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Diabéticos denunciam medicamentos fora da validade e de falta de insulina na rede municipal

Problemas de logística e no repasse pela Prefeitura e pelo Governo Federal são responsáveis pela falta

Foto: Divulgação

Com diabetes tipo 1, a estudante Talita Feitosa, 33 anos, necessita de pelo menos seis aplicações de insulinas diárias para conseguir controlar a quantidade de glicose no sangue. Necessários para sua sobrevivência e de alto custo, os insumos são distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em um repasse feito pela Prefeitura - no caso da lantus/glargina - e pelo Governo Federal - no caso da insulina asparte. 

Em abril, ao se dirigir Posto de Saúde Anastácio Magalhães no dia 19 de abril para recolher os medicamentos, foi surpreendida não com um atraso, que, segundo ela, já é "normal" acontecer, mas com a falta do insumo Lantus. “Atrasos são comuns… A gente vai lá na data indicada e aguardar de uma a duas horas para atendimento com a farmacêutica para depois ela dizer que está faltando e a gente ter que voltar lá depois de uns dias pra ver se chegou. Esse mês, nem isso… Não há prazo nem expectativa da chegada”, critica a estudante, que ressalta que chegou a enviar uma ouvidoria para a Central das Farmácias, que não indicou a previsão de chegada.

A situação foi parecida com a da dona de casa Leidiane Moreira. Ao se dirigir ao Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão na última sexta-feira, 23, para recolher a insulina Lantus para seu filho de 14 anos, recebeu a resposta que o Município não havia repassado os medicamentos. “Disseram que estava faltando e talvez essa semana chegasse”, declarou, indicando que seu filho necessita de pelo menos cinco canetas da insulina lantus por mês. 

A Frisson entrou em contato com a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) para pegar um posicionamento e saber como ela pretende ajudar quem não conseguiu receber os medicamentos, e recebeu a seguinte resposta sobre o assunto:

“A SMS também informa que houve um problema logístico pontual no transporte do medicamento glargina, que deve ser entregue pelo fornecedor durante a próxima semana para distribuição na rede municipal de Saúde”.

Segundo a endocrinologista Mayara Madeira, a falta da insulina pode provocar efeitos que põem em risco a vida do paciente, causando um distúrbio chamado cetoacidose diabética, causado pelo alto nível de glicose no sangue. Ainda, a frequência dos altos níveis ainda causam diversas doenças que afetam diversos órgãos do corpo humano. "Temos que lembrar que os níveis de glicose no sangue consistentemente elevados podem levar a doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos, olhos, rins, nervos e dentes. É importante que as pessoas com diabetes recebam conhecimento de qualidade para melhor compreensão do tratamento e priorização de medidas para o controle do diabetes", ressalta a médica. 

Insulinas vencidas

Esse não foi o primeiro problema em relação ao repasse. Em março, Talita recebeu insulinas Asparte fora da validade devido a um problema de logística do Ministério da Saúde. Repassados pelo Município, os medicamentos não foram substituídos e pacientes que necessitam do insumo os receberam ou muito próximos do vencimento ou já vencidos. 

“Isso está rolando processo em outros estados. O Governo Federal fez uma aquisição de insulinas com prazo muito curto e alguns municípios, como o de Fortaleza, falharam nessa entrega, chegando a entregar vencidos. A insulina vencia em março e eu recebi elas no dia 30 de março para o consumo em abril. Eu tomei elas vencidas em abril porque era o que dava”, critica Talita.

Sobre as insulinas vencidas, a SMS indicou que o repasse por parte do Governo Federal tem sido com lotes com curto prazo de validade desde dezembro de 2020 e que o Ministério da Saúde já foi notificado sobre o assunto. Confira a nota: 

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS) esclarece que recebe insulina Asparte do Ministério da Saúde, responsável pela distribuição deste item pelo programa de Alto Custo (Componente Especializado da Assistência Farmacêutica). Desde dezembro de 2020, o Ministério da Saúde tem encaminhado o insumo com data de validade muito próxima ao vencimento, apesar do requerimento do medicamento ser realizado no período correto pelo município para o Ministério. A Secretaria reforça o compromisso de distribuição destes medicamentos com a maior agilidade possível para maior aproveitamento da insulina pelo paciente antes da data de vencimento.

 

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