Cláudio Silveira: moda nas veias, cabeça e na vida
Dono da marca Dragão Fashion Brasil, fundada em 1999
O Dragão Fashion Brasil chega a sua 15ª edição esse ano e é um evento consagrado no calendário fashion do Ceará. E falar no DFB é falar em seu idealizador e organizador, o produtor Cláudio Silveira, que tem moda correndo em suas veias desde bem pequeno. Daí então, essa determinação e empenho em trazer para o Ceará um evento de moda com notoriedade nacional.
E com a proximidade do Dragão, que acontece do dia 23 a 27 de abril, nada melhor do que saber como tudo começou e todas as conquistas alcançadas em 15 anos de história.
Além disso, Cláudio também nos conta sobre sua rotina, estilo de vida, lado família, preferências e sonhos em uma conversa descontraída e reveladora.
Antes de tudo, conta pra gente como surgiu seu interesse pelo mundo da moda?!
Desde os 10 anos de idade. Passei a me vestir sozinho e a comprar minhas próprias roupas.
Algum profissional ou alguma personalidade contribuiu para que você se encantasse por esse universo?! Se sim, como?!
Não. Acho que o interesse surgiu naturalmente.
Atualmente, como é sua rotina semanal?
Trabalho de segunda a sexta, full time, na minha produtora e realizadora de eventos. Também coordeno, junto à minha família, as outras empresas de locação.

Qual sua análise crítica e reflexiva sobre a moda feita atualmente no Ceará? Você está satisfeito como profissional da área? E como consumidor, aprova o que está no mercado?
Estamos melhorando a cada ano. Estou vendo, cada vez mais, a inclusão de novos profissionais. Temos muito pela frente, mas o nordestino é guerreiro. Quanto ao que vemos no mercado, não tenho muito a dizer, pois compro pouco no Brasil e, quando compro, sempre encontro produtos com qualidade. É só garimpar.
Quais os cinco nomes que você elegeria como os que melhor representam a moda cearense contemporânea?
São muitos os que representam a moda contemporânea do nosso Estado. Os que mais se destacam, hoje, são: Lindebergue Fernandes e Mark Greiner, ambos destaques do Dragão Fashion Brasil. Também existem criadores bastante jovens, mas que já exercitam a porção "empresário", com lojas e ateliês próprios. São exemplares da novíssima geração de designers cearenses - nascida em um ambiente pleno de tecnologia, informação e excelência. É um momento promissor para a moda do Ceará.
Como avalia a moda local comparando-a com a produzida no restante do País?
De igual para igual. Hoje em dia com a globalização e a informação acessíveis a todos, ficou mais fácil para os estados brasileiros acompanharem, em tempo real, as novidades das grandes metrópoles que, antes, ditavam a moda no Brasil. A democratização da moda brasileira nivelou os criadores nos quesitos qualidade, informação e criatividade. No entanto, questões como logística e planejamento ainda mantém a balança desequilibrada. Mas eventos como o Dragão Fashion Brasil servem para que possamos avançar também nesse sentido.
Sobre o Dragão Fashion Brasil, como e quando surgiu?
Em 1999, numa viagem que fiz a Nova Iorque, com um grupo de amigos estilistas cearenses. Na volta, nos reunimos com o desafio de lançar, juntos com as metrópoles Rio de Janeiro e São Paulo, um evento genuinamente brasileiro e autoral.
Quais as principais dificuldades de implantar um evento grandioso como o DFB?
Há 15 anos, os maiores desafios são a luta pelo incentivo/patrocínio e um quadro de diluição do trade e das entidades que o representam. Quando conseguirmos unir essas duas pontas, nos consolidamos.

Hoje, a quê você atribui o sucesso do Dragão?
À originalidade e a persistência no foco. Se não fosse essa vontade coletiva de toda a equipe que faz o Dragão Fashion Brasil, não teríamos tanta visibilidade e credibilidade.
Como imagina o evento em 2014 e nos próximos anos?
Crescendo, amadurecendo e buscando cada vez mais dar visibilidade à nossa região. Mesmo em constante evolução, nosso DNA é imutável: apostar nos criadores do Nordeste do Brasil sem perder o foco no trabalho autoral.
Como administra o tempo entre trabalho, família e lazer?
Não administro (risos). Sobrevivo. Sempre dou um jeito de estar presente em todos os lugares, procurando dar o máximo de atenção que posso.
O que mais gosta de fazer nas horas livres?
Viajar.
Qual sua visão sobre o mercado de moda cearense para os próximos anos?
Um futuro bem próspero. Estamos nos preparando bem, investindo na capacitação profissional e na formalização de nossas confecções, não importa o tamanho. Eu, particularmente, continuo acreditando na nossa indústria.
Sobre sua antiga loja S27, como definiria sua experiência no negócio?
A melhor da minha vida. A S27 foi a marca com mais liberdade de expressão e criação que tive o prazer de dirigir. Tenho muita saudade dessa época. Foi um grande exercício de moda.
Em 2014, o Dragão Fashion Brasil comemora 15 anos. Olhando para trás, qual a sensação nesse tempo todo de trabalho?
De uma missão quase cumprida. Sou extremamente exigente, por isso sempre acho que ainda falta pouco para deixarmos uma história a ser contada.
Daqui a 15 anos, como espera que esteja o evento?
Espero poder estar (ainda) na direção, dando consultoria à minha equipe. Desejo que meus filhos continuem a minha loucura.
Quem conhece você sabe o quanto sempre prezou pela independência. Como surgiu esse desejo de ser dono de si e de sua vida?
Nunca houve um turning point. Na verdade, a consciência de lutar por minha independência surgiu a partir do momento em que descobri que, através do trabalho, eu poderia ser alguém. Um alguém capaz de fazer diferença. Tendo uma ideia na cabeça, a fórmula é trabalhar focado nela.

Conhecedor de muitas cidades do mundo, qual a que você mais gosta?
Londres é a que mais me identifiquei e é o destino que busco pra oxigenar minha vida e minhas ideias.
Algum lugar visitado já influenciou seu trabalho? Como?
De certa forma, todos os lugares por onde passo e viagens que faço me adicionam ideias e vivências. Não só ajudam a enxergar um novo mundo como também influenciam, diretamente, o meu trabalho.
Sobre sua presença no New York Fashion Week, como define sua experiência por lá?
Não só no New York Fashion Week, como em Londres, Paris, Milão, enfim, os eventos de moda internacionais são bem diferentes dos nossos e nos reservam sempre grandes surpresas. Espero sempre encontrar e aprender mais sobre a excelência em moda como ele sabem fazer muito bem.
Por fim, qual conselho você dá para os profissionais que desejam viver de moda atualmente no Ceará?!
Que trabalhem. Que pesquisem. Que viajem muito. E, acima de tudo, que amem o que faze
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Confira os cliques de Lino Vieira.













