
Fotos: Lino Vieira
O secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, Roberto Sá, afirmou que o principal desafio da área continua sendo o enfrentamento às facções criminosas, apesar da expressiva redução dos indicadores de violência registrada no estado. Ele também detalhou as estratégias implementadas desde que assumiu a pasta, comentou os impactos da nova Lei Antifacção, falou sobre o combate à expulsão de famílias por criminosos e reforçou a importância da denúncia nos casos de violência contra a mulher.
Segundo Roberto Sá, as organizações criminosas ainda representam a maior preocupação das forças de segurança devido ao poder financeiro e bélico acumulado ao longo dos anos.
"Ainda é o combate às facções criminosas. Muito embora a gente esteja conseguindo conter as ações, elas ainda acontecem. Mas a resposta é muito rápida e imediata. É um desafio para o Brasil como um todo."
O secretário defendeu que a nova Lei Antifacção representa um avanço importante no enfrentamento ao crime organizado.
"A sociedade, a polícia, o governo, o Ministério Público e o Poder Judiciário passam a ter instrumentos para tratar com o devido rigor que essas facções merecem."
Ceará lidera redução de homicídios e roubos
Roberto Sá destacou que o Ceará liderou, proporcionalmente, a redução dos Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) e dos roubos no primeiro semestre de 2026, conforme dados do Ministério da Justiça.
Para ele, o resultado é consequência da combinação entre valorização dos profissionais de segurança, aumento do efetivo e mudanças na gestão operacional.
"Tem que ter estratégia e estrutura para que todo esse efetivo trabalhe de acordo com diretrizes, protocolos e ações."
O secretário lembrou que houve ampliação dos efetivos da Polícia Militar, Polícia Civil, Perícia Forense e Corpo de Bombeiros, além da realização de novos concursos públicos.
Ele também destacou mudanças estruturais implantadas na gestão da segurança.
Ampliamos os comandos intermediários da Polícia Militar de quatro para oito, criamos 20 seccionais na Polícia Civil, implantamos sistema de metas, monitoramento, meritocracia e fortalecemos a integração entre todas as forças.
Outra prioridade, segundo ele, foi o combate à impunidade por meio do cumprimento de mandados de prisão.
"O combate à impunidade passou a ser a prioridade da prioridade."
De acordo com Roberto Sá, o trabalho conjunto permitiu que o estado registrasse reduções superiores a 40% nos homicídios e acima de 50% nos roubos.
"O cidadão hoje está mais seguro"
Questionado se a população pode se sentir mais segura atualmente, o secretário respondeu que sim, mas ressaltou que os resultados não significam acomodação.
Dá para afirmar, sem dúvida alguma, que o cidadão está mais seguro. Mas isso não nos acomoda em hipótese alguma.
Segundo ele, a cúpula da Segurança Pública realiza reuniões semanais para reavaliar estratégias.
"Nossa meta é zero. Parece uma utopia, mas é o nosso norte: redução sobre redução."
Nova Lei Antifacção endurece punições
Ao comentar a sensação de impunidade existente entre parte da população, Roberto Sá afirmou que compartilha dessa preocupação e criticou a antiga legislação penal brasileira.
Segundo ele, a nova Lei Antifacção muda significativamente o tratamento dado aos integrantes dessas organizações criminosas.
Como exemplo, citou os casos de ameaças feitas por membros de facções para expulsar moradores de suas casas.
Antes, a pena era de um a seis meses de detenção ou multa. Hoje, essa mesma ameaça pode resultar em um a três anos de reclusão, somados à pena de participação em facção criminosa, que varia de 20 a 30 anos.
Para o secretário, o endurecimento das penas era necessário.
"Essas pessoas são nocivas, cruéis, ruins. Se escolhem essa vida, têm que perder a liberdade."
Estado criou protocolo para combater expulsão de famílias
Outro tema abordado foi a expulsão de moradores de suas residências por integrantes de facções criminosas.
Roberto Sá explicou que, ao assumir a Secretaria, identificou que os casos eram tratados de forma isolada pelas delegacias e batalhões.
A partir disso, foi criado um protocolo único para todo o estado.
"Quero saber quando, onde, quem, contra quem, e estabelecer uma estratégia igual para Fortaleza, Sobral, Juazeiro, Camocim ou Morada Nova."