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ASSEMBLEIA GERAL

Análise de conjuntura da CNBB considera Bolsonaro entrave e avalia retorno de Lula para 2022

Bispos estão reunidos em assembleia geral.

13 de abr. de 2021 - 16:08

A 58ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil realizada nesta semana. de 12 a 16 de abril acontece em formato virtual. Como nos encontros anteriores, o trabalho teve  incício com uma análise de conjuntura, baseada em um texto de 32 páginas que não economiza nas críticas ao Presidente Bolsonaro, ao mesmo tempo que faz um afago a Lula, quando o texto cita o seu retorno para a corrida eleitoral de 2022. 

A palavra igreja aparece uma única vez, quando justifica a eleição dos temas escolhidos para a referente análise. "Diante de um quadro muito complexo, com tantas questões que podem fazer parte dele, o esforço desta análise de conjuntura prioriza alguns temas e deixa outros para um segundo momento. Destaca-se a pandemia, a economia e a política brasileira, com alguns elementos culturais e sociais. Importa, neste caso, oferecer subsídios para uma posição da Igreja do Brasil, sobretudo em um contexto no qual o Povo de Deus sofre com a doença e a fome". 

Entre as muitas críticas ao Governo Federal, o texto que serve de base para alinhamento dos bispos brasileiros sobre a realidade do país, assevera que "só em dezembro o Governo Federal começou a desenvolver ações concretas em relação à compra de vacinas". Mais adiante, o texto classifica o enfrentamento da crise do Coronaírus no país como, "desastrosa política de combate à doença". 

O  texto oferecido aos bispos como uma leitura de especialistas das Pontifícias Universidades Católicas do Brasil, organizados no grupo de análise da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, não trata sobre a questão preocupante da corrupção responsável pelo desvio de recursos destinados à saúde em tempos de plena calamidade pública. 

O termo é citado apenas  na parte em que busca estabelecer realação entre o Bolsonarismo e o Lavajatismo, referência negativa à operação Lava Jato responsável pela prisão de gigantes do clarinho branco. " A questão política e o uso do combate à corrupção, contudo, não permite que se jogue fora o bebê junto com a água do banho. Há muito em jogo. A dimensão estrutural do controle da corrupção é, na verdade, um problema do controle do poder", diz o texto endereçado aos mais de 400 Bispos do Brasil. 

Confira alguns trechos do documento de análise de conjuntura da Assembleia Geral dos Bispos do Brasil.

"Vivemos a experiência de um governo de extrema-direita. Para compreendê-lo é preciso refletir sobre as tendências autoritárias estruturais que estão incrustradas na sociedade brasileira desde o período escravocrata e que nunca foram superadas".

"Há mais generais no governo Bolsonaro que no governo da Venezuela".

"O fascínio por armas expressa, entre outros, a face militarizada do bolsonarismo. Acrescente-se aqui a relação estreita de Jair Bolsonaro, sua família e do bolsonarismo com as polícias e as chamadas milícias".

"Bolsonaro é como seus colegas Erdogan, Putin, Orbán e o então presidente Trump que ou desativaram o Parlamento e a Justiça ou estão em constante conflito com eles".

"Há um componente pseudorreligioso, expresso no culto de Bolsonaro como o Messias do Brasil. Para sua claque, Bolsonaro é o 'salvador da pátria'".

"Aqui entra em cena a perigosa relação do bolsonarismo com o cristianismo, principalmente com os segmentos neopentecostais do catolicismo e do universo evangélico. São grupos fundamentalistas, baseados na teologia da prosperidade (que é um bálsamo para o neoliberalismo) e na teologia do domínio (assentada no pressuposto de que o domínio da terra foi usurpado pelo diabo que, no delírio obscurantista de certos grupos religiosos, são os comunistas, esquerdistas, socialdemocratas, cientistas, progressistas, feministas, movimento LGBTQI+ etc.); ou seja, Bolsonaro usurpa da pauta moral e de costumes para suscitar engajamento e adesão dos bolsonaristas nas redes sociais ultraconservadoras e fundamentalistas".

"Fica evidente o negacionismo dos bolsonaristas em relação à pandemia, às mudanças climáticas e às políticas ambiental (Ricardo Salles), do ex-ministro das Relações Exteriores (Ernesto Araújo, um católico olavista), Educação (Milton Ribeiro, um pastor presbiteriano) e da Mulher, Família e Direitos Humanos (Damares Alves, pastora evangélica neopentecostal)". 

"Bolsonaro encarna também um preconceito de caserna segundo o qual o comunismo é um perigo para o Brasil". 

" Desde o início da epidemia, o governo brasileiro tem adotado uma postura equivocada de subestimação da doença e de desprezo com o sofrimento da população".

" Podemos afirmar, sem medo de cometer injustiças, que muitas mortes e sofrimento de famílias poderiam ter sido evitados. Esse desgoverno e a situação histórica de desigualdade social brasileira refletida na sua imensa parcela de população em situação de pobreza tornaram-se os principais ingredientes dessa dramática crise sanitária, econômica, humana, social e política".

" A ineficiência do Governo Federal, primeiro responsável pela tragédia que vivemos, é notória". 

" É neste quadro, de fome, doença e de desgovernos que somos convidados à experiência de propor mais unidade e uma profunda e resistente união do coro dos lúcidos, expressão tão precisa quanto necessária, suscitada pelo Pacto Pela Vida e Pelo Brasil. O Povo de Deus necessita de um compromisso e de mais comprometimentos. Diante das diversas tensões que estão presentes em toda a complexa realidade brasileira, o caminho é construir pontes e diálogos, tarefa dos cristãos e de todos de boa-fé".

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