Isaac Furtado
O notável aluno de Ivo Pitanguy que se tornou referência em cirurgia plástica.
O entrevistado da semana na Coluna Frisson é um multiprofissional: bem sucedido na carreira médica, respeitado no segmento de cirurgias plásticas e aplaudido pelos seus dons artísticos.
Isaac Furtado, notável aluno do célebre Ivo Pitanguy, falou sobre sua trajetória, as expectativas para os próximos anos, a atual conjuntura política e revelou, também, como cuida do corpo e da mente. A seguir:
Como surgiu o interesse pela cirurgia plástica?
Quando decidi fazer Medicina, já estava pensando na cirurgia plástica. Como artista plástico, me agrada muito a ideia de construir o belo.
A quê o senhor atribui o sucesso e o respeito da sociedade com o seu trabalho?
Acredito que a dedicação, a habilidade manual e a seriedade são fundamentais.
Quais as principais dificuldades encontradas desde sua formação até hoje no âmbito profissional?
Entender que existem limitações em alguns resultados. Pois, conforme diz o professor Ivo Pitanguy, “o cirurgião, diferentemente do artista plástico, é escravo da anatomia.”
De que maneira avalia o atual mercado de cirurgias plásticas? O senhor acha que a excessiva popularização do segmento é um risco à área?
A popularização da cirurgia plástica é consequência dos bons resultados. Já o mercado atual está muito modificado por práticas antiéticas de alguns cirurgiões (como exposição de fotos de pacientes e muita autopromoção, o que é proibido pelo Conselho Federal de Medicina).
Profissionalmente falando, quais os próximos passos na sua carreira médica?
Neste ano, estou completando 20 anos de cirurgia plástica. E, ano que vem, pretendo construir uma clínica, com uma equipe integrada em prol do bem estar e da beleza.
Se tivesse que arriscar uma resposta, como o senhor acha que estará o mercado de cirurgia plástica daqui a 10 anos? Alguma revolução poderá ser vista em 2025? Como pessoa, qual sua expectativa para a próxima década?
A cirurgia estética é um mercado para poucos, e os resultados são lentos. É como o mercado de luxo, acredito que, em 10 anos, vai melhorar. Acredito que vai surgir muita coisa boa para cicatrização, decorrente de manipulação genética e nanotecnologia. Com relação às técnicas cirúrgicas, apenas alguns aperfeiçoamentos e cicatrizes menores.
Parte considerável da classe médica critica de forma veemente o programa “Mais Médicos”. Qual sua avaliação sobre o tema?
O médico tem que ter uma boa formação e muitas universidades não oferecem isso. Estando formado, todos procuram um bom salário e condições de trabalho razoáveis. Muitos locais do programa Mais Médicos não oferecem isso. Hoje, a maioria dos brasileiros inscritos no primeiro ano já abandonaram o programa. É uma ajuda muita paliativa.
Qual sua sugestão para uma melhoria do funcionamento da saúde pública no País?
Mais educação e menos corrupção.
O senhor integra o seleto grupo de médicos que estudaram com o professor Ivo Pitanguy. Como define a importância dele em sua carreira?
Não sei como teria sido minha formação se eu não tivesse participado dessa escola. A filosofia do professor Pitanguy foi um marco na minha carreira.
Sobre sua veia artística, como teve início?
Desde criança, já venho pintando. É um dom que sempre me acompanhou e me ajuda na cirurgia plástica na avaliação de simetria, harmonia e proporção.
Quais artistas mais influenciaram na sua forma de se expressar?
Artistas locais, eu citaria: Descartes Gadelha e Antônio Bandeira. Internacionais são muitos! Dos renascentistas, barrocos e impressionistas.
Qual o planejamento a médio prazo para sua carreira artística?
Todo ano faço, uma exposição. Além dos livros de poesia. Agora, como membro da Academia Cearense de Médicos Escritores, sinto-me na obrigação de divulgar mais ainda nossa cultura.
Como o senhor cuida do corpo, da saúde e da aparência? É um homem vaidoso?
Tudo na medida certa. Mantenho meu peso há mais de 15 anos. Faço atividades aeróbicas, como caminhadas e os Ritos Tibetanos, que oferecem um excelente alongamento e meditação. Vivo na “fogueira das vaidades”, mas procuro não me queimar. A vaidade tem seu ponto de equilíbrio.
De que maneira administra o tempo entre o trabalho e a família?
Faço muitas coisas durante o dia, entre cirurgias, consultório, artes visuais, literatura e família. A ordem dessas atividades altera muito.
Qual seu tipo de música preferida?
Gosto muito de jazz e bossa nova.
O que curte fazer nas horas vagas?
Tomar um bom vinho harmonizado com a gastronomia. Claro, na companhia da minha mulher.
Para finalizar, se pudesse mudar algo no mundo, o que seria?
A solução para tudo está no autoconhecimento, que é alcançado através da cultura e da aceitação da nossa impermanência. Temos que aproveitar cada momento, pois, como dizia Horácio: “Carpe diem”!
Confira as fotos
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