A carreira de sucesso do empresário Jefferson Deywis pode ser definida como consequência de seu instinto. Desde os 14 anos, ele trabalha. De lá para cá, desenvolveu, além das habilidades profissionais, o fascínio pelo ser humano. E, com esse espírito, alterou sua carreira, pediu demissão do emprego e se planejou para abrir seu negócio: a Benévolo Café & Gelato. Conheça um pouco mais esse visionário empresário na entrevista a seguir:
O que foi determinante para a decisão de criar a Benévolo?
Senti que deveria construir algo que tivesse condições de contribuir com o próximo, não só nas questões materiais, mas de reflexão e estímulo para ações de bem. Estava chegando na metade da vida e não podia esperar para por o projeto para andar. Pedi as contas da empresa na qual trabalhava, ainda sem saber o que iria fazer. Naquele momento, a certeza era do que não queria e já bastava. Fechando o ciclo do meu emprego, dei início a pensar nos detalhes do projeto, daí para frente, em um mês, o conceito da Benévolo nasceu. Em três meses, desenhamos a identidade da marca, em seis meses, iniciamos as obras, e, em um ano, inauguramos a primeira Benévolo. Sempre refleti muito em tudo e partilhava os planos com as pessoas que podiam me direcionar. O dia a dia e o universo, atribuo a Deus, conspiravam positivamente, e as coisas ficavam mais claras e concretas. Muito interessante esse processo!
Você ganhou experiência em grandes multinacionais. Hoje, você dedica seu tempo e conhecimento à Benévolo Café e Gelato. Quando e de que forma surgiu a paixão pelo café?
Passei por Ambev, Parmalat e 3 Corações, mas minha paixão é por gente, adoro ver as pessoas, escutá-las, ver seus comportamentos. O ser humano é brilhante, isso me encanta! Já tive banquinha de bombom, fui office boy, garçom, entregador de sanduíche e foi tudo maravilhoso, acho que daí foi que tive oportunidade de conhecer gente de todas as formas. Então, gosto de Café, gosto de Gelato, mas ainda mais de gente! Costumo dizer que a Benévolo não é uma casa de alimento, mas de gente!
De que maneira analisa o atual mercado de café e gelatos em Fortaleza? Há alguma diferença em relação ao restante do País?
Mercados de grande potencial. Para gelatos ou produtos do gênero, nosso clima ajuda muito, são preferências para os dias quentes. Já sobre cafés, o que vejo é que o Brasil inteiro está olhando para as cafeterias de forma diferente e dando mais valor. Ambos são mercados promissores, embora, como tudo, o empreendedor deva estudar muito sobre o negócio, as necessidades financeiras e ter consciência da disponibilidade de tempo que ele tem que dedicar ao projeto, bem como entender que em alguns casos leva tempo e reservas de capital são importantes. Mas o mais importante é encontrar sentido para o que está fazendo, o “porquê”. Essa resposta é o que vai dar motivação e base para continuar, mesmo nos momentos difíceis.
Como sua empresa busca se diferenciar das demais que atuam na mesma área?
Sempre tive clareza do que a Benévolo representava para mim e o que ela tinha que representar para as pessoas. Fazer produtos de qualidade e gostosos deixou de ser diferencial há muito tempo. Isso é obrigação. Em que nos diferenciar então? Daí, busquei em várias experiências o que mais me faltava quando ia em um lugar. Não me refiro só ao respeito ao cliente, pois nisso tem uma troca. Queria focar no respeito pelo próximo, pelo ser, atender bem e acolhê-lo como se estivesse na sala da minha casa. Ir além do “tô pagando!”. Nosso esforço é para deixá-lo feliz em sua visita. Se ele tiver uma boa experiência, vai contagiar outros com sua alegria e a corrente do bem cresce, energia boa. Não somos infalíveis a erros, mas incansáveis no intuito de corrigi-los quando nos permitem. Aí, entra um dos males atuais, a intolerância. Ela cega e responde por muita coisa negativa. Mas acredito que, até nas horas em que ela surge de alguma maneira, ajudamos as pessoas a refletirem sobre.
Sob a ótica empresarial, de que maneira analisa o contexto político e econômico nacional atualmente?
No meio político, é vergonhoso tudo que está acontecendo, mas ainda tenho vergonha de mim por não estar fazendo nada sobre, acho que deveria protestar mais e exigir ética, honestidade e outros valores que vemos na lama através dos nossos governantes. Imagina a nossa geração atual de jovens acompanhado isso e ver que em nada dá, o que estamos formando para o futuro? Economicamente, a crise tão falada é política, econômica mesmo é só em relação ao medo que os políticos nos impõem para ajudar a manipular. Tudo se resolve com crença e trabalho, e estes com sentido. E, nesse momento, mais ainda se for voltado para formar cidadãos, ajudar o próximo e motivar a educação e a civilidade.
O momento econômico nacional interferiu de alguma forma na atuação da Benévolo?
Sim, nos motivou muito! O desafio de tentar e mostrar que somos capazes, mesmo na incerteza, para as coisas darem certo, nos moveu. Para crença e ação juntas, não tem tempo ruim. São mais de 50 receitas no menu da Benévolo. Entre eles, drinks de café, quentes e gelados, com e sem álcool, affogatos, vários tipos de capuccino, café gelado, entre muitas outras. De onde vêm essas criações e misturas? Alquimia de sabores e ingredientes. O cardápio vai sair agora com mais 10 receitas novas. Café Exóticos que vão do café com ovo à café com cardamomo (condimento indiano). Os gelatos seguem a mesma linha. Sabores como pitaia com tangerina, maracujá com gengibre e, agora, espaguete de gelato com bolo. Até em chás vem novidade. Estamos lançando uma carta de mais de 20 chás, entre eles capim santo com manga e o chai que leva chá preto, leite, açúcar, cardamomo, cravo e gengibre. Vamos testando. Se agrada, vamos lançando. Adoramos!
Como você apresenta a Benévolo aos consumidores?
Valores, princípios, crenças, e sonhos. Há momentos em que precisamos pausar e revelar o que há de bom em nós. A Benévolo nasceu para esses momentos acontecerem. Queremos que amigos se encontrem, casais se aproximem ou apenas que você tenha um tempo consigo mesmo.
Sua empresa possui algum diferencial em equipamento?
Temos nos cafés um torrador de última geração, o mais completo em tecnologia em casas do nosso perfil aqui no Estado. Todo o café da casa é torrado por nós. Nossas máquinas de produção de gelato são de marcas de ótima referência nas fabricações de gelato, todas inox e com tecnologia. Mas o mais bacana mesmo é que todos os manuseios nelas ou em outras têm gente de bem envolvida. Aí, a magia de junto a elas fazerem coisas fantásticas, que vão além do trivial que elas nos entregariam.

O mercado de café é bem concorrido em Fortaleza! Quais estratégias vocês utilizam para se manter firme no mercado?
Sempre o foco nas pessoas, não nos produtos. Produto é um fio condutor, e torcendo que outros copiem, pois teremos uma sociedade melhor. Já um pouco disso, temos como o café principal da casa o café do Maciço do Baturité. Escolhemos ele, pois é da nossa terra. Acredito ser a primeira cafeteria a assumir esse café em forma de expresso como seu blend principal. Acreditamos que podemos ajudar na divulgação desse produto e, de alguma forma, contribuir com a comunidade dessa região, grande parte da agricultura orgânica e familiar.
Como administra sua agenda entre trabalho e família?
Uma luta boa. Família é a base de tudo, mas nem sempre as coisas saem como planejamos. O segredo é não sofrer e sempre permitir que eles saibam que são amados, que podem contar com você e que tudo o que você esteja fazendo tem a ver com eles, para eles. Ausente ou muito presente, o que vale é que mesmo pouco seja feito de forma intensa e memorável.
Defina Jefferson Deywis!
Gente que gosta de gente!
Por fim, como você quer deixar seu nome na história de Fortaleza?!
Que iniciamos uma reflexão com eco no modo de enxergar o consumidor, seja qual for o segmento, como ser humano, entendê-lo, não pelo dinheiro que ele traz, mas o que ele pode levar de sua visita que agregue positivamente em sua vida e nos que estão em volta dele.