Fundadora do Eco Clube, Nyeli Pessoa gerencia casa de festas com sustentabilidade e afeto
A empreendedora conversou com a Frisson sobre sua trajetória no marketing, suas ideias para uma casa de festas de sucesso e seus valores para manter o negócio

Foto: Lino Vieira
A empresária Nyeli Pessoa transformou sua criatividade e afinidade com a ecologia uma oportunidade. Formada em marketing e especializada em marketing de serviços, a baiana radicada em Fortaleza fundou o Eco Clube em junho de 2015 e, de lá para cá, viu sua ideia se tornar um empreendimento referência na Cidade.
Hoje, gerencia o Eco Clube no Cocó, e acompanha de perto as atividades da unidade no Luciano Cavalcante, gerenciado por sua irmã, e já pensa em lançar um sistema de franquias em 2023. A empreendedora conversou com a Frisson sobre sua trajetória no marketing, suas ideias para uma casa de festas de sucesso e seus valores para manter o negócio rentável, mas ao mesmo tempo repleto de sustentabilidade e afeto. Confira a entrevista:
Frisson: Você é especialista em marketing de serviços. O seria esse tipo de marketing?
Nyeli Pessoa: Sou especialista em Marketing e possuo especialização pela ESPM em Marketing de Serviço. Essa área se trata do olhar estratégico do marketing nesse segmento cheio de peculiaridades, que, diferente de empresas que vendem produtos físicos, vende algo intangível, que ainda irá se realizar e será realizado simultaneamente entre o cliente e o elenco. O marketing de serviço trabalha com o que não possui estoque, não possui forma e que, por isso, deve ter algumas regras para que obtenha êxito. O profissional de marketing de serviço sabe exatamente esse caminho, porque estudou e teve acesso a estratégia por trás disso tudo.
Frisson: Você passou do marketing para o empreendedorismo. Como foi sua entrada nesse mundo?
Nyeli Pessoa: Eu empreendi em todas as empresas que trabalhei desde os meus 16 anos. No shopping, eu não me detive somente em vender roupa, mas quis fazer as vitrines. No complexo turístico, não me detive somente onde me colocaram, me arrisquei todas as vezes que surgiam oportunidade.. E assim foi por mais de 20 anos. Quando sai do marketing para o empreendedorismo, o desafio foi mais interno. Foi eu comigo mesma. Se eu conseguiria não depender de alguém, de um chefe… Eu teria que ser meu próprio farol, e meu colaborador, por melhor que fosse, era meu colaborador. O desafio foi essa solidão, esse medo de não dar conta de pagar tudo, de ter que administrar as partes que não dominava, contabilidade, financeiro, obra...
Frisson: Quais foram as dificuldades no começo de montar um negócio?
Nyeli Pessoa: Eu mesma ficava pensativa se eu estava mesmo preparada… Estando só, ter que fazer dinheiro, me separar da minha área que sempre foi o criativo e estratégico, para administrar pessoas, contas…
Ver essa foto no Instagram
Frisson: Pode contar a história do Eco clube? Quando ele foi fundado, como foi a evolução…
Nyeli Pessoa: Ele foi fundado em 2015. Eu me propus a um ano sabático, juntei meu dinheiro e me propus só a ser mãe. Depois de poucos meses, um shopping estava precisando de uma operação infantil, e ventilaram meu nome. Fiz um projeto de um espaço lúdico ecológico em que as crianças faziam seus brinquedos e que tivesse elementos reais da natureza dentro de um ambiente, como um shopping. O shopping aprovou, meu pai emprestou o dinheiro e inaugurei o Eco. Após um ano sendo um sucesso, principalmente pelas festinhas infantis completas e afetivas, sem pompa, para a criança brincar mesmo.
O Eco Club Kennedy nasceu através de uma filial cedida para minha irmã e depois organizada como franquia. Depois de um tempo, criei o Eco Clube Casa na Aldeota, com o perfil mais clássico para casa de festa, mas com os mesmos posicionamentos, de ser uma festa exclusivamente por família, com alimentação feita por nós, com bastante recreação, decoração… Uma casa bem que não precisaria de grandes intervenções.
Depois de 5 anos, precisávamos decidir se continuávamos no shopping no mesmo lugar e tamanho ou se aumentávamos nosso espaço. Resolvemos ir para o Cocó, mas logo depois veio a pandemia da Covid-19, que foi o nosso grande desafio, porque tivemos que fechar a unidade da aldeota, demitir funcionários, e ficar sem renda alguma.
Frisson: Mais do que um espaço de festas, o local investe no “eco”. O que te fez investir nesse lado da sustentabilidade?
Nyeli Pessoa: É minha crença. Eu me preocupo muito com o mundo, com o que estamos deixando para nossos filhos. O significado de ter apropriado o termo ECO é de passar valores e executar ações sustentáveis na empresa. Para as crianças, sempre incluímos brincadeiras de reciclagem, horta, boneco ecológico… Na empresa, reciclamos lixo, não permitimos foguete de papel, balões látex até 200 unidades (em geral). Não trabalhamos com descartáveis, somente vidro.
Para as crianças, oferecemos copos de plástico, que se usa várias vezes. Quando as mães não gostam, oferecemos o descartável. Já os alimentos, os utilizamos para compostagem ou para alimentação de animais em sítio. O óleo que frita os salgados viram sabão.
Frisson: Você resgata brincadeiras de antigamente. Como observa a aceitação das crianças, que tanto já estão com acesso às telas, em relação a essas brincadeiras?
Nyeli Pessoa: São muito bem aceitas. É só incentivar e ter com quem brinque com elas. Elas nem lembram que existem telas.
Frisson: Quais são os valores do Eco Clube?
Nyeli Pessoa: Trabalhar por amor, afetividade nas relações, sustentabilidade, simplicidade… Não gostamos e não fazemos aquelas festas megalomaníacas, que se fazem lonas e tecidos para se usar somente uma vez, que a criança não se diverte porque fica só tirando foto. Não vendemos esse tipo de festa.
Frisson: Como você driblou a pandemia? E quais são as precauções que ocorrem hoje?
Nyeli Pessoa: Fizemos uma série de melhorias, mais investimento na melhoria das edificações, treinamento, uniformização, cozinha, publicidade… Enfim, muito trabalho e retorno do capital para a empresa, sem retirada de lucro, só trabalhando na consolidação. E veio. Hoje em dia, temos mais festas do que dias, fazemos três por dia. E, infelizmente, deixamos de atender clientes infelizmente por falta de data. Não vemos esse volume todo em outros espaços. Sabemos que é sucesso e é mérito nosso.
Frisson: Como está sendo essa ampliação para o processo de franquias? E que tipo de pessoas estão qualificadas para a comprar uma franquia?
Nyeli Pessoa: Ainda não estamos vendendo e nem vamos iniciar o processo até finalizarmos com o Sebrae. Investimos em uma consultoria do Sebrae voltada à profissionalizar a empresa e deixá-la organizada para a franquia. Estamos com os pés bem firmes no chão. Não criamos expectativas em relação a esse projeto, apesar de que pesquisas apontam que as únicas empresas de parque e casa de festa que franquearam seus serviços encontram-se no eixo Rio e São Paulo. Nada no Nordeste ainda.. Os que já se aventuraram, fizeram de forma amadora, não tendo êxito.
Frisson: Quais são os planos do Eco Clube em 2023?
Nyeli Pessoa: Consegui fazer retiradas (risos). E executar o projeto de franquias.
Frisson: E fora do Eco Clube, quem é a Nyeli?
Nyeli Pessoa: Sou uma mãe amorosa com um filho já adolescente. Um desafio grande. Tenho meu marido, que está ao meu lado. Viajamos bastante para descansar. E sou a filha grudada da minha mãe e sócia, dra. Eliane (a chamamos assim) e da minha irmã, Renata Pessoa. Somos bem unidas.
Confira as fotos
Fotos 1–12 de 17
















