Nascido em lar onde a arte e a cultura sempre deram o tom, o entrevistado da semana da coluna Frisson reflete a ascensão da nova geração, que, contrariando uma possível tendência superficial de ser e viver, foca na sensibilidade, no aspecto macro e na humanidade como experiência de amor e afeto. Fernando Victor Laprovítera recebeu esta coluna para uma franca conversa sobre a carreira, a influência artística e a vida pessoal. Fino, elegante e sincero, além de belo, ele mostra a seguir toda sua inteligência e versatilidade. Esbalde-se:
Sua vida pode ser contextualizada em dois universos: o Direito e as Artes. O quê e como as duas agregam ao seu jeito de pensar e ver a vida?
Costumo dizer que tenho a sorte de vivenciar dois mundos que me geram tantas paixões. Se por um lado a racionalidade me é essencial enquanto operador do Direito, tenho a oportunidade de viver uma leveza dos sentidos no mundo das artes. Acho que, cada um com suas peculiaridades, acabam por refletir minha formação pessoal.
De que forma analisa o cenário jurídico do Ceará?
Temos historicamente um cenário muito interessante, com diversos exemplos de capacidades intelectuais de notoriedade no cenário brasileiro. Tive e tenho a honra de trabalhar com exemplos de competência e honradez.
Quais os principais obstáculos que você superou e quais as principais lições adquiridas ao longo da vida profissional?
A vida sempre me foi muito generosa, com família e amigos, principalmente. Acredito que os obstáculos foram similares aos de qualquer jovem que inicia uma nova carreira. Com relação à lição, desde muito cedo, aprendi que em qualquer trabalho, a confiança é essencial. Tenho sempre a seriedade como um norte em minhas escolhas.
Você é filho de artista. Veio daí o encanto e interesse pelas artes ou foi algo genuíno?
Sendo filho de artista, não posso menosprezar o impacto que teve em meu gosto pelas artes. Não que tenha sido algo imposto, mas a naturalidade de desde muito cedo conviver num mundo de exposições, museus e mesmo de artistas amigos frequentando a casa de meus pais, acaba por ser uma grande influência.
Dá para imaginar. E de que forma analisa as produções culturais cearenses?
Assim como noto no Direito, nas artes, também temos a felicidade de poder ter na nossa terra grandes talentos. Atualmente, vivemos uma safra bem interessante, na qual aposto muito que alguns artistas conquistarão grande destaque!
Qual a expressão cultural que mais te fascina?
É difícil fazer um filtro muito específico. Tenho pouquíssimas restrições e sempre tento me oportunizar e entender o que cada artista quer transmitir. De uma forma mais ampla, gosto de dizer que gosto de arte com espírito. Ou seja, aquela que expressa uma linguagem própria do artista, com suas influências e originalidades.
Bacana! Olhando de longe, você está por trás de grandes artistas e galeristas, sempre dando notável suporte para o talento deles chegar ao público. Fernando, você pensa em inverter a ordem e assumir o protagonismo na criação artística em algum momento?
Acredito que o meu maior talento é justamente o de conseguir criar elos entre artistas, público e galeristas, onde tenho conseguido resultados bem interessantes. Admiro muito os que conseguem ter uma produção artística constante, o que não consigo ver em mim.
Quais artistas que você mais admira e respeita?
Tenho alguns artistas que sempre gosto de conversar e me aconselhar. Inicialmente, de forma natural, meu pai, Totonho Laprovitera, com quem nutro uma grande amizade. Também gosto sempre de ouvir artistas com quem trabalho de forma mais próxima, pela admiração e amizade, a exemplo do Zé Tarcísio, que é um artista fantástico e de uma vivência incrível e do Cadeh Juaçaba, que tenho como uma das grandes apostas do nosso cenário nacional.
Qual seu estilo musical preferido e quais os cantores que costumam dominar sua playlist?
Minha playlist, na maior parte do tempo, varia entre MPB, Fagner, Zé Ramalho, Zeca Baleiro, para citar alguns; rock , Paralamas, Beatles, Pink Floyd; e com alguns momentos de eletrônica. Tenho também um gosto especial por pesquisar novas bandas.
Como se deu o processo de execução do Clube do Colecionador?
O Clube surgiu de uma ideia do Aldonso Palácio, que é meu sócio nesse projeto. Nós, a partir de modelos já bastante bem sucedidos, o modelamos para um contexto inicialmente mais adequado ao nosso mercado. A primeira edição do Clube é formada por nomes que foram cuidadosamente escolhidos, de maneira a representar diversos momentos de artistas atuantes no Ceará. É uma forma de apresentá-los a um público que se interessa em começar ou agregar coleções.
Sob sua ótica, qual a importância da Contemporarte para os cearenses?
O Aldonso e o Mário têm um trabalho muito interessante com a Contemporarte, oportunizando grandes talentos da terra a exporem suas produções. Creio que a Contemporarte já está deixando sua marca no cenário artístico do Ceará. Eu, com a Artequattro, espero contribuir com esse trabalho tão interessante!

De que maneira administra o tempo entre trabalho, galeria, família e lazer?
De uma forma bem harmônica! Como tenho um gosto muito grande por cada um desses, é meio que impossível me afastar por completo de qualquer um deles, embora, por vezes, seja natural que um momento nos leve a ser de mais atenção a algum em especial.
Como cuida da saúde? É um homem vaidoso?
Tenho minhas vaidades naturais, mas procuro me cuidar de forma que tenha uma vida leve. Tenho uma rotina de exercícios e de esportes que funcionam tão bem para o corpo como para a mente.
Quando tem um tempo livre, o que gosta de fazer?
Sempre gosto de ter algum tempo livre para aproveitar minha namorada, minha família e amigos e mesmo minha individualidade. Sempre que posso gosto de viajar, oportunidades essas nas quais costumo ter um pouco disso tudo!
Sobre o momento delicado sobre o qual passa o País, como analisa a situação nacional no ramo econômico e político?
Eu acredito que o problema está essencialmente no modelo como as formas são conduzidas. Acredito ser bem delicado ter, nas condições atuais, um nome para ser um salvador. Ao meu ver, tudo passa por uma questão cultural e a resolução está na vontade da coletividade.
Por fim, queremos saber: pode nos adiantar os projetos para o próximo ano?!
Próximo ano, quero ter como foco as próximas edições do Clube do Colecionador, bem como dar continuidade ao trabalho de apresentar artistas que trabalho ao mercado do sul do País e trazer para nosso público alguns nomes que estão acontecendo no cenário de lá. Acredito que tem tudo para ser mais um ano bem interessante nas artes.