
Nobreza é o que vamos ver na entrevista da semana da Frisson. Fomos até o escritório do empresário Evandro Melo saber um pouco mais da história de sucesso dele. E que história! Ousado, inteligente, visionário, sensível e extremamente humano, ele abriu seu coração e nos comprovou que é, sim, possível ser executivo e não se deixar levar pela frieza do mundo business. “Acredito piamente na teoria do ganha-ganha, onde, para um ganhar, o outro não tem obrigatoriamente que perder. Inclusive, faço parte de um grupo com outros proprietários de agências, onde nosso objetivo maior é trocar ideias sobre o segmento e nos ajudarmos”, afirmou. Confira a seguir:
O senhor deixou de lado uma carreira estável de concursado para empreender! O que pesou naquele momento para essa decisão?!
Desafio e paixão. Essas sempre foram minhas palavras de ordem e são as molas que me impulsionam até hoje em direção ao que ainda não conheço, ao que me assusta, ao que me dá frio na barriga. Em determinado momento dessa minha carreira estável, eu consegui entender que um bom salário e uma futura aposentadoria tranquila, estavam longe de ser os pilares mais importantes na construção daquilo que poderia me fazer feliz. Quando me perguntavam se eu tinha certeza de que estava fazendo a coisa certa, eu respondia categoricamente que não. Não tinha certeza se valeria a pena abrir mão de toda aquela pseudo segurança, mas tinha muito clara a certeza de que não valeria mais a pena ficar. Meus sonhos não cabiam mais atrás de uma mesa, num departamento da presidência do Banco do Brasil.
De lá para cá, há mais arrependimento ou orgulho do caminho percorrido? Por quê?
Arrependimento? Nenhum! Ao decidir que uma carreira estável não seria a tradução maior de felicidade em minha vida, optando por percorrer um novo caminho, eu sabia os riscos que correria. O caminho não foi o mais curto nem o mais fácil para chegar aqui, mas me orgulho de cada passo, de cada queda e de cada uma das vezes que tive que me reerguer. Todo esse percurso tem uma importância fundamental no processo de lapidação da pessoa resiliente em que tenho me transformado. Até aqui, me trouxe o Senhor, e estou certo: o melhor estará sempre por vir.
Como superou as adversidades do momento ao longo de sua carreira?
Fé, amor e trabalho. Deus, minha família e meus amigos sempre compuseram a tríade da minha maior fortaleza. Sem eles, nada faria sentido, em tempo algum. Desde cedo, eu entendi que tudo o que vier para minha vida será sempre muito bem-vindo. Aquelas coisas que forem boas, que permaneçam. As que não forem tão boas assim, vamos dar um jeito de vencê-las. Nós costumamos achar incrível o camaleão que muda de cores para se camuflar diante do perigo, mas nós não somos diferentes. Temos uma capacidade de transformação tão grande dentro de nós através da fé, que rio nenhum será tão profundo e nenhuma caverna tão escura o suficiente para barrar aquilo que tem que chegar até você. No final, tudo sempre foi e será benção ou lição. Aprendizado.
De que maneira analisa o segmento de agências de viagens daqui de Fortaleza?
Como acontece em todos os segmentos de um mundo capitalista, com as agências de viagens, não seria diferente e não se aplica só ao mercado de Fortaleza. Existe a concorrência desleal, a falta de respeito, a falta de unidade e, principalmente, a falta de profissionalismo. Até bem pouco tempo atrás, a profissão de agente de viagens sequer era reconhecida pelo Ministério do Trabalho, o que, de certa forma, atrasou em muito a migração do agente mero emissor de passagem aérea à condição de verdadeiros consultores de viagens, profissionais capacitados e capazes de fazer o cliente sonhar de olhos abertos, antes mesmo de chegar ao seu destino.
Como a Escape Tour dribla as ações da concorrência e busca fidelizar a clientela?
Não driblamos. Seguimos juntos. Acredito piamente na teoria do ganha-ganha, onde, para um ganhar, o outro não tem obrigatoriamente que perder. Inclusive, faço parte de um grupo com outros proprietários de agências, onde nosso objetivo maior é trocar ideias sobre o segmento e nos ajudarmos, no que for preciso, com intercâmbio de expertises. A concorrência é uma das ferramentas mais salutares na vida de qualquer profissional. É a força motriz, o combustível que nos faz querer transformar a Escape Tour não em uma agência melhor que as demais, mas, sim, na melhor versão possível dela mesma, a cada dia. Focamos na atualização constante de tecnologias, que nos permitem um poder de resposta cada vez mais rápido aos nossos clientes e não abrimos mão da qualidade dos nossos serviços e atendimentos personalizados como diferencial, uma vez que os produtos oferecidos por todas as agências são exatamente os mesmos.
De que forma sua empresa atuou para não se definhar com a crise econômica nacional?
Foi no meio da crise que aprendemos a enxergar novas oportunidades de crescimento, através da melhoria de processos já obsoletos, otimização e redirecionamento de focos/nichos de mercado. Se não queríamos sucumbir às dificuldades com as quais nos deparamos, não podíamos continuar onde estávamos e como estávamos. Tivemos que nos reinventar e por em prática a melhor estratégia para qualquer crise, que é a TBC (tirar a bunda da cadeira). Fizemos isso e fomos ao encontro dos nossos clientes para fortalecermos parcerias antigas e, principalmente, definir estratégias eficazes de prospecção de novos clientes. Tem sido um exercício diário que tem valido muito a pena.
Falando nisso, como empresário e cidadão, de que maneira analisa o atual momento político brasileiro?
Triste, muito triste. Como cidadão, por ter que assistir diariamente notícias em que nosso povo padece em portas de hospitais por falta de atendimento, que nossas crianças seguem com uma educação precária por falta de escolas e que a estatística do crime cresce em progressão estratosférica, a cada dia, por falta de segurança. Como empresário, me vejo como um eterno aprendiz de como vencer e sobreviver a cada desafio que que bate à nossa porta diariamente. Somos reféns de uma carga tributária abusiva sem qualquer contrapartida na melhoria de infraestrutura de base e políticas de incentivo ao mercado empreendedor. É preciso ser muito resiliente para se manter firme diante de tantas dificuldades externas à empresa e em meio a uma das maiores crises que a história do Brasil já teve o desprazer de vivenciar. O que eleva toda essa situação à potência máxima de indignação é saber que tudo seria diferente se não fôssemos um povo tão corrupto, onde, para os poucos que nos governam, não basta ter muito dinheiro, mas querem o dinheiro do mundo todo, não importando nem mesmo o número de vidas que terão que pagar por isso. Mas, como bom brasileiro que sou, sobrevivente de outras grandes crises, não perco jamais a esperança de ver um país com mais igualdade de condições para todos.
Quando o estresse do cotidiano chega, o que você faz para descansar a mente e desopilar?
Viajar, viajar e viajar sempre. Não importa se para um casa de praia ou para o lugar mais longínquo do globo terrestre. Sair do lugar comum é a forma mais eficaz de relaxar corpo, mente e coração. Sou suspeito para falar sobre o assunto, mas viajar é o maior investimento que você pode fazer em você mesmo. É como que alimentar a alma com um banquete preparado por Deus, servido em pequenas porções a cada viagem.
O que faz para manter a saúde física, mental e espiritual?
Para a saúde física, faço treinamento funcional três vezes por semana. Para a saúde mental e espiritual, adotei como mantra em minha vida a conjugação diária de quatro verbos: “entregar, confiar, aceitar e agradecer”. Esta prática tem me levado a uma conexão cada vez próxima com Deus, em todos os instantes da minha vida, e ensinado a caminhar no sentido de fazer com que minhas ações sejam cada dia mais congruentes com minhas palavras.
Nas horas livres, o que mais gosta de fazer?
Minhas melhores horas livres são aquelas em que estou na companhia de minha família ou dos meus amigos. Como eu tenho a melhor família e os melhores amigos do mundo, estando com eles, será sempre o melhor lugar que eu poderia estar fazendo o melhor que eu poderia fazer. Fora isso, sempre fui um apaixonado por fotografia e, agora, estou voltando à sala de aula para buscar um pouquinho mais de técnica e, assim, poder registrar essas minhas horas livres com quem eu amo, com mais qualidade.
Para os próximos cinco anos, o que espera da vida pessoal e profissional?
Profissionalmente, espero ver em pleno funcionamento alguns projetos que estou desenvolvendo para a Escape Tour e outros que pretendo levar paralelamente. Uma amiga me falou, tempos atrás, que, em alguma época da nossa vida, somos despertados a buscar uma segunda profissão. Acho que essa época chegou e estou, mais uma vez, à caça de novos desafios, atrás daquele frio na barriga, do medo do desconhecido, porque como me disse, outro dia, um grande mestre especialista em sonhos: “Se seus sonhos não lhe colocam medo algum, não são sonhos grandes o suficiente para você”. Na vida pessoal, quero estar vivo (risos), não diria mais velho porque eu tenho uma vocação enorme para ser jovem (e só aumenta com o passar dos anos), mas, com cinco anos de histórias a mais para contar, muitas viagens a mais no currículo, procurando fazer feliz quem andar comigo e tocar, de alguma forma, o coração daqueles que cruzarem meu caminho. Eu entrego, eu confio, eu aceito, eu agradeço.
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