 2014!

O evento irá homenagear dois grandes nomes da terra: O primeiro deles é o pesquisador e especialista em música brasileira, Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez, que administra em sua casa o “Arquivo Nirez”, composto por mais de 140 mil itens, entre eles 22 mil discos de cera. O acervo é preservado e disponibilizado para jovens estimulados a conhecer, respeitar e preservar sua história. Já o segundo homenageado é o empresário Jorge Alberto Vieira Studart Gomes, mais conhecido como Beto Studart. Atual presidente da Fiec e do grupo BSPAR, o empresário é referência nacional por suas contribuições à sociedade. Ele criou, há 10 anos, a Fundação Beto Studart de Incentivo ao Talento, que tem como objetivo apoiar crianças, adolescentes e jovens carentes, potencialmente talentosos, nas diversas áreas do conhecimento e das artes. Além disso, concebeu a Studheart, que investe na viabilização de pesquisas e experimentos científicos direcionados aos estudos do coração. Desde 2009, a Studheart trabalha em projetos como o do primeiro coração artificial brasileiro portátil. Também faremos uma homenagem em nossa revista oficial da Casa Cor Ceará a Roberto Galvão, artista plástico cearense que, este ano, completa 50 anos de carreira. Nascido em Fortaleza, na década de 1950, Galvão foi aluno do primeiro curso de Educação Artística/Artes Plásticas realizado no Nordeste na Universidade Federal da Paraíba. Além disso, é mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará e já realizou mais de vinte mostras individuais. Ele possui mais de dez livros lançados, dos quais se destacam Chico da Silva e a Escola do Pirambu (1985), Uma Visão da Arte no Ceará (1986) e A Escola Invisível: Artes plásticas em Fortaleza 1928-1958 (2008).

Qual o principal objetivo de tê-los na mostra?

Queremos enriquecer a mostra e torná-la ainda mais plural e pessoal para quem visita. Conectar os nossos visitantes aos ambientes, à nossa cidade, às pessoas que fazem parte da nossa história e à nossa cultura.

Fala um pouco sobre a mega-estrutura do evento este ano!

O imóvel, escolhido para esta edição, possui 2.600 m², com 1.700 m² de área construída atualmente, onde estarão os 37 ambientes desenvolvidos por 51 profissionais. Fica localizado em endereço nobre na Av. Barão de Studart, 598, em frente ao Palácio da Abolição. Nesta edição, a mostra vai ter a área residencial como destaque. Amplos ambientes exibem as tendências da arquitetura e design de interior em 1.000 m² divididos em 2 pavimentos. Além disso, o visitante vai encontrar uma Galeria de Arte completa; Espaço Gourmet com programação exclusiva; trabalhos excepcionais de designers e estilistas cearenses no Atelier Criativo Brasil, espaço do Sebrae.

A Casa Cor já se consolidou no calendário anual do Estado faz tempo. Qual você acredita ser a razão do sucesso crescente do evento?

A qualidade constante e crescente de nossos profissionais que trabalham com arquitetura, design e decoração. Além disso, o apoio e o incentivo dos patrocinadores e parceiros, que sempre nos levam a criar e a melhorar sempre na busca pela mostra mais completa do setor. E, é claro, ao nosso fiel público, que vem se ampliando. Anualmente, cada vez mais um número maior de pessoas se interessa pelo que criamos e vem ao nosso evento conferir o resultado de toda a nossa dedicação.   

O público da mostra é bem exigente e atento ao que há de melhor no segmento. O que os visitantes podem esperar para a edição desse ano? Quais as novidades?

A nova edição da Casa Cor Ceará vai apresentar diversas novidades. Entre as que já estão confirmadas, temos dois espaços pioneiros: a Loja Cor da Cultura e a Mercearia. A loja é um ambiente que vai abrigar um acervo com peças como roupas, acessórios e objetos de decoração com design diferenciado, tudo selecionado pela equipe da Casa Cor Ceará de produções limitadas de artesões cearenses. Já a Mercearia é outro ambiente que vai se tornar tradição nas próximas edições. Nela, os visitantes encontrarão itens das tradicionais mercearias cearenses, como doces, cajuínas, biscoitos e pães. Os ciclistas de nossa cidade recebem uma atenção especial este ano e vão poder comprar o ingresso ao preço de meia entrada para visitar o evento. Basta ir de bicicleta, tirar um autoretrato, postar no instagram com a hashtag, #casacorceara2014, e mostrar na bilheteria. A criançada também não foi esquecida nesta edição. Os pequenos terão a Vila da Criança, um amplo espaço que vai abrigar uma brinquedoteca e um acervo exclusivo de livros da Fundação Demócrito Rocha. Os adultos vão poder ficar despreocupados, pois monitores ficarão responsáveis pelas crianças enquanto seus pais visitam o evento.

Qual a expectativa de público para essa edição?

Acima de 40.000 mil pessoas durante 31 de outubro a 10 de dezembro.

Entre todos esses anos de realização, tem alguma Casa Cor de sua preferência e por quê?

Todas as nossas edições me alegram e tem um lugar especial nas minhas recordações. Sempre me identifico quando conseguimos ampliar nosso evento e dar à cidade e à população algum retorno. Por exemplo, a revitalização do nosso Passeio Público que estava há muito tempo abandonado e marginalizado. Em nossa edição do ano de 2007 conseguimos, com apoio da Prefeitura de Fortaleza, do Governo do Estado e iniciativa privada de diversos parceiros, devolver à população uma praça que sempre fez parte da história de Fortaleza. Após a reforma voltou a ganhar atenção dos fortalezenses e a fazer parte da programação cultural da cidade. A casa utilizada para o evento de 2007 também foi muito importante, pois aconteceu no casarão da Casa da Indústria, em frente ao Passeio Público, construção da metade do século XIX, numa área tombada pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Depois da Casa Cor Ceará o prédio virou sede do Museu da Indústria e do Instituto de Música Thomaz Pompeu de Sousa Brasil. Nossa equipe comemora, também, a conquista para a população de Fortaleza dos parklets (mini praças no espaço que estaria ocupado por um carro) que teve sua estreia no ambiente Pátio dos Ventos das arquitetas, Liana Feingold e Laura Rios, ano passado e hoje é uma realidade na cidade já em duas localizações. Esse ano já comemoramos outra conquista: o engajamento de mais de 200 ciclistas na primeira edição do Ciclotour, um evento criado para ampliar o conceito de mobilidade e sustentabilidade na cidade. A direção da Casa Cor Ceará, junto com parceiros como o empresário, Paulo Angelim, Prefeitura de Fortaleza e Governo do Estado do Ceará, criou o primeiro Ciclotour. A ação foi um passeio ciclístico que coloriu a cidade e incentivou a prática de atividades físicas, aconteceu dia 24 de agosto, na sede da Casa Cor Ceará 2014 (Av. Barão de Studart, 598 - Meireles).

Como vc definiria a sua trajetória na Casa Cor? Fala um pouco sobre essa caminhada.

Em todo esse tempo a frente da Casa Cor Ceará, sempre fiquei muito satisfeita e surpresa com o que nossos profissionais, artesãos, artistas, trabalhadores, empresários e parceiros puderam nos oferecer para concretizar nosso sonho e ainda superar nossas expectativas a cada ano. Ter uma equipe unida é fundamental. Todos que trabalham conosco tem o mesmo pensamento de fazer o melhor, de produzir o  mais completo e belo evento do Ceará em todos os sentidos. Nossa equipe é apaixonada pela CASA COR, e estamos satisfeitos quando conseguimos transmitir isso a todos que chegam à Casa Cor Ceará. Poder apresentar o resultado de todo esse talento e dedicação é uma experiência realmente única que se renova a cada ano e me faz sentir realizada.

Confira cliques by Lino Vieira.

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