
Antes de tudo, esta coluna assume a honra que teve de entrevistar uma personalidade do porte de Luiza Helena Trajano! A seguir, confira, caro leitor, um papo interessantíssimo com a responsável por boa parte do sucesso da rede de lojas Magazine Luiza. Uma mulher guerreira, corajosa, amada e admirada por funcionários e clientes. E, sobretudo, uma apaixonada pelo Brasil, não o país dos noticiários cheios de fatos lamentáveis, mas a nação que é feita diariamente por homens e mulheres de bem, trabalhadores como ela, exatamente como ela!
Impossível começarmos esta entrevista sem mencionar o fato de a senhora ser considerada pela revista Forbes uma das mulheres mais importantes e influentes do Brasil. O que se passa em sua mente com tamanho reconhecimento?
Olha, eu nunca achei que eu estou influente. Sinceramente, eu considero uma responsabilidade, mas não é uma responsabilidade que me pesa. É uma responsabilidade de fazer sempre mais bem feito, de cada dia lutar mais para você ter ética, propósito, para a gente passar a compartilhar mais. Esse título não me deixa envaidecida, dentro de uma bolha. Me deixa com gratidão, sinceramente.
Ainda continua dormindo pouco?
Eu durmo pouco. Sempre dormi pouco, na verdade. Não é porque estou ficando velha, não (risos). Durmo de três a quatro horas por dia, mas é uma energia que recebo das pessoas que estão ao meu redor. Eu recebo tanta energia das pessoas, que eu acho que é isso que me segura. É tanto carinho e tanta energia que não me dá tanto cansaço. Mas, quando eu vejo que o cansaço chegou, eu paro um pouquinho e pronto.
A senhora sempre fala em gratidão quando menciona o sucesso do Magazine Luiza em 60 anos de história...
A empresa foi fundada pelos meus tios. E eu vivi um momento muito importante recentemente. A empresa está em um momento muito bom, na terceira geração. Nós celebramos 60 anos de sucesso em 2017 com uma festa na presença dos dois fundadores, meus dois tios, que estão vivos e lúcidos, olha que emoção! Cantamos os “parabéns” da empresa com eles no palco. Só consigo pensar em gratidão!
Dona Luiza, a senhora é muito presente na estrutura e no cotidiano da empresa!
Conheço os meus funcionários. Duas coisas diferenciam uma empresa da outra e um funcionário do outro: atendimento e inovação. Quando a gente cresce muito, você fica muito longe disso. Tudo muito burocrático, muito processo, muita hierarquia. Eu tinha muito medo disso porque eu fiquei 25 anos na ponta, na loja. Aí, eu criei um disk para o cliente, que ele me liga e me conta tudo que passa. Só me reclama quando ele não conseguiu, pois me tem muito respeito. Aí, eu fico sabendo! Não fica aquela coisa de eu ficar trancada em uma sala e sem saber o que acontece.
O caos do ambiente político afetou de alguma forma seu amor pelo Brasil?
Sou uma pessoa muito grata de ter nascido no Brasil. Eu amo o nosso País e ensinei meus filhos a gostarem primeiro daqui também. Viajei com eles para Manaus, Natal, Fortaleza. Aí, eu falei “como é que a gente pode retribuir ao Brasil além de gerar emprego?”. Uma coisa é saber que esse país é nosso! Em cada uma das 860 unidades, toda segunda-feira, a gente canta o hino nacional, reza e mostra os resultados. A gente não começa nenhum evento sem cantar o hino nacional. Nós não fazemos nada sem isso!
Podemos um dia ver Luiza Helena como uma Ministra de Estado?
Eu quero distinguir bem o que é política partidária e o que é política para o Brasil.

E a polêmica sobre as cotas?
A gente já teve uma polêmica sobre cotas. Eu já pedi desculpas. Eu não era nem contra nem a favor, eu era neutra. Até que eu passei a ver a cota para deficiente. O Magazine Luiza está há 20 anos entre as melhores empresas para se trabalhar. Cota é um processo transitório para se consertar uma desigualdade. Hoje, eu sou a favor de cota transitória, que vai consertar uma desigualdade. Os países que adotaram as cotas conseguiram bilhões de reais em virtude das cotas nas empresas.

Qual seu segredo para driblar as adversidades da vida?
Não acho que tenha segredo nenhum. Eu fui criada aprendendo a ter e criar solução. Eu muitas vezes chegava da escola e reclamava da professora. Daí, minha mãe perguntava o que eu tinha feito para que a professora não tivesse me ouvido. Então, ela sempre chegava trazendo a solução para mim. Aprendi desde cedo que a solução está em nós. Quando você começa a justificar, a dizer que o governo não presta, a professora não presta, os funcionários não prestam.
A senhora sente medo?
Ah, a gente tem medo sempre, né?! Mas eu digo sempre que a vontade que eu tenho de enfrentar o medo é maior do que meu medo. Eu falo “estou com medo, me ajuda”, “estou insatisfeita, me ajuda”, “estou triste”. Então, quando se expressa isso, o medo já diminui.
E qual o seu sonho?
Ver o Brasil de hoje e não esse país de amanhã. Ver o brasileiro assumindo que vive em um país maravilhoso, um país nosso. Que tenha educação e saúde em 10 anos, com um grande programa que todo mundo cobre e ajude a fazer acontecer.
Para finalizar, qual sua dica para aquela empreendedora que está iniciando um negócio agora?!
Olha, primeiro, acredite no seu negócio! Se ele não for bom, comece outro. Segundo, você vai ter um período de muito sacrifício. Não tem nada que você ganha de todos os lados. Eu costumo dizer que não é fácil, mas é preciso ter muito propósito e muita paixão. É muito bom ganhar dinheiro, mas o propósito segura a gente nos negócios mais difíceis. Quantas e quantas vezes me segurou! Não foi fácil, gente! Saí do interior, cheguei em São Paulo, com o Magazine Luiza totalmente desconhecido. Eu até hoje sou a única mulher no meio de homens que atuam nessa área. Imagina isso há 30, 40 anos atrás.














