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Adolescente vai parar na UTI após mistura de álcool e medicamentos em escola de Fortaleza

Caso em escola particular acende alerta para prática conhecida como “Purple Drunk” e reforça preocupação com desafios perigosos entre adolescentes

 

Um caso ocorrido em uma escola particular de Fortaleza acendeu um alerta entre famílias, educadores e profissionais de saúde sobre os riscos da mistura entre bebidas alcoólicas e medicamentos. Um adolescente de 15 anos precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após ingerir uma combinação de álcool com remédios dentro da instituição de ensino, localizada no bairro Papicu. 

 

Segundo informações divulgadas pelas autoridades, o estudante apresentou um quadro grave de intoxicação após consumir uma bebida preparada com vodca e medicamentos anti-histamínicos, utilizados normalmente no tratamento de crises alérgicas. O jovem foi socorrido rapidamente e encaminhado a uma unidade hospitalar, onde segue em observação médica. 

 

Médico alerta para risco de coma e parada cardíaca

 

O caso ganhou ainda mais repercussão após especialistas reforçarem os riscos da combinação entre álcool e medicamentos aparentemente “comuns” dentro de casa.

 

O médico clínico Bruno Cavalcante explicou que a mistura pode provocar efeitos severos no sistema nervoso e respiratório, principalmente em adolescentes.

 

“Parece uma coisa inofensiva, mas remédios do dia a dia que a gente tem em casa misturados com álcool podem dar um efeito no sistema respiratório e no sistema nervoso ao ponto de levar o paciente para a UTI”, afirmou o especialista. 

 

Segundo o médico, os sintomas podem incluir confusão mental, desequilíbrio, desorientação, sonolência intensa e perda de coordenação motora. Em situações mais graves, a intoxicação pode evoluir para coma e até parada cardíaca. 

 

“Purple Drink” preocupa especialistas

 

O episódio reacendeu discussões sobre a chamada “Purple Drink” ou “Purple Drunk”, prática que se popularizou em alguns países através de desafios online e referências da cultura pop. A mistura tradicional envolve álcool associado a xaropes ou medicamentos sedativos. 

 

Bruno Cavalcante lembrou que versões semelhantes já provocaram preocupação em escolas dos Estados Unidos, principalmente entre adolescentes.

 

“O que mais faz diferença é o atendimento precoce e a hidratação”, destacou o médico ao comentar os procedimentos emergenciais em casos de intoxicação. 

 

O especialista também orienta que, ao identificar sinais de intoxicação, a pessoa seja colocada de lado para evitar broncoaspiração e encaminhada imediatamente para atendimento hospitalar ou ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). 

 

Investigação apura como substâncias entraram na escola

 

A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Militar do Ceará e levou estudantes e testemunhas para prestar esclarecimentos à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA). A investigação busca esclarecer como as substâncias entraram na escola e de que maneira foram compartilhadas entre os alunos. 

 

Em nota, a instituição de ensino informou que prestou assistência imediata ao estudante, acionou a família e acompanha o caso junto às autoridades competentes. 

 

Debate sobre saúde emocional e influência das redes

 

O episódio também amplia o debate sobre a influência das redes sociais em comportamentos de risco entre adolescentes. Especialistas defendem maior diálogo entre famílias, escolas e jovens sobre consumo de substâncias, pressão social e desafios perigosos disseminados na internet.

 

Profissionais da saúde reforçam ainda a importância de observar mudanças bruscas de comportamento, desaparecimento de medicamentos dentro de casa e sintomas incompatíveis com a quantidade de álcool ingerida, sinais que podem indicar intoxicação por mistura de substâncias.

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