
A forma como tu percebes a vida produz em ti uma tal disposição para querer continuar ou até para querer desistir, que não depende totalmente de ti o que certos elementos podem provocar, a partir da percepção que tu, em relação a eles, possas ter ou vires a neleste empenhar. A forma como tu percebes o mundo resultará num posicionamento diante dele, a partir de determinada maneira. Se tua percepção do mundo for positiva, também positivas serão as relações dadas e, mesmo que elas venham sob o crivo do que pode te decepcionar, uma lição igualmente positiva delas haverás de ter. Por isso, é necessário trabalhar, primeiramente, a tua disposição em relação aos próprios acontecimentos; é preciso que tu queiras, primeiramente, inteirar-te acerca das coisas que em ti precisam ou não se integrar. Se tu estiveres integrado, o mundo para ti se apresentará como inteiro, não dividido, não persecutório, alienado; se tu estiveres, em alguns pontos da tua vida interior, dissipado, largado, alquebrado, em descontinuidade, enfim, não integrado, o mundo se apresentará para ti hostilizante, e tu, nele, hostilizado, em igual descontinuidade. A depender de tua percepção, resultará a tua disposição em relação ao que tens diante de ti, ao teu derredor, ratificando ou retificando nós.
Se alguma coisa em tua vida tiver sido marcante e, por isso, bloqueado em alguma área tenhas sido, naturalmente não positivas serão tuas disposições e reações em situações semelhantes. Toda vez que algum de seus elementos (con)figurantes for evocado, terás reiterada a oportunidade de superação ou reincidência nos mesmos pontos da não resolvida questão, a depender de tua disponibilidade face a cada novo dado. A continuar dessa forma, nada mais se teria senão repetir o que já tiver sido passado e que não deixa o novo acontecer. Há, pois, que se trabalhar tua disposição interior acerca de determinados acontecimentos, que resulta em uma forma própria de encarar a vida, como uma anterioridade da qual procede uma seqüência de atos a serem continuamente renovados.
Considerando que tudo se dá num estado inicial e permanente de inacabamento, em constante aprimoramento, há que tudo se burilar, malgrado seja boa a matéria-prima em sua raiz. Tu precisas aprender com os acontecimentos e fazer em ti mesmo renovados aprimoramentos. Só tens duas saídas: ficar a te lamentar e a procurar ouvidos que queiram te ouvir, lugar de quem procura quem seja capaz de se compadecer de si; ou fazer um enfrentamento, pela superação daquilo que para ti tiver sido marcante. Nessa superação, tu terás condições de trabalhar tanto o que concerne à estrutura ou à dinâmica de uma questão especificamente dada. Podes escolher entre ficar a um passado afixado, ou integrar a lição que ele te traz e continuar a fazer a caminhada, sabendo que o que surgir a partir dali, dependerá, em grande parte, de ti. A forma como tiveres de vivenciar cada nova questão está em ti. É teu fazer esta opção: ver o mundo dividido, e, então, em ti e a partir de ti, tudo estará partido; ou então tu te decides por integrar e, integrado, terás uma chance de melhorar a tua própria percepção e fazer o novo vir a se dar.
Está em ti a opção que vais tomar.
Padre Airton Freire















