Ele é querido e super requisitado na high society alencarina. Também é muito respeitado na middle class. Seu talento ultrapassou o território cearense. Carismático que só ele, um gentleman por excelência e antenado quando se fala em batida musical capaz de agradar gregos e troianos nas pistas de boates. O rostinho de vinte e poucos anos na maturidade que, incrivelmente, beira a casa dos 40 no deejay Itaquê Figueiredo vão impressionar você, caro leitor, na entrevista da semana que esta coluna teve a honra de fazer! Confira:
O seu interesse pela música. Como surgiu, Itaquê?
Comecei a estudar música aos seis anos. Flauta doce, piano, violão, brinquei um pouco com vários instrumentos musicais e acabei me fixando no talento da arte de ser deejay, o que já havia feito ainda criança , lá pelos sete, oito anos de idade.
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Que tipo de som você tem o hábito de ouvir?
Sou extremamente eclético. Há dias de piano, assim como também há dias de silêncio absoluto. O mesmo se aplica a dias de descobertas de sons de outras culturas, como a primeira vez que ouvi um ritmo chamado 'Bollywood'. Estava pesquisando sonoridades para um desfile para o qual fui convidado assinar trilha e lá estava o que eu precisava.
Quais são seus cantores preferidos? Você tem um ritmo predileto?
Ouço muita coisa, mas não digo que prefiro um cantor específico. Sou daqueles que esquecem o disco no som do carro por meses. Ganho um novo disco e passo a explorar aquele disco como uma criança que aprende a andar.
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De que forma se deu o início de sua carreira de DJ?
Eu estava num curso de cirurgia, pois sou dentista por formação, e meu telefone tocou. Era uma pessoa convidando a ser o DJ de uma festa de aniversário. Recusei na hora. A pessoa insistiu, pois já havia me visto em festas na casa de amigos em que eu, informalmente, assumira o controle das pickups. Recusei novamente, mas ela estava irredutível. Assim, fomos conversar sobre o assunto após meu curso e aceitei o convite.
Muita gente talvez não saiba que você é dentista por formação. Depois de colocar o ofício de lado temporariamente, você voltou à ativa? Ou segue priorizando a carreira de deejay?
Esse é um longo assunto! Apesar de ter iniciado a atividade musical na infância, como descrito anteriormente, precisei afastar-me das atividades lúdicas para dedicar-me ao estudo pré-vestibular. Minha escolha estava na área da saúde e isso exigia de mim pelo menos 12 horas de estudo diário. Ingressei no curso de Odontologia e, durante este, me dediquei a ser exemplar. Próximo à nossa formatura, comecei a me envolver com a produção de eventos para arrecadar fundos a fim de termos uma festa de formatura dentro do que a turma esperava, já que a função de organização estava destinada a mim. Foi aí que a música voltou a tocar mais alto em minha vida. Para abreviar o texto, levei por dez anos as duas carreiras em paralelo, mas, hoje, sigo com a Odontologia apenas no diploma. A música tomou conta de mim!
A quê atribui o sucesso em sua carreira musical?
Tive foco desde o início e me profissionalizei quando todos ainda se comportavam como amadores. Aquilo que, para muitos, era diversão, para mim, era trabalho. Acho que não há sucesso sem trabalho. Penso que foi isso: foco no objetivo. Parece redundante, né?
Mas é a mais pura verdade, Itaquê! Agora, conta para a gente quais obstáculos você superou para chegar até aqui?
Meu maior obstáculo era eu mesmo! A meta era sempre me superar. Paralelo a este obstáculo, encontrei o preconceito. Ser artista não é tão glamouroso como se pensa. Muita gente tentou me convencer de que “isso” era apenas uma brincadeira que muito breve iria passar e ouvi muitos conselhos do tipo: "não se deixe levar pelas festas". Mas eu não fazia aquilo por vaidade. Fazia por amor, fazia porque acreditava. Eis que aqui estou, 17 anos depois, fazendo aquela brincadeira que "em breve vai passar (risos)".
Em qual tipo de evento você mais gosta de tocar?
O mundo dos casamentos e 15 anos me fascinam. Foi nesse universo que foquei desde o começo e é nele que me faz ter brilho nos olhos!
Qual o momento, durante seu trabalho, que você tem certeza de que seu setlist "caiu" (bombou) nas graças do público?
Quando encontrei a minha técnica, descobri que poderia trazer à minha pista de dança desde a criança de pouca idade até pessoas improváveis como num momento que vou relatar a seguir. Neste dia, tive a certeza de que estava no caminho certo. Foi uma festa que muito me marcou. Era uma celebração à vida em que me foi dado o desafio de fazer o patriarca da família ir à pista de dança. Ele era daqueles que reclamam do som mais alto e já começou a festa dizendo que não ficaria até o fim. Desafio aceito, comprido e cumprido. Saímos da festa juntos, ao amanhecer, ele já era septuagenário. Até hoje, a família festeja datas importantes comigo.
Você considera que a carreira de DJ deu uma popularizada (vulgarizada) com o surgimento das celebridades instantâneas e ex-participantes de realities shows?
Vejo pela ótica inversa. A carreira passou a ser conhecida por muito mais gente com essas ações em que surgiram os "fast deejays". É claro que intitular-se DJ sem conhecimento técnico não agrada a nós que nos profissionalizamos, mas não acho que isso vulgariza. Estamos vivendo uma era digital. Isso volatiliza muitos aspectos da mídia e a carreira não ficaria de fora! Precisamos nos adaptar a essa nova forma de mídia.
Para você, o que torna alguém um bom DJ?
Sensibilidade, repertório e técnica. Agrega-se a estes fatores uma boa aparelhagem. Não há música boa que resista a equipamento ruim!
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Quais são as suas maiores influências musicais?
Quando criança, cresci ouvindo músicas clássicas as quais eu estudava na flauta e piano e, fora dos estudos musicais, era apaixonado por Elis, Caetano, Gal, Bethânia, Gil, Novos Baianos e toda aquela leva brasileira. Nos internacionais, eu me amarrava em ouvir coisas da década de 70, recém encerrada. A brilhante e brilhosa era Disco, do globo espelhado, me fascinava. Nasci em 76, mas minha primeira memória era um brinquedo musical aos quatro anos.
Quais DJ’s cearenses, brasileiros e internacionais que você prefere?
Eu seria injusto se citasse nomes. Tenho muitos e a lista seria infindável!
Sobre sua vida pessoal, como anda o coração?
Firme e forte!
Você pensa em se casar um dia?
Nunca pensei nisso. Quem sabe agora, aos quase 40, eu desperte essa idéia (risos).
Qual o tipo de festa em que você mais gosta de se divertir?
Em casa, com muitos amigos, sem rótulos ou na casa de amigos.
Como cuida do corpo e da mente?
Academia, checkups médicos, família.
A vaidade. Como é a relação dela em sua vida?
Sou adepto de tudo que nos faça sentir melhor. Se precisar, vou para a faca. Não tenho grilos com a vaidade estética.
Para você, o que, de fato, causa frisson?
Surpreender!
Por fim, pensa em expandir sua carreira para além do território cearense? E como espera que esteja sua vida pessoal e profissional daqui a cinco anos?
Já tenho mercado em outros estados há alguns anos. Isso me abriu portas inclusive para eventos fora do Brasil, mas não divulgo muito, prefiro ser divulgado. Mesmo assim, atuo firmemente no nosso Ceará. Foi aqui que tudo começou e é aqui que me vejo daqui a cinco anos. Quero aproveitar para agradecer por todo o carinho que a Frisson tem por meu trabalho e por dedicarem um pouco do tempo de vocês a mim.
Imagina, querido. Você merece demais! E nós estamos sempre torcendo por seu sucesso.
Fico feliz por tudo isso. Meu muito obrigado!