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ENTREVISTA

Simone Moura: criação e inspiração

Empresária, publicitária e cantora

02 de mai. de 2014 - 08:03

A publicitária e empresária Simone Moura tem na propaganda e na música duas de suas paixões, pelo menos no lado profissional. Nascida no Rio de Janeiro e há 22 anos atuando no mercado com notoriedade e grandes projetos, 11 deles aqui em Fortaleza, Simone atualmente vem se destacando ainda mais à frente da empresa Bando de Criação.

Então, o que não falta é assunto! E em entrevista para a coluna Frisson, que pode ser conferida logo em seguida, isso fica muito claro. A publicitária abre o jogo sobre o que pensa, como age, o que faz e o que quer fazer ainda. Sua próxima realização: uma turnê do novo CD “No Tempo Certo”, a partir do final do mês de março. Ela não para!

Quer saber seu segredinho básico para tanto sucesso na carreira e na vida? “Quando desempenhamos as nossas atividades com foco e profissionalismo acredito que as coisas acontecem. Minha carreira tem sido pautada no estudo e no desafio em fazer bem feito. Mas acima de tudo, eu respeito as pessoas com quem trabalho”.

Como surgiu o interesse pela Publicidade?
O interesse pela publicidade e o marketing surgiu na adolescência quando fui morar nos Estados Unidos e me deparei com a Times Square em Nova Iorque. Fiquei sem fôlego. Lembro-me de ter ficado uma noite inteira sentada naquela avenida apreciando os letreiros luminosos que saltavam os olhos e pensei: caramba deve ser muito legal saber desenvolver essas estratégias. Quando voltei para o Brasil, eu estudava música, mas decidi fazer vestibular para comunicação Social também. Optei pelo curso de Relações Públicas porque achei mais completo e me dava uma visão sistêmica das organizações. Em pouco tempo fui selecionada para trabalhar em uma multinacional Suíça para a área de comunicação e pesquisa e passei a ter contato com grandes agências de publicidade no Rio de Janeiro. Fui observando e entendendo as áreas e tarefas de uma agência, mas sinceramente, não achei que um dia iria fazer parte de uma. Eu conhecia apenas o “lado do cliente”. Depois que terminei meu estágio, ainda passei por mais duas multinacionais de segmentos distintos e fui trabalhar em empresas de entretenimento e no mercado fonográfico.

Qual o primeiro trabalho executado como publicitária? Foi para qual cliente? Quais as dificuldades enfrentadas e superadas?
Como eu já mencionei, boa parte de minha carreira eu fui cliente de agência, então eu dava as ordens! (kkkk). Já morando em Fortaleza eu trabalhava em uma empresa do segmento de GLP (gás doméstico) e fui convidada para ingressar em uma agência local. Foi a minha primeira experiência e lá fiquei por quase 08 anos respondendo pela áreas de mídia e planejamento. Eu considero o trabalho que desenvolvi para a marca Esmaltec Eletrodomésticos como o meu maior desafio e um divisor de águas na minha carreira, pois foi através desse trabalho que mergulhei na tarefa de planejar e aprendi muito. Tive a felicidade de ter na época uma grande equipe que acreditou que o empenho e o estudo seriam determinantes para o sucesso daquele job e a agência realmente fez um trabalho brilhante.

Como desenvolve atualmente seu trabalho? Quais as áreas onde mais executa suas funções?
Desde 2011 eu tenho uma empresa de planejamento e estratégia em comunicação que tem como core business a prestação de serviços para pequenas e médias empresas. Eu também sou responsável pela área de planejamento e inteligência de mercado da agência Bando de Criação, trabalhando com pesquisa, o foco tem sido a formação e gestão de marcas bem como estratégias para o canal de trade. O trabalho tem sido desafiador, mas temos conseguido desenvolver grandes Jobs como por exemplo para a empresa Magis Incorporações.

De que maneira analisa o atual mercado publicitário cearense? Há alguma disparidade em relação ao âmbito nacional? O mercado da publicidade Cearense é bastante criativo e tem gente boa trabalhando e “suando a camisa”, mas no meu ponto de vista algumas agências perderam o foco nos últimos anos por dois motivos:
Achou que seria possível abraçar todas as áreas da comunicação do cliente e com isso perdeu em qualidade e em velocidade de atendimento;
Não investiu em ferramentas de pesquisa e na qualificação de sua equipe (jovem em sua maioria) e com isso não foi capaz de entender o momento mercadológico do cliente. Acho até que alguns players Cearenses migraram suas contas para o mercado de São Paulo, pois sentiram essa fragilidade.
Acho que está aí a maior disparidade das agências que estão em São Paulo com as que estão em Fortaleza. Quando o processo de seleção, a capacitação profissional e o investimento em pesquisa forem levados mais a sério haverá um ponto maior de equilíbrio.

Quais são seus principais desafios e suas motivações profissionais?
O que me motiva é produzir com qualidade. Não gosto de discursos bonitos, frases de efeito e coisas mal feitas ou pela metade. Sou muito prática e objetiva. Eu me envolvo em um trabalho e só termino quando o vejo pronto e aplicado. Por isso, algumas pessoas devem me achar insuportável. (kkkk), mas é assim que trabalho.
Sou apaixonada por estudar, pesquisar, entender os movimentos do mercado e suas tendências, respeitando e entendendo o tamanho da capacidade de cada cliente para absorver as propostas que entendo ser importantes para o negócio dele.

Qual sua grande meta como publicitária para os próximos 10 anos?
Já não sou mais criança. Tenho 43 anos de idade, 22 anos de carreira, 11 atuando em Fortaleza e não tenho grandes metas. Minha meta é sempre aquela que poderá ser possível de acontecer. Acredito muito em ciclos. A gente termina um e começa o outro. Hoje eu posso olhar para trás e me orgulhar do trabalho que tem sido feito. Das pessoas incríveis que tive o prazer de trabalhar, ensinar e aprender. Formei pessoas que hoje estão conduzindo empresas e se dando bem na vida. Isso me faz ser feliz. Daqui a 10 anos espero poder olhar para atrás novamente e ver mais gente, mais empresas e mais estratégias vitoriosas e ter sido de alguma forma responsável por isso.

Diante da crise econômica pela qual passou o País em 2013, qual sua avaliação sobre esse contexto no mercado publicitário nacional?
Acho que a crise ainda vai chegar e 2014 não será um ano fácil para ninguém. È aquela história, sem planejamento estratégico, não há sustentabilidade em nada. Não teremos mais condições de consumir como na última década, mais da metade das famílias Brasileiras estão endividadas, os juros subindo e a inflação em alta. O cenário econômico e o contexto do país tanto do ponto de vista do mercado interno quanto do externo vão mudar bastante. Por tudo isso, acredito que a decisão de compra deverá ser mais consciente e não tão eufórica como na última década. O peso da marca, seu posicionamento e suas atitudes vão valer muito. Os atributos funcionais, aqueles que mostram os benefícios reais (desde que verdadeiros) das marcas e de seus produtos vão ser mais importantes do que o apelo emocional. Sendo assim, o mercado publicitário vai ter que acompanhar esse comportamento de consumo das classes (sobretudo das emergentes), porque aos poucos, esses consumidores ficarão mais seletivos e entenderão mais o valor do seu dinheiro. Esse processo só está começando, mas vai acontecer.

Até que ponto a rapidez dos avanços tecnológicos tem auxiliado e atrapalhado o andamento das atividades publicitárias?
A tecnologia ao meu ver contribui de maneira positiva pelo menos em minha área de atuação que é a mídia e planejamento. Não enxergo mais a possibilidade de criar um plano de mídia somente com uma calculadora e um programa de excel. Precisamos de sistemas, de ferramentas auditadas para dar velocidade aos processos, aos planejamentos, além de fornecer dados seguros aos clientes. Por um outro lado, acho que perdemos a vontade de discutir mais, de tentar encontrar ideias e sugestões ouvindo mais as pessoas. Às vezes tudo se resume a um e-mail, a um briefing padrão, a uma teleconferência. Ficou meio impessoal e todos perdem em qualidade.

Como administra sua agenda entre trabalho e família?
Aprendi a administrar minha agenda de trabalho, vida pessoal e familiar há 3 anos atrás. Foi difícil porque eu me cobrava demais e deixava que as pessoas e os clientes me cobrassem de maneira desenfreada. Eu achava que eu tinha que fazer o que os outros não conseguiam entregar. Então para não decepcionar o cliente eu trabalhava de madrugada, nos finais de semana e feriados. Aí descobri que isso não iria me levar a lugar nenhum a não ser para as emergências de hospitais (local que visitei inclusive diversas vezes). Aprendi a administrar a minha ansiedade e a me dar mais valor e coloquei limites para minha vida. A Yoga e a rotina diária de exercícios na academia com um personal trainer me ajudaram bastante. Hoje eu delego mais e não me permito ficar sem tomar café da manhã e sem almoçar. Não abro mão de viajar duas vezes por ano. E ficar com a minha família e meus amigos é condição vital para eu trabalhar melhor.

Se você pudesse mudar algo na sua cidade e no seu país, o que seria?
Tenho um amor e respeito imenso por Fortaleza e pela maioria das pessoas que são daqui. Mas a cidade está abandonada e insegura demais. Eu sei que a falta de segurança, de infra -estrutura, de mobilidade, etc é um problema nacional, mas como vivo aqui é natural que eu queira ver essa cidade melhor. Mais cuidada, bonita e menos violenta. Acho que falta vontade política, mas falta também mais zelo da própria população. Se eu pudesse mudar alguma coisa, optaria por investir em modelos de gestão pública que de fato saíssem do discurso e fossem aplicados com mais eficácia e eficiência.
Agora em termos de Brasil é muito complexo. O que acho é que temos uma nova chance nas próximas eleições e não é mais uma questão de votar certo ou errado. Nós Brasileiros já fizemos esse exercício muitas vezes. Agora é uma questão de olhar para o futuro e entender quem queremos ser e aonde queremos estar. E para isso, temos que crescer e nos tornar produtivos. Não adianta abrir o consumo e continuarmos na pobreza, não adianta poder parcelar um celular caro e ter mais da metade do país sem saneamento básico. Não adianta dar bolsa família e não crescermos em educação e/ou avançarmos em infra- estrutura. Eu entendo que o governo atual tem uma dificuldade enorme para fazer isso e entregar resultados positivos.

Se você tivesse que escolher um cliente para fazer uma nova campanha, qual cliente escolheria?
Não vou citar do cliente para que a concorrência não me escute (kkkk), mas considerando o mercado, o momento atual do país, o comportamento de consumo e as exigências e necessidades do novo consumidor, eu adoraria contribuir para uma rede varejista local que já acompanho há tempos, e entendo que seria pertinente um reposicionamento de marca para se diferenciar e criar alguns vínculos com seu público alvo.

Saindo do lugar de publicitário e indo ao de espectadora, qual sua avaliação sobre as campanhas elaboradas especialmente aqui em Fortaleza? Quais êxitos, falhas e pontos a serem melhorados?
Acho que existe de maneira geral muita criatividade, mas ainda falta um melhor entendimento do comportamento de consumo para que exista mais assertividade entre a mensagem veiculada e o público que se quer atingir. Já evoluimos muito e hoje as discussões são mais pautadas em pesquisa, mas sempre existe espaço para melhorar e para mudar.

Qual a dica que você dá a quem deseja seguir a carreira de publicitário?
Só ingresse na profissão se for realmente seu desejo e sua vocação. Existe muito pouco glamour e menos prêmios ainda. Esteja preparado para estudar muito e para se reinventar a cada trabalho. Não se canse de tentar, de experimentar, de ir buscar inspiração nas pessoas e onde elas estão inseridas. Não copie a concorrência porque acha legal. Reformule uma ideia que seja interessante e faça dela algo inovador, bem melhor. Você pode ser o mais talentoso, mas de nada vai adiantar o seu talento se você não for ver o que acontece no mercado. A maior criação e a boa ideia geralmente não moram dentro da agência.

Regulamentação publicitária: há, hoje, algum excesso legal que limita a liberdade de criação e expressão?
Para os segmentos que eu atendo não vejo excesso legal que limite a criatividade. Pessoalmente, até concordo com alguns como a determinação dos horários para anunciar bebidas alcoólicas.
O que pode dizer sobre as mudanças que a web tem proporcionado à publicidade?
A web é uma aliada da publicidade. Em vários aspectos – tanto para a pesquisa quanto para a convergência de meios de mídia que possibilitam ao anunciante maior alcance da mensagem. Mas essas ferramentas surgiram em uma velocidade incrível e ninguém estava preparado para ela. De repente fomos “atacados” por aplicativos, redes sociais etc e começamos a migrar investimentos, a pensar que todas as outras mídias acabariam. Enfim, o começo de tudo isso foi meio atropelado. Hoje vejo um equilíbrio maior, mas no mercado local ainda há um longo caminho a percorrer. Quem tem ferramentas de mensuração e sabe utilizá-las e entende que estratégia de web é bem diferente de anunciar um banner na internet ou mas redes sociais vai conseguir resultados maravilhosos, mas utilizar esse meio para seguir somente tendências ou tentar copiar a concorrência é algo perigoso.

Quais são as principais atividades que podem ser exercidas por um publicitário?
A profissão de publicitário mudou muito assim como o mundo inteiro tem mudado. Aquele formato padrão que dividia a agência entre atendimento de contas, mídia, produção, criação, etc cada vez mais não supre as necessidades de uma agência. Os clientes estão demandando mais, exigindo mais e dividindo responsabilidades. Por isso, não me canso de repetir, o publicitário precisa ser antes de tudo “um cara” de mercado.

Dizem que nós somos aquilo que lemos, assistimos, ouvimos, enfim, vivemos. Sendo assim, o que você indica que os novos profissionais leiam, assistam, ouçam e vivam para desenvolver a cultura tão necessária aos publicitários?
Eu escuto, assisto e leio muitas coisas. Sou apaixonada por gente. Por isso não tenho preconceito algum em pesquisar universos diferentes de consumo e como essas pessoas se comportam. Só assim, iremos entendê-las e identificar para os nossos clientes o que esses consumidores precisam e como podemos atendê-los. Quando viajo por exemplo, tiro de 2 a 4 dias para pesquisar. Vou a feiras livres, a museus, a teatros, lojas, supermercados, bairros diferentes, converso com todo mundo e pergunto sobre os costumes, as preferências, os locais mais frequentados... enfim, tudo para mim é material de pesquisa. Mas é claro que existem alguns “doutores” que eu acho que todo mundo tem quer ler como Philip Kotler, Michael Porter, Kevin Keller, Paco Underhill, além de revistas e publicações auditadas Brasileiras e internacionais. Gosto muito do trabalho desenvolvido por um escritor chamado Simon Sinek. E para mim ir a seminários e congressos que acontecem no Brasil e no exterior também é uma maneira inteligente de se reciclar. Para o publicitário eu acho que o Meio & Mensagem cumpre um grande papel de informação.

Qual o segredo do sucesso em Publicidade?
O sucesso está no amor em fazer, na persistência de estudar e na disposição em aprender sempre.

O que você acha dos cursos de comunicação e propaganda oferecidos no Brasil? Quais são os prós e contras?
Os cursos não preparam os alunos. E isso não está acontecendo somente no curso de Comunicação e Publicidade. De maneira geral, as universidades e faculdades do Brasil (sejam públicas ou particulares), transmitem seus conteúdos de maneira superficial. Para aprender é necessário um esforço maior de cada aluno e uma dedicação em querer se aperfeiçoar todo dia.

Seu nome é conhecido e consagrado no meio publicitário. Arriscamos dizer que é quase uma unanimidade. A quê atribui tanto sucesso e credibilidade?
Quando desempenhamos as nossas atividades com foco e profissionalismo acredito que as coisas acontecem. Minha carreira tem sido pautada no estudo e no desafio em fazer bem feito. Mas acima de tudo, eu respeito as pessoas com quem trabalho, com quem me atende e valorizo demais a contribuição das equipes. Infelizmente, na publicidade tem muita gente arrogante e eu não faço parte desse time. Se hoje sou reconhecida pelo meu trabalho é porque eu me esforcei muito e tive a felicidade de ter grandes profissionais ao meu lado. A gente colhe realmente o que a gente planta.

Recentemente, você lançou seu primeiro CD, com nove canções de autoria própria. Como surgiu esse lado artístico?
A música sempre fez parte de minha vida. Comecei a estudar música com 10 anos de idade é e a minha grande paixão. Tive influência de meu pai que tocava gaita e na minha casa a gente ouvida boa música.

Tem pretensão de seguir carreira musical paralelamente à de publicitária?
Eu vivi profissionalmente da música por 12 anos no Rio de Janeiro. Eu me apresentei em festivais, formei banda e na verdade a comunicação social era a minha segunda profissão. Nunca desisti do sonho da música acontecer em minha vida, mas eu fui trilhando outros caminhos e a necessidade de trabalhar e ganhar a vida foi me afastando da música. Mas eu sempre vivi as duas profissões e cada uma delas tem espaço em minha vida.

E o DVD, pretende gravar?!
Um DVD? Seria ótimo. Mas por enquanto o foco tem sido os ensaios com uma banda incrível. Vamos colocar o pé na estrada a partir do final de Março em um projeto que além de lançar ao vivo o CD “No Tempo Certo”, vai ser recheado de muito jazz e pop rock.

Qual seu estilo musical preferido?
Gosto muito de jazz, MPB e rock inglês.

Quais os artistas que mais admira?
Billy Holiday, Cole Poter, Frank Sinatra, Diana Krall, Carly Simon, Joss Stone, Beatles, Sting, Coldplay, Madonna, U2, Tom Jobim e Nana Caymmi.

Bate-volta-rapidinho!
Um sonho... Esse sonho eu já realizei. Gravei meu CD de uma forma super profissional e refinada com grandes produtores e crítica favorável. Agora é partir para o segundo. (kkkk)
Um defeito... Sou teimosa. Quando coloco uma coisa na minha cabeça, vou até o fim e deixo todo mundo louco. (kkkk)
Uma ambição... Sinceramente, eu não tenho ambição. Tenho sonhos, tenho vontades. Acho a minha vida fantástica e sou muito grata a Deus por tudo.
Lugar para viajar... Eu amo viajar! Toscana na Itália (para experimentar os aromas e se perder no amarelo dos girassóis), Nova Iorque (para se reciclar), Londres (para ficar antenada e pesquisar tendências), Visconde de Mauá, no Rio de Janeiro (para sentar no alto da montanha e escutar as águas das cachoeiras) e o Rio de Janeiro (para ver o pôr do sol e correr na Lagoa).
Uma qualidade... ajudar as pessoas.
Viver é... ter foco, força e fé . Saber apreciar as coisas simples e valorizar quem valoriza você.

Clique e confira mais entrevistas nessa coluna!

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