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MÚSICA

Dj Morr: um apaixonado pelo que faz

02 de ago. de 2013 - 13:41

Não é à toa que o DJ Morr, hoje, é uma das referências locais quando se fala em música eletrônica. Mas para chegar onde está e ter o nome que tem, o caminho foi longo e nada fácil. A começar pela carreira na área de Direito, na qual chegou a se formar, e que ele teve que abrir mão para seguir sua paixão pela música e se tornar um DJ profissional.


Aí já se vão mais de 12 anos dedicados a fazer o que ama e construindo uma carreira cheia de conquistas e que não para. E para conhecer um pouco da sua história, de seu dia a dia, de como é seu lado família, profissional e seus planos para o futuro, entrevistamos o Ronaldo Navarro Gondim Júnior, mais conhecido como DJ Morr. Depois de todas as revelações a seguir, você vai admirá-lo ainda mais.


Qual o seu nome de registro?
Ronaldo Navarro Gondim Junior

O que fazia antes de ser um dos mais badalados DJs da cidade?
Hehe, deixo o badalado por sua conta. Sou formado em direito, atuava na área, terno e gravata no dia a dia, mas não durou muito, logo a paixão falou mais forte e o hobby virou profissão.

Como começou a história do DJ Morr? Quando e como descobriu essa paixão?
Toco tem 12 anos já, começou como hobby, pois meu envolvimento com a noite e a música eletrônica, tem 17 anos. Antes ficava nos bastidores, na produção de eventos, que é outra das minhas “profissões”. O interesse de tocar veio logo antes de vir morar aqui em Fortaleza, cresci em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e lá trabalhava já com produção de eventos e festas de música eletrônica, quando vim pra cá, trouxe o hobby comigo, e tocava pra mim, sendo frequentador assíduo de festas. Então, foi quando houve um revés na vida que eu levava. Era estagiário de Direito, estagiava para a Polícia e para um Desembargador, posteriormente uma Juíza. Esta era minha vida, terno, gravata e audiências, porém, quando me formei mesmo, quis romper todo o vínculo financeiro com meus pais, e fui atrás de ganhar dinheiro com o que sabia fazer para me sustentar. E foi assim que o que era hobby virou profissão, e o mundo do Direito foi ficando de lado até que parei de exercer e decidi me tornar um DJ profissional. 

E como aconteceu a escolha do nome artístico?
O nome Morr, tem a ver com um trabalho que faço hoje, de identidade musical, sou responsável pela identidade musical de várias empresas, supermercados por todo o Estado, hotéis aqui no Nordeste, restaurantes, academias, shoppings. De início, o nome Morr veio da associação do primeiro nome que dei pra este projeto “morr+music” que remete a “mais música” e significa levar a música certa ao ambiente, não necessariamente comigo tocando, mas através de CDs, pen drives, e até mesmo através da internet, como faço hoje com algumas empresas. Pra você ter noção, durante uns dois anos eu era responsável pela noite brasileira de um restaurante em Otawa, Canadá. Na época, enviava a trilha da festa, toda mixada e pensada em todos os momentos da festa, via ftp, eram quase 2 dias só pra enviar.

Quais dificuldades enfrentou no início da carreira?
Dificuldades sempre existem né? Tenho uma base familiar forte e sólida, na qual me inspiro todos os dias. Com certeza eles foram fundamentais pra que hoje eu esteja trabalhando no que gosto. Meus pais e meu irmão são e foram indispensáveis. Foi impactante para os três no início, ver o filho mais velho formado em Direito e plenamente engajado abandonar a carreira para ser DJ. Mas quando mostrei o que fazia, como fazia e o retorno que tinha e poderia ter, eles aceitaram e me apoiaram.
Com relação a dificuldades na profissão, quando comecei, era bem mais difícil, tínhamos bem menos facilidades, não tinha “mimo” nem mordomia, às vezes quase não aparecíamos, já lutei muito exigindo meu nome no flyer da festa, e exigindo ser tratado como artista.

Qual o estilo de música que você toca?
Hoje eu venho desenvolvendo a característica de me adaptar a necessidade do evento, o que não quer dizer que toque de tudo. Em cada evento, junto com o cliente, vamos atrás do perfil, do foco, da necessidade do evento, seja particular ou corporativo.
Agora, o que eu gosto de tocar, o estilo que me especializei e que me destaquei na cena eletrônica como sendo um dos nomes de referência é o Electro e suas variações, tanto mais conceituais e específicas como Dutch, Fidget como mais comerciais, o Electrohouse e o que chamamos de EDM hoje.

Como funciona a escolha do repertório de um evento?
Busco focar na necessidade do cliente, e o que ele espera do evento. Baseado nestes pontos vem a pesquisa e algumas outras referências para que o resultado final seja atingido.

O que não pode faltar no seu repertório?
Alegria, animação, sorriso no rosto, independente do tipo de evento.

O que uma música tem que ter ou ser para entrar nele?
Se adequar ao momento. 

Qual a sensação de comandar uma pickup e ver uma festa ferver?
É bem gratificante. Nos anos de carreira que tenho são várias as sensações que vivenciei nos eventos. Tocar para 30 mil pessoas é sensacional. Fazer um casamento, 15 anos, onde participo de um dos momentos mais importantes da vida das pessoas é fantástico.

O que mais te agrada e desagrada no seu trabalho?
Me desagradam os aproveitadores, pessoas que não conseguem subir sem ter que pisar em outras, mas isto tem em toda profissão e nem vale a pena prolongar ou pensar nelas. O que me agrada é fazer de um cliente um amigo ou um parceiro. E com certeza, nada supera alguém que você nunca viu na vida chegar pra você e dizer que você foi bem, que gostou do seu som.

Qual estilo musical você gosta de ouvir? Diga-nos suas músicas prediletas.
Bossa nova. Samba De Duas Notas, Samba do Soho me deixam de bem com a vida em 5 minutos.

Trabalhar na noite às vezes sacrifica um pouco o lado família. Isso acontece com você? Como concilia trabalho e vida pessoal?
Saber conciliar é uma arte. hehehe. Costumo dizer que tenho um estilo de vida diferente do resto das pessoas, meu relógio biológico gira diferente, e pra saber conciliar é preciso deixar claro isso pras pessoas que convivem com você. Hoje sou um cara de bem com a vida, sou casado e achei a pessoa que me completa, que me entende, que entende minha profissão, que até me ajuda me alertando sobre determinados eventos, e me dá dicas também sobre eles.

Tem alguma preparação antes dos eventos e antes de “entrar em cena”?
Preparação é fundamental para uma noite. Revejo todos os meus equipamentos, faço checklist de tudo antes de sair de casa, inclusive do material que vou tocar. Tenho backup de tudo (vários, para evitar a “lei de murphy”) e na hora de tocar mesmo. Rezo três pai nossos e três ave marias, agradeço por estar naquele local, naquele momento, por toda a estrada e peço a Deus que me ilumine pra que dê tudo certo. 

 
O que costuma fazer nas horas de lazer?
Curtir minha esposa, meus amigos, minha família, jogar videogame, assistir filmes.

Qual o roteiro de viagem dos seus sonhos?

Acho que já foi, por todo o contexto que envolveu, minha lua de mel. Foram 15 dias em Londres e Paris, foi inesquecível por tudo o que envolvia a viagem. Acho que vai ser difícil uma outra superar esta, mas espero que supere, hehehe.

Tem alguma superstição? Qual? Deixar o cavanhaque nos eventos mais importantes.

É vaidoso? Quais cuidados tem com o corpo e o espírito?
Acho que sou como todo homem atual, uma boa apresentação é fundamental. Gosto muito dos meus perfumes, agora estar com a cabeça boa, encostar a cabeça no travesseiro é a melhor coisa para o espírito.

Quais são suas grifes prediletas (roupas, perfumes, sapatos)?
Aramis, Hugo Boss e Aldo, respectivamente. 

Tem algum projeto na agulha que possa nos revelar? Quais os planos para o futuro?
Projeto na agulha e o que está acontecendo é a PLUGG, que é hoje uma realidade. Eu e meu sócio Itaquê Figueiredo estamos à frente dela que é atualmente o maior curso de Formação de DJs do Estado, além de estarmos iniciando com agenciamento e gerenciamento de carreira. Sou professor de discotecagem há 5 anos, e tenho mais de 40 alunos tocando profissionalmente no Estado. Estamos investindo para que estes DJs que formamos e todos os DJs do Estado que se interessam e buscam crescer tenham na PLUGG um local sério para que possam se desenvolver, aprimorar e pensar em música eletrônica. Ano passado trouxemos pra Fortaleza o fundador da maior escola de DJs do país, Ilan Kriger, da AIMEC, deu super certo e nasceu uma parceria que dará bons frutos a todos, ainda esse ano.
Na parte do agenciamento, somos responsáveis hoje pelo gerenciamento e agenciamento de oito artistas, vários formados por mim. Eu e Itaquê, hoje, gerenciamos a carreira destes artistas, mostrando caminhos e facilitando de várias formas o crescimento de todos nós.
Para o futuro, ampliar a atuação da PLUGG, do curso, trabalhar muito para crescer. Sempre pensando positivo, fazendo o bem e agregando.

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Acompanhe mais fotos do Dj Morr exclusividade à Coluna Frisson.

Fotos by Lino Vieira.

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