
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, cumpre, entre os dias 13 e 17 de julho, visitas institucionais estratégicas em Portugal e na Espanha, na região da Galiza, voltada ao fortalecimento das relações comerciais entre o Ceará e a União Europeia. A agenda conta com reuniões técnicas com empresas, instituições públicas e centros de pesquisa de referência no setor pesqueiro e marítimo, com foco na retomada das exportações de pescados cearenses para o mercado europeu.
A iniciativa ocorre em um momento de mudanças no comércio internacional. O avanço do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, mercados com mais de 700 milhões de consumidores, ampliando as possibilidades de integração entre os países integrantes dos blocos, ao tempo em que novos movimentos protecionistas ganham força em outras economias. Na última quinta-feira (15/07), o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com entrada em vigor prevista para 22 de julho.
Nesse contexto, as reuniões da FIEC buscam posicionar o Ceará para aproveitar as oportunidades decorrentes da ampliação das relações comerciais entre os blocos econômicos, especialmente em uma cadeia produtiva na qual o Estado possui tradição exportadora. O roteiro das visitas é o primeiro passo de uma estratégia de aproximação comercial que deverá ser desdobrada em novas iniciativas voltadas ao fortalecimento da indústria cearense de pescados.
A programação contempla encontros em Lisboa, Porto e Vigo, cidades diretamente ligadas à economia do mar e à atividade pesqueira na Península Ibérica. Ao longo da ação, Ricardo Cavalcante realiza as visitas acompanhado de Miguel Marques, CEO da Skipper & Wool, em uma agenda que inclui reuniões com empresas, autoridades responsáveis pela gestão do setor e instituições dedicadas ao desenvolvimento de tecnologias para pesca sustentável e monitoramento dos recursos marinhos.
Agenda de visitas
Em Lisboa, o presidente da FIEC esteve no Grupo ETSA, empresa portuguesa reconhecida pela transformação de subprodutos do pescado e de outros resíduos de origem animal em novos insumos. A companhia adota a economia circular como base de seu modelo de negócios, com soluções voltadas ao aproveitamento integral da matéria-prima, à redução de desperdícios e à adoção de processos industriais mais sustentáveis. Na ocasião, Ricardo Cavalcante reuniu-se com o administrador executivo da ETSA, André Almeida.
Ainda na capital portuguesa, a agenda incluiu visita à Docapesca – Portos e Lotas, empresa pública responsável pela prestação do serviço de primeira venda de pescado em Portugal Continental e pelo apoio ao setor e aos respectivos portos. O encontro com o diretor adjunto de Inovação e Marketing da Docapesca, Filipe Pedro, permitiu conhecer o funcionamento do modelo português de comercialização e gestão da cadeia do pescado.
Outro compromisso ocorreu na Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), órgão da administração pública portuguesa responsável pela execução de políticas relacionadas aos recursos marinhos, à pesca, à aquicultura, à indústria transformadora, à segurança marítima e à fiscalização do setor. Ricardo Cavalcante foi recebido pelo diretor-geral da instituição, vice-almirante António Coelho Cândido.
O roteiro de Lisboa passou também pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), instituição pública que reúne pesquisas e informações estratégicas sobre oceanografia, meteorologia e recursos marinhos. O presidente da FIEC reuniu-se com o presidente do instituto, professor José Guerreiro, e conheceu a estrutura tecnológica utilizada na modelagem oceânica e atmosférica, aplicada ao monitoramento ambiental e ao suporte às atividades marítimas e pesqueiras.
Tecnologia na economia do mar
No Porto, a agenda concentrou-se no INESCTEC.OCEAN, unidade de investigação dedicada ao desenvolvimento de tecnologias para a economia azul. O centro atua em pesquisas voltadas à robótica marinha, ao monitoramento ambiental e à criação de soluções para a exploração sustentável dos recursos oceânicos, com foco na inovação, na preservação dos ecossistemas e na segurança alimentar. Ricardo Cavalcante foi recebido pelo professor Eduardo Silva.
A programação prosseguiu em Vigo, na Galiza, um dos principais polos pesqueiros da Europa. O Porto Pesqueiro de Vigo concentra 357 empresas do setor, responsáveis por faturamento anual superior a 3 bilhões de euros, e gera cerca de 6 mil empregos. O complexo se destaca ainda como o maior ponto de desembarque de peixe fresco da Europa e reúne infraestrutura portuária, estaleiros e uma ampla estrutura de comercialização do pescado.
Indústria de processamento
Os compromissos da Federação também incluíram visita à Gelpeixe, empresa líder no mercado português de transformação e congelamento de pescados. Fundada em 1977, a companhia atua no processamento de peixes, mariscos e moluscos congelados, além de comercializar outros alimentos congelados. Durante o encontro, o presidente da FIEC reuniu-se com o administrador Manuel Tarré para conhecer a operação industrial da empresa.
A programação prossegue até esta sexta-feira (17/07), com agenda voltada ao fortalecimento do relacionamento da indústria cearense com empresas e instituições europeias de referência no setor pesqueiro e marítimo.