Voluntário brasileiro da vacina de Oxford que morreu tomava placebo, diz jornal

Informação não foi confirmada por laboratório Astrazeneca

Foto: PAUL ELLIS / AFP

O médico João Pedro Feitosa, de 28 anos, voluntário da vacina de Oxford contra o coronavírus, morreu nesta quarta-feira, 21, por complicações da Covid-19. Segundo o jornal G1, João Pedro fazia parte do grupo de pessoas que estava tomando placebo, ou seja, que não tomou uma dose da vacina verdadeira. 

Entretanto, em nota enviada para a imprensa pelo Astrazeneca, empresa farmacêutica desenvolvedora da vacina, os representantes do laboratório afirmaram que não poderia divulgar detalhes do caso por obedecer “estritamente à confidencialidade médica e às regulamentações relativas a estudo clínicos”. Ainda segundo o laboratório, “todos os processos de revisão exigidos foram seguidos”.

“Todos os eventos médicos significativos são avaliados cuidadosamente pelos investigadores do estudo, um comitê independente de monitoramento de segurança e autoridades regulatórias. Essas avaliações não levaram a quaisquer preocupações sobre a continuidade do estudo em andamento”, dizia a nota. 

A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) também enviou uma nota à imprensa delcarando que está ciente do falecimento do voluntário e que as agências reguladoras optaram pela continuação dos estudos. 

Confira a nota na íntegra:

Em relação ao falecimento do voluntário dos testes da vacina de Oxford, a Anvisa foi formalmente informada desse fato em 19 de outubro de 2020. Foram compartilhados com a Agência os dados referentes à investigação realizada pelo Comitê Internacional de Avaliação de Segurança. É importante ressaltar que, com base nos compromissos de confidencialidade ética previstos no protocolo, as agências reguladoras envolvidas recebem dados parciais referentes à investigação realizada por esse comitê, que sugeriu pelo prosseguimento do estudo. Assim, o processo permanece em avaliação.

Portanto, a Anvisa reitera que, segundo regulamentos nacionais e internacionais de Boas Práticas Clínicas, os dados sobre voluntários de pesquisas clínicas devem ser mantidos em sigilo, em conformidade com princípios de confidencialidade, dignidade humana e proteção dos participantes.  

A Anvisa está comprometida a cumprir esses regulamentos, de forma a assegurar a privacidade dos voluntários e também a confiabilidade do país para a execução de estudos de tamanha relevância.

A Agência  cumpriu, cumpre e cumprirá a sua missão institucional de proteger a saúde da população brasileira.

 A Vacina da Oxford

Em setembro, o laboratório interrompeu os testes da vacina após uma reação adversa em um dos voluntários. Os ensaios ficaram suspensos por cinco dias e o laboratório também não divulgou muitos detalhes sobre o assunto. 

Já em fase 3  de testes no Reino Unido, nos Estados Unidos, no Brasil, na Índia e na África do Sul, a vacina era uma das principais apostas do Governo Brasileiro. Os resultados da fase 1 e 2 do medicamento foram publicados na revista Lancet no dia 20 de julho e indicava que todos os efeitos colaterais nos 1.077 voluntários do Reino Unido, que foram entre dores de cabeça e febres, foram considerado leves.

 

COMENTÁRIOS