São 14 anos de carreira e um nome consolidado no ramo musical cearense. Depois de se aventurar pela área turística, Gilvan Magno mostrou mesmo a que veio: sua missão é embalar e empolgar momentos especiais. Com canções de primeira, é claro. O entrevistado da semana na Coluna Frisson falou sobre sua trajetória, suas preferências rítmicas e, claro, sobre o número de DJ’s que surgem a cada dia. “Isto é apenas uma jogada de marketing. Digamos que, de todos, 1% se interesse realmente pela carreira e não pela fama”, disparou. Confira o bate papo a seguir:
Sua carreira profissional teve início no turismo. Como foi esse momento?
Sou formado em Turismo pela Universidade de Fortaleza e fiz especialização em Hotelaria. Trabalhei durante 20 anos nesta área, até que tive que optar pela minha carreira, hotelaria ou DJ.
De que forma analisa sua performance como gerente de hotel?
Quando me formei em Turismo, especializando-me em Hotelaria, passei por vários setores da hotelaria, como recepção, setor de reservas, assistente de gerência e, por último, gerência geral de hotel onde atuei por sete anos neste cargo. Sempre dizem que quem trabalha com hotelaria jamais deixa, mas no meu caso foi diferente apesar de gostar muito do que fazia.
Depois dessa fase, o que pesou para você se transformar em DJ?
Teve um período em que trabalhava em hotel durante o dia e à noite tocava em coquetéis, festas e boates, mas a procura da minha atuação como DJ foi aumentando, até que não deu mais pra conciliar as duas funções, optei para o DJ, onde me dava mais satisfação e estabilidade financeira também.
Como foi sua experiência inicial na fase musical?
Em 2000, eu passei alguns meses sem trabalhar e comecei a fazer “bicos”, trabalhando como assistente de duas amigas que eram produtoras de moda e faziam muitos desfiles, na época: Estilo Iguatemi, Mucuripe Fashion, Casa Cor Fashion Day, dentre outros. Estes eventos eram semana de moda em Fortaleza. Como eu sempre gostei muito de músicas, ficava com a parte de editar as trilhas sonoras dos desfiles e daí fui começando a ficar conhecido no meio da moda. Hoje, sou DJ oficial do Dragão Fashion Brasil por 12 anos, sou DJ oficial do Fortaleza Fashion Week por 5 anos e sou o curador musical do Bazar La boutique desde a primeira edição.
Como ouvinte, o que sempre te encantava musicalmente?
Sempre gostei de músicas inusitadas, diferentes batidas, um estilo bem cool e com um gosto refinado que era exatamente o que utilizava nas trilhas de desfiles. Com o tempo, tive que me render às músicas pops para sempre ter em meus sets de festas.
De qual maneira, essa influência contribuiu para sua carreira?
Contribuiu porque tinha esse diferencial de gostar de músicas inusitadas e não de músicas conhecidas pelo público, isso fazia com que as pessoas ouvissem meu som de uma maneira diferente, esse é o meu diferencial.
Atualmente, qual a vertente na qual você consta no mundo de DJs (trance, dance etc)?
Para mim, eu curto muito as músicas no estilo lounge, até porque fui DJ daquela época, anos 2000, que começou a divulgar esse estilo por aqui. Eu posso dizer que fui um dos precursores do estilo lounge, sempre me atraiu muito. Outro estilo em que adoro tocar é deephouse, uma vertente do house, onde sua batidas são mais suaves e geralmente com lindas melodias.

Quais os DJ’s que você mais admira no Ceará, no Brasil e mundo?
No Ceará, tenho muito admiração para o pessoal da cena eletrônica como Rodrigo Lobão, Fil e JP Gonzales, dentre outros. Em termos de Brasil, adoro DJ Même e Zé Pedro. Mundialmente, seriam DJ’s Frankie Knuckles, Freddy Verano, David Morales e Peter Rauhofer.
Com o crescimento considerável de modelos, qual sua avaliação sobre o nível profissional da área?
A profissão de DJ virou moda de uns 10 anos pra cá. Isso fez com que aparecessem DJ’s de vários estilos e figuras diferentes. Acho que, no mercado atual, tem muita coisa boa, muito DJ com técnica, set e “feeling” bom, mas também tem muita gente que até nem curte música, mas quer aparecer de DJ ou se dar bem de alguma forma.
O que acha das celebridades que, de uma hora para outra, decidem se transformar em DJ?
Já dividir as pickups com várias celebridades que se dizem DJ’s. Na maioria das vezes, não sabia nem onde estava a tecla “play”, isto é apenas uma jogada de marketing, trazem atores, atrizes, ex-bbbs, mas só para fotos e divulgação. Digamos que, de todos, 1% se interesse realmente pela carreira e não pela fama.
O que não pode faltar no setlist do DJ Gilvan Magno?
O meu setlist sempre é bem eclético, como toco muito em eventos corporativos, particulares e, às vezes, até temáticos, preciso ter uma gama muito grande de estilos musicais, mas adoro da Madonna a Rita Lee, do Lou Reed ao Thiago Petit, gosto muito de descobrir novos cantores e cantoras, como também gosto de grandes cantores e cantoras de outras épocas.
Qual o momento em que você percebe que é hora de mudar o hit para dar mais ânimo na pista?
Eu tenho sempre aquelas músicas “coringas”, são músicas que todo mundo curte, dança e canta na pista. Então, sempre mantenho guardados para o momento certo se a pista não está bombando.
Você acha que o mercado de DJ’s em Fortaleza ainda precisa se qualificar e se expandir mais? Explique.
Sim, precisa. Já existem bons cursos de DJ’s, mas é necessário profissionalizar mais estes cursos e também fazer com que o profissional seja valorizado e reconhecido e ele mesmo se valorizar.
Há alguma diferença da sua seleção musical para diferentes tipos de festa (aniversário, casamento etc)?
Existe, sim, para coquetéis e eventos que me deixam tocar os estilos que acho que cai bem para o momento dependo do público, do local e até mesmo do horário em que você está tocando. Quando sou contratado para tocar em festas de casamento ou aniversário, fazemos uma reunião antecipada ou com os noivos ou a pessoa responsável pelo evento para discutir quais estilos eles preferem e quais estilos agradariam o seu público.
Que tipo de música você gosta de ouvir no carro, em casa e nos momentos de lazer?
No carro, escuto muito os meus estilos preferidos, que seriam lounge e house. Vai depender do momento em que estou dirigindo e para onde estou indo. Em casa, gosto de ouvir CD’s e discos de vinil antigos que coleciono e tenho maior ciúme. Adoro acordar e por um som que não escuto há anos, me faz sempre lembrar bons momentos, pois perfumes e músicas são coisas que marcam momentos e pessoas.
Como espera que esteja sua vida profissional e pessoal daqui a 10 anos?
Já estou com 14 anos na carreira de DJ. Hoje em dia, vivo disso e essa é a carreira que me sustenta. Espero que, nos próximos anos, eu abra uma empresa de eventos relacionada com a área musical mesmo. Na verdade, daqui a 10 anos, espero estar com muita paz e felicidade.
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