Larissa Barreto: autenticidade no mundo virtual

Se há uma palavra que define nossa entrevistada, é autenticidade. Na contramão da superficialidade que marca a vida virtual de 99% dos influenciadores digitais, Larissa Barreto destoa. A mesma espontaneidade que exibe em seus vídeos pode ser notada em sua presença física, longe dos holofotes. Formada em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo, ela já foi repórter televisiva, produtora, assessora artística e empresária do ramo de moda, o que a gabaritou para a performance eclética que, agora, prevalece em seu trabalho. "Creio que o mercado no Nordeste como um todo é um pouco defasado, engessado – como é do conhecimento de muitas pessoas da área – e que existe uma expectativa de que em estados do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, as oportunidades são maiores e melhores para ingressar em uma carreira promissora na comunicação. Mas acredito que as coisas vêm mudando com o advento da internet, facilitando e tornando a experiência do exercício da profissão mais real, próxima e fluida, com a independência do vínculo com alguma empresa para 'viver' seu trabalho. O produtor de conteúdo e comunicador agora tem, na internet, um 'holofote' livre para exercer a função", destacou. Confira abaixo:

O que lhe motivou a cursar Jornalismo?

Na verdade, por questão de personalidade, um certo ‘tino natural’ e influência da minha mãe, por pouco, eu não cursei Psicologia. Na inscrição do vestibular, acabei escolhendo o Jornalismo por ouvir a voz do meu pai, que, insistentemente, afirmava que eu iria brilhar na comunicação, área na qual eu também sempre tive facilidade e talento natural. Sempre me foi natural a relação com as pessoas, a curiosidade quanto às informações e notícias do mundo e claro, reportar algo, trazer para a luz assuntos que considero necessários, urgentes e relevantes. 

Qual o maior desafio para atingir o êxito na área?

Creio que o mercado no Nordeste como um todo é um pouco defasado, engessado – como é do conhecimento de muitas pessoas da área – e que existe uma expectativa de que em estados do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro, as oportunidades são maiores e melhores para ingressar em uma carreira promissora na comunicação. Mas acredito que as coisas vêm mudando com o advento da internet, facilitando e tornando a experiência do exercício da profissão mais real, próxima e fluida, com a independência do vínculo com alguma empresa para “viver” seu trabalho. O produtor de conteúdo e comunicador agora tem, na internet, um “holofote” livre para exercer a função. 

Pouco tempo depois de formada, você teve uma experiência empresarial. Como define esse período?

Acredito que somos múltiplos em nossos interesses e áreas de exercício profissional, basta praticarmos o autoconhecimento com coragem e fé. A experiência de empreender me trouxe inúmeros ensinamentos e os aprendizados que hoje não só trago e aplico na vida profissional, mas também na pessoa. Foi um momento de muito estudo também, fiz diversos cursos e tive a oportunidade de me envolver com a moda, área pela qual sou apaixonada e que também me preparou para o que viria a seguir em minha vida, que seria o Marketing.

O que o seu MBA em Marketing Digital e Gestão de Mídias Sociais trouxe de diferencial à sua carreira? 

Acredito que jamais devemos deixar a curiosidade e os estudos de lado em nossa trajetória profissional. É imprescindível permanecer aprendendo como for possível. No caso, desde a minha graduação, eu só fazia cursos aleatórios de outras áreas. Então, entendi que queria focar na área do marketing e internet para prospectar novas possibilidades e aplicar tal conhecimento no dia a dia. Comecei a enxergar as reais mudanças no mundo da internet para comunicadores e jornalistas, e o resultado do que aprendi no MBA foi o início da “Alma Comunique”, agência de assessoria de comunicação que existe há dois anos com minha amiga, parceira e sócia, Maria Almada.

Quais as principais influências de sua mãe, a conceituada psicoterapeuta cearense Eryka Barreto, em sua vida?

Sempre que tenho a oportunidade, dou todos os créditos do que sou de bom à minha mãe. Ter sido criada e “moldada” por uma psicóloga fez toda a diferença em quem eu sou e como vivo as experiências pessoais e profissionais da minha vida. Acredito no poder do conceito de “mindset” (modelo mental) que estruturamos em nosso crescimento psíquico. Ela é, até hoje, como a chamo: oráculo na minha vida, que me proporciona sabedoria, sensatez e firmeza no caminho do autoconhecimento e da evolução constantes. 

Em sua carreira, também é marcante seu momento como assessora de comunicação. À época do show de Xuxa Meneghel em Fortaleza, a apresentadora pontuou publicamente os problemas ocorridos com os contratantes, mas ela destacou o excelente trabalho feito por você e sua equipe na assessoria. Como avalia isso tudo?

Acredito que eventos desse porte são responsabilidade de diversos profissionais em pilares construídos para a execução do sucesso do mesmo e atribuo o êxito do trabalho da assessoria à minha sócia, Maria, que esteve um pouco mais à frente nesse evento em especifico. Infelizmente, por outros motivos, os problemas que ocorreram não estavam ao nosso alcance, mas, como assessoras, tentamos gerir a crise da melhor forma. A boa relação com os profissionais dos veículos com os quais trabalhamos para assessorar a Xuxa na imprensa da Cidade também é algo que atribuo à competência desses profissionais e veículos. 

Muitas influenciadoras são uma personagem nas redes sociais. Na vida real, costumam ser bem diferentes, inclusive para pior. Existe distinção da Larissa Barreto como pessoa física e jurídica?

Acredito que, quando muitas pessoas te dizem uma mesma coisa, é porque aquilo de alguma forma faz sentido ou deve ser “verdade”. Algo que sempre escutei constantemente de quem acompanha meu conteúdo é: autenticidade, sinceridade e propósito. Eu comunico porque faz parte de quem sou pessoalmente e, consequentemente, profissionalmente. É algo que vai além do que almejo, é o entendimento e a aceitação do real propósito de vida. Acredito em mudanças positivas para uma sociedade menos hipócrita, que discuta assuntos urgentes através de pessoas com influência para promover, de forma digna e eficaz, uma conexão de interesses realmente válidos para todos. 

Aliás, qual o maior erro que você destacaria sobre o trabalho de influenciadores digitais aqui no Ceará?

Acredito que não somente no Ceará, mas, como em uma visão global, não seria o erro dos próprios influencers e, sim, um reflexo de nossa sociedade como um todo em “supervalorizar”, superestimar alguns profissionais, dar “atenção, audiência e dinheiro” para quem, muitas vezes, não condiz com o que se mostra ou oferece. Influencers, assim como artistas famosos, podem ser profissionais ou apenas celebridades. Você pode ter talento ou apenas enganar seu público por um tempo. Acho que, na verdade, a mudança que tem que acontecer é nas pessoas como um todo. Priorizar e dedicar sua audiência para quem realmente merece e oferece conteúdo de valor, mesmo sabendo do quanto isso é relativo mediante as diferenças de tribos que formam nossa sociedade por questões sociais, econômicas, estruturais e de gostos. Mas acredito que temos espaço para todos brilharem, cada um “no seu quadrado”, com o que tem a ser e oferecer. 

Qual seu maior sonho profissional?

Entrevistar pessoas que considero ícones do mundo, de diferentes vertentes. Comunicar e ter “minha tribo de seguidores”, abrangente, natural e que possamos sempre crescer e aprender juntos. 

Seus seguidores foram surpreendidos com a notícia do seu estado civil atual. Como é voltar a ser solteira?

Mais uma vez, a forma na qual enxergo a vida e seus acontecimentos (graças à tendência filosófica de racionalizar tudo e conseguir controlar o emocional que minha mãe me auxiliou durante a vida) me fez mostrar que tudo são momentos, ciclos. Tento sempre viabilizar o lado positivo e negativo de tudo e, claro, os aprendizados que o que estou vivendo devem me trazer para me proporcionar crescimento, evolução e sabedoria. Mas, de maneira geral, estar solteira é estar mais concentrada em si, com o foco da sua energia e tempo voltado para os próprios interesses, e isto, de certa forma, é libertador. 

Corpo são e mente sã. Qual o segredo para manter o equilíbrio?

O entendimento, que vem da coragem de se autoconhecer mediante terapia, estudo, expansão da mente e espírito. A prática de exercícios físicos não somente por fatores estéticos, mas também de saúde para ter um momento consigo, como uma forma de autocuidado e amor próprio. Sou uma pessoa ansiosa e tenho buscado entender cada vez mais a origem e as formas de driblar isso em uma rotina agitada que levo, para buscar o balanço “perfeito” entre mente, corpo e espírito. 

O que tira Larissa Barreto do sério?

Sou uma pessoa que luta para ser mais paciente e tolerante. Mas me tira do sério ver pessoas que fogem de uma inconsciência quanto aos próprios defeitos que impactam na vida do outro. E também que são egoístas e não buscam enxergar as relações como conexões de ajuda e influência positiva. Falta de empatia, arrogância. Isso me tira do sério. 

E o que faz Larissa Barreto sair da dieta?

Quando estou emocionalmente abalada, procuro comidas que me trazem sensação de conforto, como se fosse um abraço no meu coração. Existem algumas específicas para essas ocasiões, inclusive, como doces, fast food etc (risos). São delícias que me remetem à infância, à comida da minha mãe. 

Como tem sido a quarentena para você?

De altos e baixos, mas, acima de tudo, de chances e oportunidades diversas. Reconheço meu lugar de privilegiada com a condição financeira que minha família me proporciona com o conforto que vivo na casa dos meus pais. Por isso, me vi na obrigação de viver essa quarentena da forma mais “proveitosa” e saudável, minimamente para honrar e respeitar quem não tem a oportunidade de viver uma quarentena em casa. Foram diversos processos internos de mudanças que provocaram tristezas e alegrias, mas, acima de tudo, crescimento e despertar para uma consciência mais madura. 

Quais reflexões você tem feito nesse período de isolamento social?

A forma como enxergamos o mundo externo é a mesma que enxergamos e vivemos o mundo interno, nossa mente, quem somos. No caso, foram inúmeras reflexões sobre o comportamento do outro e do meu diante da possibilidade da morte não só de si, mas de quem amamos. A dificuldade que todos temos de sair de nossa zona de conforto, nos lançarmos diante de desafios maiores e ir navegar por mares desconhecidos foi uma delas. 

Como avalia a forma como o Brasil tem enfrentado a pandemia?

Acredito que, infelizmente, estamos a léguas de viver uma estrutura política ideal em nosso País, com pessoas realmente preparadas para ocupar cargos que exigem ética, valores e moral. Mas não vou criticar quem está no topo da pirâmide quando acredito que quem está lá é apenas uma representação da base maior e firme do chão. Acredito que a mudança de um país vem da mudança interna de cada pessoa que o forma, no caso, a população de cada cidade e estado, dentro de suas casas, consigo e com sua família.

O que acha que mais modificará nosso modo de viver quando a pandemia acabar?

Se a pandemia acabar, acredito que algumas pessoas rapidamente voltarão a ser o que eram, pois a memória da consciência coletiva parece ser curta, ainda mais quando se trata de mudar atitudes necessárias para uma evolução, todos fogem de si mesmos. Mas, sendo otimista, pode ser que a forma de encarar o contato, as relações, a convivência com quem amamos pode ser mais valorizada.

Quais as principais mudanças que acredita que a pandemia trará para a evolução humana?

A necessidade de olhar para fora, para o outro e exercer melhor o papel de cidadão, de indivíduo que forma uma comunidade. Menos egoísmo, mais coragem para olhar para dentro e se encarar, para encarar o outro com mais amor, empatia e bondade.

Do que mais sentiu (sente) falta neste momento?

Trabalhei bastante a minha resiliência em aceitar esse novo modelo comportamental e, na verdade, não ando “sofrendo de saudade” como vejo a maioria das pessoas dizendo sofrer. Mas assumo que idas à praia e viagens para lugares que amo são algo que desejo realizar, profissionalmente e pessoalmente. E posso dizer também que sinto saudades de conhecer pessoas novas de forma orgânica, sem ser virtualmente.

Como tem utilizado as redes sociais durante o isolamento?

Compreendi que o momento era, mais do que nunca, de interagir e ajudar. Produzi conteúdo e promovi lives no Instagram para buscar trazer alívio e interação com pessoas que estavam vivendo aquele momento de forma diferente de mim, diante da individualidade e dificuldades particulares de cada um.

Qual sua avaliação sobre influenciadores digitais que fizeram festas com aglomeração na quarentena?

Algumas pessoas preferem ignorar os fatos e os perigos que correm por medo de encarar as duras verdades que isso representa na vida delas. A inconsciência e ignorância andam de mãos dadas com o egoísmo de praticar atos que colocam a vida do outro em perigo.

De que forma tem sido sua rotina?

Tenho tido dificuldades em regular meu sono, mas venho seguido uma rotina diária de exercícios, que, inclusive, me fez perder alguns quilos durante a quarentena, atrelado a uma nova rotina de consciência alimentar mais saudável. Trabalho home office todos os dias, inclusive nos finais de semana. Tal hora, o trabalho se confunde com vida pessoal e vice-versa, mas separo momentos de recolhimento para assistir a filmes, séries e documentários para relaxar a mente.

Como tem cuidado do corpo e da mente?

Exercícios de respiração, alongamentos, corridas com meu cachorro, manter o ambiente que mais frequento limpo e organizado, comer de forma mais leve, consciente e saudável. Escutar música diariamente ajuda a manter uma vibração energética no ambiente externo (que reverbera no nosso ambiente interno), que equilibra, traz paz, alegria e uma fluidez na minha vida.

Onde tem encontrado força e ânimo para driblar esse período delicado da humanidade?

Na minha busca interna, na relação comigo mesma, com minha família e amigos. Me considero uma pessoa privilegiada e abençoada por ter uma rede de apoio e amor maravilhosa, ampla, bem-intencionada. Sou otimista e busco ser positiva por natureza e sei que as condições que me encontro me proporcionam essa facilidade. Busco honrá-las sendo o melhor que posso para mim e para o outro. Mas algo também mudou em mim nesse aspecto: ando mais introspectiva, vivendo a solitude de forma mais frequente. E descobri que posso ser minha melhor amiga. 

De que forma isso impactou suas atividades profissionais?

Ingressei em uma nova função durante a quarentena quando recebi o convite para ser editora de conteúdo e ter um espaço como colunista de entretenimento. Tenho trabalhado bastante e me sentido realizada com que vivo diariamente. 

De que maneira tem trabalhado nessa quarentena?

Via celular e notebook, em comunicação com diversas pessoas na atividade de produção de conteúdo, execução de lives e afins. 

O nosso País tem sido muito criticado internacionalmente pela maneira como enfrenta a pandemia. Como avalia isso tudo?

A forma que somos vistos por outros países é apenas mais uma ótica a ser analisada. Pontos de vistas diferentes sempre existirão, e acho importante considerarmos sempre a fonte de cada crítica, opinião ou elogio que recebemos. Mas volto a afirmar que a mudança deve vir de cada um de nós, pois nosso País e o mundo são formados por pessoas na base da pirâmide social, que consequentemente, põem no topo quem deve nos governar. Acredito no poder do conhecimento pela educação para uma busca de maior consciência social, que se inicia no individual. 

De que forma define a importância da fé, da arte e da cultura para a vida humana nessa quarentena?

De extrema importância. “A arte existe porque a vida não basta”, já dizia o poeta. A essência de tudo que somos vem do questionamento de onde viemos e para onde iremos, e acredito que a fé é o pilar da nossa existência. A arte a cultura são as formas que encontramos de expressar tais ânsias, paixões, desejos... o que nos move e alimenta a alma. E a raiz desse pilar é a curiosidade de ir além do que se vê ou do que se é imposto pela sociedade. 

E o que espera da vida pessoal, profissional e social quando tudo isso passar?

Espero reverberar conhecimento, amor, alegria, consciência e mudanças positivas por meio de atitudes e ações em meu exercício diário tanto no âmbito pessoal e profissional. Acredito que a vida é apenas uma passagem do corpo físico numa jornada espiritual, e que devemos fazer valer cada minuto que vivemos da melhor forma para honra a graça e o milagre que é estar vivo, sendo gratos acima de tudo.

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