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ENTREVISTA

Jhonatan Marini: jovem e conceituado enólogo

O enólogo circulou, recentemente, em Fortaleza, e contou sobre o saboroso mundo dos vinhos.

05 de set. de 2014 - 14:29

Em visita a Fortaleza, Jonathan Marini, graduado em Viticultura e Enologia e, atualmente, enólogo do Grupo Valduga, contou para a Frisson um pouco da sua trajetória no mundo do vinho, que, depois da família, é sua maior paixão.

Na descontraída conversa, Marini também abordou o crescimento do consumo do vinho no País, em especial em Fortaleza, e deu dicas para boas harmonizações. O especialista assegura: Há opções de vinhos para todo tipo de ocasião, paladar e bolso. Confira!

Para começar, que tal um breve perfil?
Sou formado em Enologia, jovem, porém um grande entusiasta do mundo do vinho. Sou apaixonado pelo que faço. Nasci na interiorana cidade de Veranópolis, na Serra Gaúcha. Desde pequeno, sempre acompanhei os trabalhos da família nos vinhedos e na vinícola.

Como começou a paixão pelos vinhos?
A paixão se iniciou por conta do convívio com os familiares no trato com a videira. Todos os anos, desde “guri” (criança), sempre acompanhei meu avô e meu pai no manejo do vinhedo, na época da poda e colheita. E durante a safra da uva, a magia que envolve a família é única. É um momento de alegria e comemoração. Afinal, é a coroação do trabalho de um ano inteiro cuidando da videira para produzir aquela uva.
Logo, a opção de unir a tradição familiar e o gosto pelo vinho à carreira profissional foi natural.

Fale um pouco sobre a sua trajetória profissional.
Iniciei o curso Técnico em Enologia com 14 anos e, logo com 15 anos, comecei a trabalhar na Casa Valduga, empresa na qual atuo ainda hoje. Após o Curso Superior em Enologia, tive uma breve passagem por vinícolas na Argentina e Chile, mas retornei à Casa Valduga para poder praticar tudo o que aprendi fora do País. Nesse meio tempo, também trabalhei, por dois anos, na Embrapa Uva e Vinho, em Bento Gonçalves-RS, na área de pesquisa relacionada a fisiologia vegetal, o que me levou a buscar uma especialização em viticultura.

Como teve início a sua história na Casa Valduga/Domno?
A amizade com os proprietários do grupo empresarial FamigliaValdugaCo. me levou a buscar trabalhos junto a essas empresas. Casa Valduga e Domno são sinônimos de excelência e poder trabalhar em empresas como essas sempre foi um sonho.

Quais os diferenciais das vinícolas que você atua?
Tanto Casa Valduga quanto Domno estão focadas na qualidade, acima de tudo. Os diferenciais para isso começam no vinhedo, com a escolha da melhor área para o plantio de cada variedade de uva. Na sequência, a tecnologia empregada na elaboração dos vinhos, o conhecimento técnico e a capacitação dos profissionais fazem a diferença.

Mesmo tão jovem, você já é um dos mais conceituados enólogos do País. Como foi essa caminhada? Já acalentava esse sonho?
Esse é um caminho natural para todos os profissionais, independente da carreira ou ramo profissional. A partir do momento em que nos dedicamos ao trabalho e fazemos o que gostamos, o reconhecimento passa a ser um consequência.

Como faz para administrar o tempo entre a família e o trabalho?
Esse é um ponto complicado. Durante a safra da uva, de janeiro a março, a dedicação é total à vinícola, na elaboração dos vinhos. No restante do ano, as viagens para promover degustações acabam ocupando muito tempo também. Mas, família é família. Está acima de tudo. Quando estamos juntos, buscamos aproveitar ao máximo o tempo, claro, sempre acompanhados de um bom vinho.

As pessoas ainda confundem enólogo, enófilo e somelier. Esclarece pra gente!
Enólogo exige formação de nível superior (faculdade). O enólogo é o profissional responsável pela elaboração do vinho. Portanto, cabe a ele a tarefa de transformar a uva em vinho. O trabalho do enólogo vai até onde começa o do sommelier. este também
 exige formação acadêmica.A partir do momento em que o vinho sai da vinícola, o responsável pelo trato com o vinho é o sommelier. É o profissional responsável pelo servido do vinho. Servi-lo na temperatura adequada, na taça correta, com a melhor harmonização possível. Organizar uma adega de restaurante e criar uma carta de vinhos também são responsabilidades do sommelier, bem como conservá-lo da melhor forma dentro do restaurante. Já o enófilo é o apreciador de vinho. Ele não precisa ter nenhum formação atrelada á área. Portanto, acredito que todo o enólogo e sommelier também são enófilos.

Como você vê a qualidade dos vinhos brasileiros em relação aos vinhos produzidos nos países vizinhos e Europa?
Hoje, a qualidade do vinho nacional é indiscutível. Por outro lado, o nível de qualidade dos profissionais que atuam no Brasil é o mesmo que encontramos em outros países. Outro fator importante é a tecnologia empregada no processo de elaboração. Atualmente, tanto na Domno quanto na Casa Valduga, trabalhamos com o que há de melhor em máquinas para produção.

O consumo de vinho no Brasil tem crescido, mas pode evoluir muito mais. Porque o consumo ainda é baixo e o que fazer para se alcançar um crescimento mais significativo?
Esse é um aspecto cultural. Cultura não se muda do dia para a noite. É algo que vai se desenvolvendo aos poucos. No início, o vinho foi trazido ao Brasil como uma bebida elitizada, e todo o ritual que envolvia o seu consumo acabava por assustar e espantar potenciais consumidores. É importante que a pessoa sinta-se a vontade para apreciar um bom vinho. Atualmente, o nosso trabalho também é importante para desmistificar o vinho. A grande diversidade de vinhos, como brancos, roses, tintos, espumantes, vinhos doces e secos nos dão opções para todo tipo de ocasião, paladar e bolso.

O preço do vinho no Brasil ainda afasta os consumidores?
Sem dúvida, esse é um dos fatores mais negativos para os apreciadores de vinho no Brasil. Provavelmente, a elevada carga tributária é que carrega a maior parte da culpa. Enquanto em outros países o vinho é considerado um alimento, complementando as necessidades nutricionais da população, no Brasil, o vinho é altamente taxado (em impostos) por ser uma bebida alcoólica.

Como escolher um bom vinho e fazer a harmonização?
Um ponto importante é observar a procedência do vinho. Geralmente, o vinho de uma região harmoniza também com os pratos locais. Uma dica interessante é avaliar a estrutura do prato e do vinho, ou seja, pratos com mais intensidade de sabor devem harmonizar com vinhos mais potentes também. E claro, vinhos leves devem acompanhar pratos leves. Lembrando que, quando falamos em harmonização, tratamos sempre de sugestões e não imposições. O que faz a regra da harmonização é o paladar de cada indivíduo. Portanto, podemos harmonizar um prato leve à base de peixe com um potente cabernet sauvignon, Sob o ponto de vista técnico, não é a melhor opção. Porém, o importante é agradar o nosso paladar.

 Qual o consumo ideal de vinho?
O consumo ideal é aquele que satisfaz as pessoas. Para alguns, talvez meia taça. Para outros, uma garrafa. Sob o ponto de vista médico, as recomendações de consumo de vinho ficam em torno de uma ou duas taças por dia, dependendo do metabolismo do organismo de cada pessoa.

Como você analisa o crescimento quantitativo e qualitativo do consumo de vinhos em Fortaleza?
A evolução é natural do homem. A partir do momento em que vamos conhecendo vinhos melhores, o interesse nos desperta para novas descobertas. Isso motiva as pessoas a conhecerem novos vinhos. Na capital cearense, não é diferente. Cada vez mais os consumidores vão encontrando vinhos que melhor harmonizam com a gastronomia local e o próprio gosto local. O fortalezense foi contemplado com incríveis belezas naturais e um clima muito aconchegante, que fica ainda melhor quando brindado com uma taça de vinho ou espumante. O resultado desse crescimento também se deve aos bons restaurantes e profissionais locais, que desenvolvem um excelente trabalho com essa bebida.

A Capítal cearense tem condições de abrigar grandes eventos envolvendo a indústria de vinhos? Por quê?
Com certeza! Fortaleza tem um público apreciador de vinhos fantástico, que está em plena ascensão. Grandes eventos vêm prestigiar ainda mais esse público e, também, podem conquistar novos paladares.

Para finalizar, quais os predicados para ser um grande enólogo?
Gostar da profissão é fundamental e não é muito difícil isso na nossa carreira. (Hehehhe). Buscar a essência do vinho é um fator primordial. Assim como um pintor que marca com as suas pinceladas momentos de alegria e também de tristeza, o empenho e dedicação do enólogo aparecerão refletidos em cada taça de vinho. Por vezes a intuição aliada à experiência contribuem para o êxito na elaboração de um grande vinho. Ah! Para finalizar, um bom conhecimento de agronomia, química e bioquímica é fundamental para o enólogo desenvolver um bom trabalho.

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