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Wolney Queiroz, Ministro da Previdência, afirma que fila do INSS deve ser zerada até outubro


Foto: Lino Vieira

O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, afirmou nesta terça-feira (12) que o governo federal trabalha para zerar a fila de espera do INSS até setembro ou outubro deste ano. Durante entrevista concedida em Fortaleza, o ministro também anunciou novos mutirões de atendimento no Ceará, comentou sobre a devolução de descontos indevidos a aposentados e detalhou medidas de segurança implantadas após as fraudes investigadas no sistema previdenciário.

 

A entrevista ocorreu durante a inauguração da nova agência da Previdência Social de Messejana, em Fortaleza, instalada no Shopping Gigamall, na Rua Zé Hipólito. A unidade substitui a antiga agência destruída por um incêndio há cerca de um ano.

 

Governo quer reduzir tempo de espera para menos de 45 dias

 

Ao comentar a fila do INSS, Wolney Queiroz explicou que o órgão recebe cerca de 1,3 milhão de novos pedidos por mês. Segundo ele, o governo deixou o ano com aproximadamente 3,1 milhões de solicitações aguardando análise.

 

O ministro destacou que a fila não deve ser medida apenas pelo número de processos, mas pelo tempo médio de resposta ao cidadão. Atualmente, o Tribunal de Contas da União (TCU) considera aceitável que o segurado receba uma resposta em até 45 dias.

 

Estamos reduzindo essa fila de forma consistente. Entre fevereiro e abril, reduzimos em mais de 500 mil o número de pessoas aguardando atendimento.

 

Segundo o ministro, a meta do governo é alcançar o prazo médio inferior a 45 dias até o segundo semestre.

 

Ceará recebeu reforço de peritos

 

Wolney Queiroz afirmou que o Ceará está entre os estados com maior demora nos atendimentos previdenciários, ao lado de outras regiões do Nordeste e do Norte do país.

 

Para tentar acelerar as análises, o governo realizou concurso público e contratou 500 novos peritos após mais de dez anos sem seleção. Desses profissionais, 59 foram destinados ao Ceará.

 

“O Nordeste e o Norte receberam cerca de 70% desses novos peritos justamente porque concentram os maiores gargalos”, disse.

 

O ministro também destacou a redução do quadro de servidores do INSS ao longo da última década. Segundo ele, o instituto tinha cerca de 37,5 mil servidores em 2015 e atualmente conta com aproximadamente 22,5 mil trabalhadores.

 

Mesmo assim, o número de benefícios concedidos aumentou. De acordo com Wolney, foram 5,2 milhões de concessões em 2022, contra 7,6 milhões em 2025. Em março deste ano, o INSS teria alcançado um recorde histórico, com 890 mil benefícios liberados em apenas um mês.

 

Ceará terá mutirão com 10 mil perícias

 

O ministro anunciou ainda novos mutirões de atendimento no estado. Já neste próximo fim de semana, cerca de 2 mil perícias médicas deverão ser realizadas no Ceará.

 

Além disso, nos dias 30 e 31 deste mês, o governo federal prevê um grande mutirão com 10 mil perícias em todo o estado.

 

Quem está aguardando perícia deve procurar a Previdência Social para participar desses atendimentos.

 

Segundo o ministro, parte dos segurados será convocada automaticamente, enquanto outros precisarão realizar o agendamento pelos canais oficiais do INSS.

 

Governo já devolveu mais de R$ 3 bilhões a aposentados

 

Outro tema abordado na entrevista foi o esquema de descontos indevidos aplicados em aposentadorias e pensões.

 

Wolney Queiroz afirmou que o governo já devolveu mais de R$ 3 bilhões a aposentados e pensionistas que alegaram descontos não autorizados em benefícios previdenciários.

 

Segundo ele, o governo federal encerrou definitivamente a modalidade de desconto associativo que vinha sendo utilizada nas fraudes.

 

“O governo criou um mecanismo no Meu INSS e também nas agências dos Correios para que o aposentado pudesse declarar que não reconhecia aquele desconto”, explicou.

 

O ministro afirmou que cerca de 4,5 milhões de pessoas já procuraram os canais oficiais para contestar cobranças. Todas elas, segundo ele, teriam recebido o ressarcimento integral.

 

O prazo para contestação segue aberto até o dia 20 de junho. Quem comprovar descontos indevidos poderá receber o valor corrigido pelo IPCA em parcela única.

 

Governo tenta recuperar dinheiro desviado

 

Durante a entrevista, Wolney afirmou que a Advocacia-Geral da União (AGU), a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) atuam para rastrear os recursos desviados.

 

Segundo ele, o dinheiro estaria ligado a bens como imóveis, veículos, criptomoedas e até recursos enviados para paraísos fiscais.

 

O aposentado não podia esperar anos por decisões judiciais. Por isso, o governo decidiu antecipar o pagamento e depois buscar o ressarcimento de quem roubou.

 

Previdência endureceu regras de segurança

 

Após o escândalo envolvendo os descontos indevidos, o Ministério da Previdência implementou novas camadas de segurança nos serviços oferecidos aos segurados.

 

Entre as mudanças está a exigência de biometria em operações como empréstimos consignados e acessos sensíveis aos sistemas do INSS.

 

Segundo o ministro, o governo agora enfrenta reclamações de aposentados que consideram o acesso ao crédito mais burocrático. Mesmo assim, ele afirmou que as barreiras de segurança serão mantidas para evitar novas fraudes.

 

O sistema hoje é muito mais seguro.

 

Ministro faz balanço de um ano à frente da pasta

 

Ao final da entrevista, Wolney Queiroz fez um balanço do primeiro ano à frente do Ministério da Previdência Social.

 

Ele afirmou que assumiu o cargo durante a maior crise da história recente do INSS e recebeu do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a missão de recuperar a confiança dos aposentados no sistema previdenciário.

 

Segundo o ministro, além de combater fraudes, o governo tenta melhorar a humanização do atendimento e acelerar a concessão de benefícios.

 

Wolney também ressaltou a importância econômica da Previdência Social no país. De acordo com ele, o sistema possui atualmente 77 milhões de contribuintes, atende cerca de 118 milhões de brasileiros e movimenta aproximadamente R$ 83 bilhões por mês.

 

“Em 73% dos municípios brasileiros, a maior entrada de recursos é da Previdência Social”, afirmou.

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