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Embora a Black Friday tenha se consolidado como uma das principais datas do varejo brasileiro, os descontos oferecidos durante o período nem sempre representam uma vantagem real para o consumidor. Um levantamento realizado pela Timelens, empresa de inteligência de dados e comportamento digital da FutureBrand São Paulo, analisou 809 mil preços exibidos em buscadores e sites e apontou que 45,4% dos produtos anunciados na Black Friday do ano passado não apresentavam, de fato, redução de preço.
Segundo o estudo, cerca de 21% dos itens mantiveram os mesmos valores, enquanto outros 21% ficaram mais caros durante o período. Apenas 16,1% das ofertas monitoradas apresentaram descontos considerados relevantes, superiores a 15%.
O levantamento também identificou casos de “falso desconto”, quando o preço de um produto é elevado antes da Black Friday para, posteriormente, ser reduzido e apresentado como uma grande promoção. Essa prática foi observada em 3,4% das ofertas analisadas. Entre as categorias monitoradas, eletroportáteis e linha branca apresentaram maior variação de preços e descontos mais expressivos. Já setores como farmácia, mercado, brinquedos, moda e acessórios não registraram mudanças significativas nos valores durante o período promocional.
A percepção dos consumidores também revela desconfiança em relação às promoções. De acordo com a análise de redes sociais realizada pela Timelens por meio de social listening, 51% das reclamações estavam relacionadas a falsos descontos e à chamada maquiagem de preços. Outros 39,3% dos consumidores demonstraram decepção com a diferença entre as expectativas criadas para a data e os descontos encontrados, enquanto 25,6% mencionaram o receio de serem vítimas de propaganda enganosa. Os dados mostram que, além do preço, a credibilidade das ofertas se tornou uma questão relevante para o público durante a temporada de promoções.