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Experiência personalizada e gratuita na tv aberta

Uma nova geração tecnológica está chegando na televisão de digital de milhões de domicílios brasileiros. Trata-se do per­fil D do middleware Ginga, que ganhou novos ares com o nome DTV Play, um novo framework do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre (SBTVD-T).

Com o avanço do cenário tecnológico e mercadológico, como televisores conectados à internet e a penetração dos serviços de banda larga e da televisão digital aberta, voltaram à cena o desenvolvimento e a promoção do Ginga. Os desenvolvedores passaram a se dedicar à correção de falhas apontadas, inclusive, por pesquisas brasileiras, e criaram o per­fil D do middleware Ginga.

O principal objetivo do novo Ginga é criar uma experiência inovadora e personalizada de recepção de conteúdos sob demanda, sem sair do ambiente da TV aberta. A inovação será incluída no equipamento de TV, identifi­cado por meio de um logotipo especifi­co que servirá para indicar que o aparelho já possui a nova tecnologia, com acesso a todos os benefícios.

A interatividade, de forma transparente para o telespectador, vai proporcionar experiências únicas como: segmentação e personalização de conteúdo, sincronização com outros dispositivos de “segunda tela”, vídeo sob demanda com suporte streaming adaptativo e oferta de conteúdos com maior qualidade de áudio e vídeo.

“Por meio do controle remoto, o consumidor pode consultar a cotação de moeda, informações de tempo, trânsito e saúde. Isso tudo você consegue hoje, através do Ginga, transmitir pelo ar e processar na televisão”, explicou José Marcelo Amaral, presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital e Terrestre (SBTVD). “O novo Ginga é uma revolução no consumo de conteúdo”, pontuou o especialista.

No Japão e na Europa, a interatividade já faz parte do cotidiano dos telespectadores. Louis Liben, um dos maiores especialistas em televisão digital nos Estados Unidos, deu um panorama sobre as possibilidades da tecnologia. “Você pode comprar uma garrafa d’água que aparece no fundo do cenário, saber informações sobre o artista que está fazendo um show ou, até mesmo, descobrir a qual altura e distância a bola chegou ao momento em que foi chutada para o gol”, explicou Liben.

No Brasil, esses novos recursos encontram-se em testes por emissoras de televisão e vem apontando resultados muito promissores que foram apresentados nos últimos meses. A expectativa, é que até 2023 entre 90% e 100% dos televisores fabricados no Brasil já tenham essa nova tecnologia.


Wender Souza

O engenheiro da Abratel, Wender Souza, esclareceu os principais pontos sobre o novo ginga.

Qual é o grande desa­o para se ter o desenvolvimento comercial do novo Ginga no Brasil?

Como estamos tratando de uma tecnologia nova, o grande desa­o é fazer com que a população tenha acesso ao novo Ginga nos televisores de suas casas. Para que a população possa usar o Ginga, precisamos observar duas questões: a primeira é garantir que os aparelhos televisores saiam de fábrica com o novo Ginga. A segunda é se empenhar para que as emissoras de TV brasileiras desenvolvam e disponibilizem aplicativos usando o novo Ginga para a população. Somando esses fatores, a população brasileira vai ter acesso a essa nova tecnologia e poderá experimentar interatividade plena pela televisão em suas casas de forma gratuita. Na visão da Abratel, o canal de retorno possibilitado pela conexão com a internet disponível nos televisores mais modernos é o diferencial do novo Ginga. Pelo canal de retorno, o telespectador terá acesso a informações sobre o conteúdo apresentado durante a programação das emissoras e sobre serviços públicos disponíveis para sua cidade ou bairro.

Do que depende a implantação do novo Ginga no Brasil? O que a Abratel está pleiteando ao Governo?

No Brasil, os televisores são produzidos seguindo os “Processos Produtivos Básicos” de­finidos pelo Ministério da Economia. Esses processos defi­nem “como” e “quando” os televisores deverão incorporar novas tecnologias. Assim, como o novo Ginga é uma tecnologia recente, o que a Abratel pleiteou ao Governo foi a inclusão do novo Ginga no “Processo Produtivo” de fabricação dos aparelhos televisores. Com isso, os fabricantes começarão a produzir televisores com essa nova tecnologia.

Como está o processo de implantação?

No dia 14 de maio, a Consulta Pública para alteração do “Processo Produtivo” dos aparelhos televisores foi publicada e esperamos que os primeiros televisores com Ginga D sejam produzidos e comercializados ainda em 2020. Ou, o mais tardar, a população poderá comprar televisores com o Ginga D em 2021.

Qual a importância do novo Ginga para a TV Brasileira e para os telespectadores?

A experiência de assistir TV aberta irá ser transformada. O novo Ginga possibilitará a interatividade com acesso à internet nos televisores dos lares brasileiros. Serão oferecidos aos telespectadores aplicativos que irão melhorar a imagem e o som recebidos em suas casas. outros aplicativos possibilitarão aos telespectadores pesquisar sobre serviços públicos ou participar de pesquisas on-line de forma gratuita e sem sair de suas casas. Chama a atenção que essas funcionalidades poderão ser direcionadas a uma cidade ou até mesmo a um bairro especí­fico. Como exemplo: neste momento de grandes dificuldades sanitárias, o novo Ginga poderia ser usado para fazer pesquisas sobre a saúde da população de um determinado bairro em tempo real, e, dependendo do resultado dessa pesquisa, poderiam ser oferecidos aos moradores o agendamento de consultas prioritárias em postos de saúde. Por fi­m, destaco que o novo Ginga trará uma experiência de uso da televisão muito mais interessante e completa para a população. Principalmente, para a população mais carente que tem di­ficuldade para deslocar e usar os serviços interativos pela internet.

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