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Rachel Maia e o sucesso da Pandora

02 de mai. de 2016 - 09:55
Rachel Maia e o sucesso da Pandora

Deixaremos para vocês, caros leitores, tirarem suas próprias conclusões acerca da nossa entrevistada – e que entrevistada! – da semana na coluna Frisson. Com passagem pela 7-Eleven e Tiffany, Rachel Maia é, atualmente, respeitada executiva que vê seu próprio nome se confundir com o sucesso da Pandora no Brasil. A seguir, confira um papo exclusivo, revelador e interessante da mulher que, além de capacitada e inteligente, possui outra qualidade admirável: ser mãe da pequena Sarah Maria!

Vamos começar com uma questão delicada, mas que faz parte da história do nosso País: a senhora sentiu na pele, em algum momento da sua trajetória, preconceito por ser mulher e negra?

Essa é uma pergunta bem interessante. Eu gosto, na verdade, de mostrar as minhas qualificações. O mercado está para quem tem as qualificações. Eu não posso ignorar a questão de fazer parte de um país que tem um preconceito velado. Não ignoro isso, enfim. Por muitas vezes, recebi um olhar me questionando por que eu estava ali. Mas eu sempre convertia aquele olhar em respostas precisas, objetivas e mostrando os meus estilos. Não necessariamente só no mundo executivo, mas no mundo de uma forma geral. A minha resposta é sempre com as minhas ações! Não de forma agressiva, mas mostrando em ações a minha qualificação para testemunhar o porquê eu estou onde estou. Não ressaltando a diferença na cor da pele, mas ressaltando, sim, as qualificações que cada um tem.

Qual a principal lembrança da sua infância ao lado do seus pais e dos seus sete irmãos?

Olha, a minha infância foi muito boa! A gente ganhava brinquedos no dia das crianças e no Natal. A minha casa foi a primeira da rua e do bairro a ter telefone. Meus pais sempre foram pessoas muito esforçadas. Meu pai trabalhou 37 anos na mesma empresa. Mesmo sendo uma família de mais sete irmãos e outros dois primos que minha mãe criava, nós sempre tínhamos almoços dominicais, que, para mim, eram sempre um grande evento. Eu ficava mais próxima dos meus primos, a minha casa ficava mais cheia do que de costume, além do que a festa sempre acontecia lá. Minha mãe sempre foi uma pessoa agregadora, conciliadora. Então, essa imagem de sempre estar comungando, mesmo que seja um motivo simples, era festa. As boas lembranças que eu tenho da minha infância sempre foram os períodos de festa, que eram recorrentes.

Seu pai viveu por 37 anos no mundo da aviação. A senhora tem licença e foi aceita pela Varig, embora nunca tenha exercido a função. Por que não seguiu esse caminho?

Na verdade, eu já tinha decidido ser comissária. Eu não tinha muita dúvida nisso, não. Acontece que meu pai tinha um bom conhecimento do cargo e da empresa em que trabalhava. Então, meu pai, por ser uma pessoa muito simples e que teve oportunidade de estudar só depois que ele veio para São Paulo, isso era uma questão básica para ele. Filho do meu pai tinha que estudar e concluir a faculdade. Uma questão, para ele, de honra. E como eu era a mais nova, então, por que a mais nova não queria cumprir isso??? Eu sempre tive uma admiração tremenda pelo trabalho dele na aviação. Então, onde se encaixava uma mulher naquele ambiente? Era como comissária. Fiz dois meses de curso para tirar minha licença de voo, fui aprovada. Também fui aprovada na Varig e ia começar depois de um mês e meio. Mas isso calhou com o tempo de vestibular. Meu pai chegou e disse: “filho meu faz faculdade. Depois da faculdade, você escolhe o que você quer fazer”. Daí, eu tive realmente que estudar.

O que o curso de Ciências Contábeis significa em sua vida?

Foi fundamental. Quando eu comecei a fazer o curso de Ciências Contábeis, eu comecei a fazer contrariada. Meu sonho, naquele momento inicial, era ser comissária, mas eu tinha que estar na faculdade. Depois, eu comecei a navegar em novos mares. E aí, eu comecei a trabalhar nesse universo de Ciências Contábeis. Gostei desse universo, eu me encontrei e decidi: é aqui que eu quero ficar!

Como define sua experiência como monitora de um projeto jovem aprendiz em uma creche pública?

Sempre tive espírito desbravador. Sempre quis olhar a próxima página, nunca me contentei em olhar a página que estava todo mundo lendo. Eu estava fazendo curso técnico num colégio chamado Albert Einstein e daí surgiu essa oportunidade. Eu sempre quis ajudar, eu sempre quis fazer diferente. Eu trabalhei dois anos na creche.

Sobre sua trajetória na 7-Eleven, o que mais te marcou?

A 7-Eleven  foi a primeira empresa onde eu tive um cargo de gestão, onde eu pude aprender o que era ser uma gestora, o que era ter o controle de uma unidade de negócios. Eu tinha que explicar, mesmo tão jovem, tudo e muito mais sobre os números, não era apenas operacionalizar. Eu tinha muito a aprender. E tinha muita gente querendo aprender comigo. Então, na 7-Eleven, eu dei os primeiros passos nesse universo de gestão. Eu aprendi demais!

O que te influenciou a decidir passar um tempo fora do País?

Trabalhei sete anos na 7-Eleven e eu sempre tive espírito desbravador. Sempre fui muito antenada com as novidades que vinham de fora. Não aprendi só nos gritos. Aprendi com pessoas que tinham muito mais conhecimento que eu. E eu ouvi histórias que me instigaram a querer alguma coisa parecida com elas. Mas eu não podia, financeiramente falando. Quando a 7-Eleven desistiu de aplicar no Brasil como marca e investimento, eu fiz todo o encerramento daquela unidade de negócios. Eles foram muito gratos comigo e pagaram toda a minha rescisão. E, com isso, apliquei tudo em mim. Daí, fui para o Canadá, saí do Brasil com um curso de 1 ano e 3 meses completamente pago. Fui estudar! E o dinheiro da minha rescisão foi o que custeou o meu curso lá fora.

Como descreve os sete anos em que esteve atuando no comando da Tiffany?

A Tiffany me fez entrar no mundo do luxo! Conhecer o mundo do luxo pela Tiffany me faz entrar pela porta da frente. É um universo people A ou AAA que faz parte da realidade de pouquíssimos. Ver esse outro lado, como uma garota que saiu do subúrbio e tinha um frango para dividir no domingo, e olhar aquele outro universo, eu puder ver dois mundos completamente distintos que eu não sabia como existia. Foi bem bacana. Estar na Tiffany, então, me fez entender o universo de luxo. Eu gostei muito! Gostei bastante. Eu tinha acabado de voltar de Nova York. Existia um universo lá fora, e eles queriam saber como operacionalizar a Tiffany no Brasil. Trabalhei, no primeiro ano, como consultora. Como adaptar a realidade de um luxo europeu e americano aqui no Brasil? Eu trabalhei dessa forma. Foi fantástico!

O que Laura Pedroso significa em sua vida?

Foi a primeira mentora na minha vida. Ela tem toda a gratidão da minha pessoa como profissional do universo de luxo. A Laura Pedroso, com o olhar dela, conseguiu enxergar uma mulher não só de pele negra, mas ela conseguiu ver primeiro as minhas habilidades.

De que forma o seu nome foi incluído para liderar o processo de expansão da Pandora no Brasil?

No meu último ano da Tiffany, eu já havia sido sondada pela Pandora para fazer parte da equipe deles. Quando eu decidi dar um tempo para mim, para eu me reciclar e aprender um pouco mais, já que eu gosto muito de viajar e passar um tempo fora, eu decidi que aquele era o momento para me reciclar e voltar para o mercado preparada. E, assim, passei a fazer parte do time da Pandora no processo de crescimento no País. Depois de alguns meses, montei meu time, minha equipe. Os desafios são muitos, e eu acredito que tenho boa parte da capacidade para fazer as coisas acontecerem. Mas quando me falta esta, Deus me capacita! Eu tenho hoje um time de primeira linha, tanto diretores, quanto gestores e coordenadores. E, acima disso tudo, tenho Deus comigo. Deus é atuante na minha vida!

O que significa a chegada de sua filha, Sarah Maria, à sua existência?

Uma razão para existir! É meu início, meio e fim. A Sarah Maria veio em um momento de vida que eu não esperava. O processo de acreditar que tinha uma vida dentro do meu útero só caiu a ficha depois de três meses. Eu me preparei por nove meses, mas, só depois que a Sarah Maria nasceu, eu comecei a praticar o amor. Eu fui amando e construindo esse amor. Era tudo muito novo e diferente!

Como administra o tempo entre ser mãe e executiva?

No primeiro impacto, assim, vou te falar, não combina. Não combina mesmo! Porque o tempo que você tem para se dedicar a ser executiva é uma loucura (risos). Tem dias em que estou 30%, outros, 50%. O meu lado mãe me “mata”, me consome, me cobra. Mas eu converso com meu Deus e, no final, chego à conclusão de que estou fazendo o melhor para ela! E o qualitativo que eu dou para minha Sarah Maria é meu combustível para começar a próxima! Todos os dias, eu levo a Sarah Maria para a escola e também durmo com ela. Eu tenho que ir para cama com ela e contar uma historinha.

O que a maternidade mudou na sua forma de ver a vida e o mundo?

Primeiro, a respeitar mais a minha mãe. Eu sempre tive isso, mas, depois de me tornar mãe, eu tive um respeito maternal pela minha mãe.

A senhora hoje é parte do sinônimo de sucesso na história da Pandora. Como enxerga tudo isso?

A Pandora celebra as mulheres. E isso está reconhecido mundialmente: celebrar as mulheres com alta qualidade.

A quê atribui o fato de a Pandora aumentar suas vendas mesmo em um período nacional economicamente instável?

Muito boa a pergunta. Gostei! Não é fácil, mas boa pergunta. Assim, nós não ignoramos o período que vivemos, mas não baixamos a nossa qualidade daquilo que oferecemos.

Como vislumbra o futuro da Pandora pelos próximos cinco anos?

Eu espero estarmos com 150 lojas no Brasil. Nós temos grandes expectativas no Brasil.

De que forma analisa o atual cenário político e financeiro do País?

Eu vou te pedir desculpas, mas eu não posso falar do cenário político e econômico aqui do Brasil.

Tudo bem, sem problemas. Olhando para sua carreira, quais as maiores dificuldades superadas e que lições mais foram importantes?

A gente mata um leão por dia para, no dia seguinte, estar tudo certinho. Enfrentar esse mercado, ponderar aqueles que estão à nossa volta, fazer com que a autoestima das pessoas esteja sempre no topo. Dentro das lições, foi ter passado algum momento da minha vida ao lado de pessoas como Laura Pedroso e Daniel Berdathor. Abaixo de Deus, foram pessoas que fizeram diferença na minha vida.

Qual seu produto preferido na Pandora?

Um anjinho de ouro que eu ganhei quando estava no hospital.

Você é uma mulher vaidosa? Como cuida do corpo e da mente?

Sim, sou vaidosa! Eu tenho analista, mentor, personal trainer e coaching.

Para finalizar, o que significa a fé em sua vida?

Olha... Eu tenho a fé de que posso sempre fazer o melhor no amanhã. Eu tenho fé num mundo melhor. Eu tenho fé, eu acredito. Ter fé, para mim, é acreditar que, sim, a gente pode fazer melhor. Ter fé, para mim, é crer que Deus existe em minha vida. Eu creio nisso e falo com testemunho tal. Quando a gente tem Deus em nossa vida, o problema não é visto por uma lente de aumento. O problema é visto como aprendizado!

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