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Andrew Mountbatten-Windsor, irmão de Charles III e conhecido como príncipe Andrew e Duque de York, foi detido nesta quinta-feira (19), data em que completa 66 anos. A prisão ocorreu em Wood Farm, na propriedade de Sandringham, em Norfolk, na Inglaterra, no contexto das investigações relacionadas ao caso Epstein e sob suspeita de “má conduta em cargo público”.
Andrew também foi acusado de abuso sexual pela norte-americana Virginia Giuffre, uma das vítimas do esquema liderado por Jeffrey Epstein. Imagens divulgadas pela imprensa mostraram carros policiais sem identificação e agentes à paisana na área da residência durante a manhã. As informações foram publicadas pelo jornal britânico The Guardian.
Em nota, a Polícia do Vale do Tâmisa informou que um homem de 60 anos, residente em Norfolk, foi preso sob suspeita de má conduta em cargo público e que mandados de busca estavam sendo cumpridos em endereços nos condados de Berkshire e Norfolk. O vice-chefe de polícia Oliver Wright afirmou que é essencial preservar a integridade e a imparcialidade das investigações enquanto as apurações seguem em conjunto com outros órgãos. Até o momento, representantes de Andrew não se manifestaram sobre a detenção.
Ligação com Epstein
Mensagens tornadas públicas pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Andrew teria compartilhado informações consideradas sensíveis com Jeffrey Epstein quando exercia a função de representante especial para comércio do Reino Unido. A proximidade entre o filho de Elizabeth II e o empresário norte-americano – que morreu em 2019 enquanto respondia a acusações de exploração e tráfico sexual de menores – acabou resultando no afastamento de Andrew de compromissos oficiais e funções públicas.
Nos e-mails divulgados, o então Duque de York encaminhou a Epstein relatórios de viagens realizadas a países asiáticos. Os documentos haviam sido preparados por uma secretária ligada ao gabinete do membro da família real.
A queda
O declínio público de Andrew começou em 2019, quando ele deixou suas atividades oficiais após a repercussão negativa de sua relação com Epstein. Apesar disso, manteve inicialmente patrocínios reais e títulos militares, além de continuar morando na Royal Lodge, mansão com 31 quartos. Em janeiro de 2022, Elizabeth II retirou de forma definitiva todos os seus títulos militares e funções honoríficas, após pressão de veteranos das Forças Armadas e o avanço das acusações.
A decisão foi tomada em meio às denúncias apresentadas por Virginia Giuffre, que apontava Andrew como um dos homens envolvidos no esquema de exploração comandado por Epstein.
As acusações
Virginia afirmava desde 2011 que foi abusada por Andrew, mas o caso ganhou nova dimensão em 2021. Ela declarou ter sido forçada a manter relações sexuais com ele em três ocasiões. No primeiro episódio, segundo seu relato, tinha 17 anos. O encontro teria ocorrido em Londres, na residência de Ghislaine Maxwell, então companheira de Epstein e apontada como recrutadora de vítimas.
Os outros dois episódios teriam acontecido em propriedades de Epstein em Manhattan e nas Ilhas Virgens Americanas. Giuffre acionou a Justiça dos Estados Unidos e processou Andrew, que optou por firmar um acordo extrajudicial em fevereiro de 2022, sem admissão formal de culpa.
Anos depois, Virginia Giuffre morreu. Em vida, ela relatou os episódios no livro Garota de Ninguém: Memórias de Sobrevivência ao Abuso e Luta pela Justiça, no qual descreveu os traumas vividos ainda na adolescência. Entre os elementos citados, destacou uma fotografia em que aparece ao lado de Andrew – imagem que utilizou como prova do contato entre ambos. Repugnante!