
A Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos irá reconhecer oficialmente que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi vítima da ditadura militar. A conclusão está em um relatório elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, relatora do caso, que sustenta que a morte de JK, em 1976, na Via Dutra, não teria sido um acidente, mas uma ação intencional ligada à repressão política do período.
O parecer, com mais de 5 mil páginas, revisa investigações anteriores que apontavam um acidente de trânsito como causa da morte. A nova análise usa como base um inquérito do Ministério Público Federal realizado entre 2013 e 2019, que descartou a hipótese de colisão entre o ônibus da Viação Cometa e o carro de JK.
A morte de JK sempre gerou controvérsias. Enquanto investigações oficiais da época e a Comissão Nacional da Verdade mantiveram a versão de acidente, outras apurações apontaram falhas nos laudos e possíveis indícios de sabotagem. O novo relatório também cita perícias técnicas que questionam as conclusões anteriores e indicam inconsistências nas investigações conduzidas durante a ditadura militar.