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ENTREVISTA

Ária Concertos e Intervenções Musicais

A agência de artistas que está encantando Fortaleza.

04 de set. de 2015 - 01:36

Leandro Cavalcante, Itauana Ciribelli e Garcia Júnior formam uma agência que está encantando a cidade, seja em eventos ou intervenções artísticas. Os artistas estão à frente do Ária Concertos e Intervenções Musicais, que além de músicos de variadas formações, vozes, timbres e acordes, oferece ainda performances teatrais e de dança com profissionais que fazem acontecer no mundo da Música e das Artes nacionalmente, inclusive internacionalmente.

E, apesar de terem se lançado no mercado apenas ano passado e de terem percorrido trajetórias diferentes, os três músicos estão propondo ao segmento de eventos um novo olhar, ver e ouvir e conquistando os gostos mais exigentes. O repertório também é variado, viajando entre os estilos. Além disso, juntos eles vêm impressionando com suas aparições surpresas e trazendo algo antes inexistente por aqui, o canto lirico. Mas de uma forma acessível e descontraída.

No bate-papo a seguir com a Coluna Frisson, eles contam um pouco da sua história, como profissionais e como agência, e se mostram ainda mais:

Vocês três são caps do grupo que vem se consagrando em eventos da cidade, mas possuem histórias diferentes. Contem um pouco sobre o início da trajetória de vocês.

Leandro: Todos começaram com trajetórias artísticas distintas. A Itauana nos palcos como atriz, performer e apresentadora dos programas da Disney; o Leandro já na faculdade de música, estudando composição e regência; e o Garcia Jr. já atuando como performer e cantor lírico em festivais, concertos e montagens. O interesse e a paixão pelo canto erudito fez com que cruzássemos nossos caminhos com os mesmos projetos e professores de canto que tivemos. O segundo passo já foi a amizade. Acabamos os três indo estudar e trabalhar fora; a Itauana em Buenos Aires, o Garcia Jr. na Alemanha e eu fiquei no Brasil, entre Curitiba e São Paulo. Retornamos por razões pessoais, nos reencontramos e decidimos montar projetos artísticos e também investir em entretenimento, que resultou na ARIA, uma agência de Concertos e Intervenções Musicais.


Com qual idade descobriram a paixão pela música e quando começaram a se dedicar a arte de cantar e encantar?

Leandro: Meu pai é músico, minha mãe uma grande admiradora. Acho que a influência principal partiu de dentro de casa mesmo. Comecei criança já estudando piano no conservatório, cantando nos corais da cidade, daí para a faculdade de música e acabou que hoje já é um caminho sem volta! (risos). A mistura da performance cênica e musical sempre me encantou, daí meu interesse pela atuação em coros cênicos, ópera e teatro musical.

Itauana: Meu pai disse que eu já nasci cantando! (risos) Ele me chamava de passarinho afinadinho. Eu sempre soube que era artista, desde muito criança. Cantava na escola e brincava de gravar programas musicais no "Meu primeiro Gradiente" (quem lembra?). Aos 10 anos eu já tinha toda a minha carreira traçada: seria "cantriz", dublaria uma princesa da Disney e teria meu programa infantil na TV. E não é que consegui realizar todos os meus sonhos e objetivos!? A dedicação à arte e ao canto veio cedo. Estreei no teatro no comecinho da adolescência e comecei a estudar canto lírico em 2002.

Garcia Jr: comecei a ser apaixonado pela ópera e pela música lírica aos meus 7 anos de idade de uma forma inexplicável. Vi um concerto dos 3 Tenores na extinta TV Manchete e fiquei impressionado com aquelas vozes, lindas e  potentes. Só em 2002 comprei meu primeiro CD de ópera. Em 2003 comecei a fazer aulas de canto lírico.

Quais as principais dificuldades que enfrentaram? Ainda enfrentam alguma?

Leandro: Na minha opinião, a principal dificuldade mesmo é a cultura de desvalorização da arte e o mercado que temos no Brasil. Já ouvi muitas vezes na vida o clássico "Você trabalha com música, mas ganha dinheiro mesmo com o quê?". No Ceará é mais difícil também pela carência das instituições, por isso o esforço - nosso e de tantos colegas - de buscar especialização fora do estado ou até mesmo do País. Mesmo sob um viés comercial, ainda tentamos mudar um pouco desse cenário com a ARIA. Valorizamos muito nossos parceiros artistas e temos buscado sempre fazer um trabalho refinado. É uma satisfação enorme quando conseguimos atingir as metas, porque além de um trabalho é também um prazer!

Itauana: Minha dificuldade começou em casa. Eu era uma menina tranquila, com ótimas notas na escola. Minha família criou muitas expectativas sobre o meu futuro, mas a arte não fazia parte dos seus planos. Queriam que eu fizesse direito, concurso público, essas coisas. Mas, não teve jeito! Eu tinha certeza absoluta que era 100% artista. Foi difícil fazer minha família aceitar, pois, mesmo eu tendo começado a trabalhar e ganhar meu dinheirinho muito cedo, eles não consideravam o que eu fazia como trabalho. Só aceitaram quando eu entrei no programa Fama e me mudei para o Rio de Janeiro.

Qual a formação (acadêmica e cursos) e especialidade de cada um?

Leandro: Eu sou bacharel em música, estudei composição musical, canto e regência.

Itauana: Cursei Letras/Inglês na UFCE, mais porque não existia um curso de artes na época. Comecei a estudar canto lírico em 2002 e canto para Teatro Musical em 2006, sempre com os melhores professores do Brasil. Meu registro profissional de atriz eu tirei pelo currículo mesmo ( mais de 20 peças de teatro e 4 programas de televisão). Para dublar eu fiz um curso e algumas oficinas.

Garcia Jr: Me especializei como cantor solista, tendo participado de vários festivais nacionais de música e Concursos de Canto que tive o prazer e a oportunidade de ter sido premiado. Depois fui bolsista na Lothe Lehmann Akademie, na Alemanha, onde estudei com muitos profissionais do cenário operístico mundial.

Ao mesmo tempo que vocês são os artistas também são os administradores da própria empresa. Qual é a melhor e a pior parte dessa dupla atividade?

Leandro: A melhor parte é poder dirigir e ter controle sobre o que está acontecendo com o nosso produto artístico. Não tem nem perigo da arte ficar em segundo plano em detrimento de nada. Idealizamos e executamos. No entanto, dividir as tarefas de produção e administração com a carreira artística atrapalha um bocado os estudos. Mas c'est la vie, a gente vai levando, tem dado certo! (risos)

Itauana: A gente que é artista está sempre com a cabeça nas nuvens! Por mim, eu só queria fazer arte e pronto! Mas, percebi que artistas empreendedores, que administram as próprias carreiras, tem muito mais independência. Dá trabalho, mas é bem melhor do que ficar nas mãos de agentes e empresários o tempo todo.

Existe diferença entre uma apresentação de grande plateia para uma mais privê? Quais?

Leandro: Sempre há nervosismo, não importa o tamanho da apresentação. O nervosismo é a alma do negócio. Lembro da história da Marília Pêra, antes de entrar em cena, nervosíssima na coxia de uma grande estreia. Uma novata perguntou "Nossa, Marília... Você, com tantos anos de experiência, estreando uma peça pela milésima vez, ainda fica nervosa? Eu estou estrando minha segunda e estou tão tranquila!". Ao que Marília respondeu: "Um dia você chega lá". Brincadeiras à parte: por maior segurança que exista na relação da técnica e do domínio do repertório, o cuidado com a perfeição sempre gera nervosismo.

Garcia Jr: Existe a diferença entre um grande espetáculo/concerto com algo mais intimista, mas para nós a responsabilidade é a mesma, pois prezamos pelo belo, pelo trabalho bem feito. O nervosismo com certeza sempre aparece e geralmente nos últimos minutos que precedem a nossa entrada em cena.

Como já vimos, cada um de vocês teve a sua experiência particular com a música e trajetória. Em que momento da vida de vocês teve o encontro e a decisão de montar o Aria Concertos

Leandro: Por razões pessoais tivemos que voltar a nos estabelecer em Fortaleza. Estávamos a um passo de mudarmos de área profissional, até percebermos o quão promissor é o mercado de eventos na cidade. Sabíamos que tínhamos um bom produto nas mãos e decidimos investir nele. 

Itauana: O Aria Concertos foi ideia do Leandro. Ele é o mais empreendedor do grupo! (risos) Depois que eu realizei todos os meus sonhos profissionais (muito cedo), fiquei meio confusa sobre o que queria pro meu futuro. Foi quando veio algo que não estava nos meus planos: um filho! Tomei a decisão de parar tudo e virar mãe em tempo integral em Fortaleza, perto da minha família, enquanto organizava minhas ideias. Foi durante esse tempo que conheci o Leandro e reencontrei o Garcia (que conheço desde que ele tinha 17 anos!). O Leandro nos mostrou as perspectivas de introduzir nossa arte e nossas ideias no mercado de eventos e nós embarcamos juntos nessa nova jornada!

Garcia Jr: Estávamos cada um em um canto, nessa época eu estava na Alemanha já indo para São Paulo, quando em uma conversa com o Leandro o mesmo me chamou para que eu viesse para Fortaleza, pois estava com algumas ideias sobre alguns projetos para colocarmos em prática. Isso fez com que eu antecipasse a minha vinda para Fortaleza para de imediato começarmos a fazer os projetos.

E por que a ideia? O que buscam trazer de diferencial para o mercado de eventos de Fortaleza?

Leandro: Quase todos os nossos colegas de profissão e professores estão fora do estado. Percebemos que não há muitos grupos na cidade aliando performance cênica e musical, com o enfoque musical que temos dado às nossas produções. Como trabalhamos com direção cênica, arranjadores, direção musical e produção dentro da agência, descobrimos a possibilidade de montar novos produtos artísticos - Flashmobs, Dinner Shows (réplica do executado nos restaurantes da Broadway e no Brooklyn de São Paulo), intervenções com música acapella, além dos concertos convencionais e apresentações para recepções, cerimônias e eventos. Criamos produtos como, por exemplo, o Opera & Tango In Concert, uma apresentação que envolvia música erudita ao vivo e dançarinos de tango. Ou o Disney n' Bossa, uma releitura jazz/bossa de grandes clássicos da Disney, com arranjos que passam pelo jazz, blues e bossa nova. O céu tem sido o limite, mas nosso foco sempre é a música.

Garcia ?Jr: Como está sendo visto, esse casamento de estilos musicais distintos, resultando nesse efeito sonoro de qualidade.

Além de vocês, o grupo possui mais quantos membros e quais as funções disponíveis?

Leandro: Temos em nosso casting: diretor musical, diretor cênico, arranjador, roteirista, banda completa para bailes e uma lista de instrumentistas para compor uma orquestra completa em caso de necessidade; além de atores e também dançarinos.


Ao se lançar em um mercado concorrido de festas, qual a percepção pessoal que fazem dos grupos musicais disponíveis no geral?

Leandro: Difícil de responder. A maior parte dos grupos faz como também fazemos: divide a administração do negócio com a performance artística. Percebo que a maioria dos profissionais começa na área porque cedo já percebe o talento. Que pena o cenário do nosso estado ser um obstáculo tão grande para nossa formação artística. Mas tenho perspectivas de que isso está mudando.

Quando e como surgiu a ideia de inovarem na cidade com os flash mobs? Qual a avaliação das apresentações que vêm fazendo até então?

Leandro: Os Flash Mobs particularmente tem sido os produtos que mais vendemos, principalmente o Dinner Show (atores/cantores disfarçados de garçons que, em dado momento do evento/festa/cerimônia começam uma intervenção surpresa musical com algo temático ao momento). É uma forma muito legal de surpreender. Serve também como Live Marketing. Por isso temos atuado em muitos eventos corporativos com essas ações. Mais do que uma boa performance, é muito interessante quando conseguimos surpreender o público; e este tem sido o diferencial, e a recepção tem sido ótima!

Ao soltar a voz, qual a sensação ao ver a emoção no rosto dos espectadores e de ouvir os aplausos? Vocês são dependentes disso?

Leandro: A satisfação de ver alguém se emocionando com alguma performance que produzimos é, realmente, o nosso maior pagamento. Na verdade, não tem preço. Dependente, não sei... Todo artista deve ir aonde o povo está. Se houver alguma dependência, talvez seja a da comunicação que a música proporciona entre o artista e o público. É a maior motivação, eu acho.

O que fazem para aperfeiçoar o trabalho de vocês?

Leandro:  Atualmente estamos fazendo uma ponte aérea Brasil - Nova Iorque / Brasil - Chile para reciclagem de estudos com alguns nomes importantes do cenário musical mundial. O último que fizemos foi com Bobby Mc Ferrin, o colecionador de Grammys, e toda sua equipe maravilhosa de músicos, lá em NY mesmo. Também recebemos um convite e estivemos no Hawaii em fevereiro, num curso de criação e improvisação vocal com a Rhiannon, uma grande mestra e artista, também membra do grupo do McFerrin.

Os três já são premiados e têm trabalho reconhecido no mundo da música. Ainda têm algum sonho a realizar?

Leandro: Temos sempre muitas ideias pra projetos artísticos. No momento temos jogado 10 nos trilhos, e só 2 ou 3 se concretizam. Já estou muito satisfeito com os resultados, mas quanto maior o poder de realização, melhor. Acho que desse trabalho a gente nunca se aposenta, então todo dia um sonho novo!

Falem um pouco sobre os planos a curto e longo prazo de vocês tanto pessoal como profissional.

Leandro: Estou terminando um MBA em Gestão Empresarial. É meu último investimento na área administrativa. Depois quero poder me dedicar exclusivamente ao artístico, quando - assim espero - toda a responsabilidade de estar à frente de uma empresa já tenha se tornado algo natural e corriqueiro e não mais exija esforço e dedicação além da dedicação necessária para um negócio prosperar e produzir coisas bem feitas.

Itauana: Quero continuar estudando fora do Brasil. Tenho um novo sonho de produzir grandes montagens aqui em Fortaleza, de ópera e teatro musical. Adoraria continuar um projeto anterior com o Leandro de fazer um intercâmbio entre os artistas de fora com os daqui. Estamos cheios de projetos, fazendo excelentes parcerias! É tão bom quando todo mundo cresce junto, né?

Garcia Jr: Como todo artista a minha vontade é a busca para se aperfeiçoar na minha área, digamos que essa nossa parceria reacendeu a chama do querer fazer acontecer, sonhar, idealizar e realizar os nossos projetos, isso se enquadra no profissional que com certeza alimenta positivamente o pessoal.

Quais os projetos da Aria Concertos que os fãs já podem aguardar?

Leandro : Hum! Surpresa! Temos muitos projetos na manga e temos feito muitos contatos bons. O que posso adiantar é: muita coisa aberta ao público e muita coisa diferente no circuito musical e cênico da cidade!

Confira as fotos de Lino Vieira.

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