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Ex-Master Franqueado da CVC em Fortaleza, Arley Silva fala sobre investimentos em Turismo

Atualmente, buscando novos propósitos, mas sempre com um pé no setor, o empresário conversou com a Frisson e contou um pouco sobre sua trajetória e suas perspectivas sobre o turismo

Foto: Divulgação

Com mais de 40 anos com experiência no setor de Turismo, o empresário Arley Silva fez passagens nas maiores empresas relacionadas ao setor do País, da agência de viagens CVC - na qual foi Master Franqueado - à Latam - na qual entrou com apenas 18 anos. Atualmente, buscando novos propósitos, mas sempre com um pé no setor, o empresário conversou com a Frisson e contou um pouco sobre sua trajetória e suas perspectivas sobre o turismo na pandemia. Confira: 

Frisson: Você trabalha desde os 13 anos. Pode contar sobre essa trajetória no trabalho?

Arley Silva: Tive uma infância pobre, criado na periferia de São Paulo, então tive que me virar, sobreviver. Desde os 7 ou 8 anos, estudava e no tempo livre engraxando sapatos, vendia picolé e bombom nos pontos de ônibus ou na feira livre. Através de um amigo mais velho, consegui um trabalho em uma papelaria no bairro do Bom Retiro. Ficava uns 30 km de onde  morava, e eu tinha 13 para 14 anos na época, mas fiquei pouco tempo, uns 4 meses, devido ao serviço pesado. Eu era franzino. 

Aos 14 anos, depois de fazer ficha em várias empresas - naquela época não existia enviar currículo -, fui chamado para exames e entrei na Transbrasil Linhas Aéreas, como office boy. A aviação sempre foi e continua sendo uma grande paixão. Na Companhia tive a sorte de ter bons líderes e fui aprendendo, nas horas livres, atividades ligadas à área contábil e em pouco tempo fui promovido.

Aos 18 para 19 anos, fui convidado pela TAM Linhas aéreas (hoje LATAM) para ganhar o dobro do salário, e na ambição de melhorar de vida, aceitei e me arrependi em pouco tempo, pois a Transbrasil tinha muito cuidado e respeito  com os funcionários. Mas enfim, tinha que seguir e os desafios ainda estavam só começando.

Fiquei uns dois anos na TAM e fui trabalhar na Itapemirim Turismo, mudei de Aviação para Viação e Turismo, creio que fiquei uns 2 ou 3 anos, quando surgiu uma oportunidade na Soletur Turismo para promotor de vendas. Era uma grande referência na indústria do Turismo na época , e sem dúvidas ganhei muito aprendizado e experiência.

Em 1991, retornei À Transbrasil, minha grande paixão, como promotor de vendas e fiquei até final de 2000 , depois de passar por supervisor de vendas, gerente de vendas em São Paulo, gerente geral em Goiás e, nos últimos anos, já de volta a São Paulo, por gerente Regional e dirigir toda área de vendas da companhia.

Em 2001, cheguei em Fortaleza para iniciar a CVC Viagens, pois era conhecida apenas por enviar clientes para passarem férias no Ceará. 

Frisson: Por quais empresas você já passou e qual foi seu cargo em cada uma delas? Pode resgatar essa linha do tempo?

Arley Silva: Kar Copy a papelaria que mencionei, Transbrasil, TAM (atualmente LATAM), Itapemirim Turismo, Soletur Turismo, Transatlântica Turismo, CVC Viagens em SP, Transbrasil de novo e CVC, porém não como empregado, mas como representante, franqueado e Máster Franqueado.

Frisson: O senhor chegou em Fortaleza em 2001. Como o setor do turismo se transformou nestes 20 anos? 

Arley Silva: A tecnologia transformou as pessoas do setor e era necessário relacionamento. O consumidor ganhou inúmeras opções de escolha, não apenas de oferta, mas onde comprar. Há diversos canais onde o consumidor pode escolher e adquirir a sua viagem.

No caso específico do Ceará, até a explosão da pandemia, Fortaleza se transformou em um pequeno HUB aéreo extremamente promissor, ganhando um aeroporto com estrutura moderna, amplo e preparado para crescer. Modernizou o Porto do Mucuripe, transformou Jericoacora em destino forte, melhorou acessos e fez crescer o turismo regional. Mas há muito espaço para crescer, muito o que investir .

Frisson: Quais dificuldades o senhor observou no Ceará na sua área? 

Arley Silva: No meu caso específico, foi necessário gerar demanda com produtos adequados ao gosto do consumidor e preço competitivo. Nosso principal objetivo era estimular o público a viajar para fora do Estado com crescimento da oferta regional, de hotéis, resorts e melhoria de acessos. Mas olhamos pra dentro também.

Frisson: Você já trabalhou em diversas cidades. Qual teve mais facilidade de se adaptar e por que? 

Arley Silva: Morei em algumas cidades, mas não tive problemas de adaptação. Mas sem dúvidas em Fortaleza construí uma vida, família, filhas, amigos… Mas a gente nunca esquece o lugar que nasce. Adoro São Paulo, em especial a periferia que me criei e os amigos que lá estão, que me fazem uma falta danada, minhas filhas que também estão em São Paulo, genro e um neto .

Frisson: Pode nos contar um pouco sobre sua trajetória na CVC? Como acredita que a empresa cresceu nessa época? 

Arley Silva: Difícil explicar, mas ela chegou às custas de muito, mas muito trabalho, dedicação e ousadia, com o protagonismo que sempre esteve no DNA da empresa. Nestes 20 anos, creio que cumpri a minha missão de colocar a marca da CVC em um bom nível graças a todos aqueles que  trabalharam e acreditaram no sucesso, seria impossível citar a todos sem fazer nenhuma injustiça.

Frisson: Como a pandemia mexeu com o setor e com a empresa, tanto de forma econômica quanto de forma organizacional? 

Arley Silva: A pandemia foi e continua sendo muito cruel para todos aqueles que fazem parte da indústria do turismo. Toda a cadeia foi “tripudiada”, bombardeada, algumas destruídas. O custo é incalculável, hotéis fechando, bares e restaurantes, agências de viagens, milhares de aeronaves no mundo no chão, parques fechados, navios ancorados, enfim, devastador. Aos que sobrevivem, se reinventar será o grande desafio, buscar unidade, entender e agir nas dores do outro .

Frisson: Como Master Franqueado, quais eram suas funções na CVC? Pode explicar melhor o seu cargo? 

Arley Silva: Fui Master Franqueado desde o final de 2012. Os objetivos eram expansão da rede, selecionando franqueados e abrindo novas oportunidades e pontos de vendas. Cuidei da gestão de vendas e defesa da marca.

Frisson: E agora, fora da CVC, quais são seus próximos passos? Seguirá no empresariado? 

Arley Silva: Por enquanto estou tentando organizar e sanar as minhas pendências, e parar um pouco. Nestes 20 anos eu viajei, mas nunca consegui me desligar. Observando e avaliando oportunidades, dentro e fora do setor.

 

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