
A triatleta cearense Vittória Lopes, de 23 anos, é medalhista dos Jogos Pan-Americanos. Em 2020, ela se prepara para mais um momento único em sua carreira: as Olimpíadas de Tóquio. Antes de embarcar, ela nos recebeu para uma entrevista exclusiva. “Espero que as coisas mudem e o reconhecimento venha cada vez mais. Talvez, culturalmente, a gente tivesse que ser mais esporte, porque esporte é tudo na nossa vida, né? É educação, enfim. Mas, em termos de reconhecimento, poderia ser melhor na nossa terra. Não que seja muito ruim. Mas eu sinto que, em termos de Sul e Sudeste, é melhor, sabe? Só que a gente vai mudar isso”, argumentou. Confira:
Como atleta, como é para você saber que, ano que vem, vai participar do maior evento esportivo do mundo?
Receber esse reconhecimento do Ceará é sempre muito gratificante. É muito longo o caminho para a qualificação olímpica. Mas ainda bem que deu certo. Foi muito suor e muita dedicação. E eu consegui a vaga para poder representar o meu Estado. É só motivo de alegria representar o meu Estado e o meu País. É isso. Eu estou bastante feliz!
Com relação a ranking, não vai mudar muita coisa daqui até a véspera da competição, não é isso?
Não. Basicamente, estou classificada. Vai finalizar em maio, mas, com a quantidade de pontos que eu tenho, já é ok, estou garantida (risos).
O que muda em sua preparação para as olimpíadas?
Muda bastante. Agora, embora eu esteja de férias, estou treinando todos os dias (risos). Mas é muito legal correr e ver gente da sua cidade. É legal ter esse contato, esse calor humano. A partir de janeiro, começo com todo o foco para as olimpíadas. É isso. E, até julho, vou estar 100% pensando em Tóquio.

Quando você diz que “está férias, mas está treinando”, o que significa este “treinando”?
(Risos) Antes daqui, já corri uma horinha no parque do Cocó.
No Sul e Sudeste, você é, indiscutivelmente, mais reconhecida do que aqui na sua própria terra. Isso é lamentável. Como você analisa isso?
Eu não sei. Mas espero que as coisas mudem e o reconhecimento venha cada vez mais. Talvez, culturalmente, a gente tivesse que ser mais esporte, porque esporte é tudo na nossa vida, né? É educação, enfim. Mas, em termos de reconhecimento, poderia ser melhor na nossa terra. Não que seja muito ruim. Mas eu sinto que, em termos de Sul e Sudeste, é melhor, sabe? Só que a gente vai mudar isso (risos).
Se Deus quiser! E, vindo de uma família super tradicional no esporte, como é essa relação profissional?
Uma honra. Vou dar um exemplo. Se eu estou muito cansada e tenho que acordar um dia quatro horas da manhã para correr, minha mãe vem me ajudando e sendo quase um combustível para mim. E muitas vezes minha mãe e meu pai são meu suporte diário para fazer minhas atividades. Desde criança, acompanho e vejo tudo sobre natação, sei tudo do esporte. Isso é muito natural para mim.
Em seis semanas, por onde você passou?
Peru, Japão, Portugal, Suíça e França.
Que bacana! Vittória, obrigado pela entrevista. E boa sorte em Tóquio.
Obrigada! É muito legal representar a nossa terrinha. Acredito que vai dar só alegria!















