
Dia Mães
Ali, no cantinho dela, seja no banheiro, no trabalho ou no balcão do laboratório, ela é sempre a primeira a saber. Muito antes de conversar com o esposo ou de se dirigir ao médico, ela já sabe. Porque mãe é mãe. Não é uma mulher qualquer. É ser sagrado, sublime, que não se transforma. A verdadeira mãe já nasce mãe. Desde a infância, uma sementinha já está lá plantada, nos mais recônditos desejos da mulher, que ainda é uma menina. Elas são feitas de sonhos. Desde pequenas, colocam-se a imaginar o futuro e fazem deste um verdadeiro conto de fadas. Sentadas, distraídas, no balanço de cordas chamado vida, elas fazem planos, idealizam o marido perfeito e escolhem os nomes dos filhos. E, claro, a quantidade que terão. Quando bate o vento, sentem o cheiro do príncipe encantado e, até, ouvem sua voz. De repente, um choro de criança. Nada no lado esquerdo. Ninguém no direito. A criança que chora é a menina que mora dentro de cada uma dessas meninas que se põem a chorar porque caíram do balanço. Em meio a sonhos, cochilaram e, agora, precisam de remédio. O colo da mãe.
Nesse instante, a mãe já está chegando. Um pressentimento a avisou que a filha, dela estava precisando. Com semblante sereno, mas aflita por dentro, ela acolhe a menina e sussurra algumas palavras em seu ouvido, acompanhadas de um forte abraço e, como mágica, os barulhos cessam, e o choro cala. Nenhum remédio é melhor que mãe. Nenhuma conversa é melhor que a de mãe. Nada é melhor que mãe. E a falta dela é devastadora. Uma dor que não passa. Uma revolta que não acalma. Uma angústia que não cessa. Uma vazio que só Deus pode preencher. Assim, é a falta de uma mãe. Aqueles que não a tem andam por aí à procura de algo que, muitas vezes, nem eles sabem o que é. Outro dia, conversando com uma colega de trabalho, descobri que ela não tem mãe. Cresceu sem a figura materna. Hoje, é uma profissional competente. Uma mulher doce, mas com um olhar que busca aprovação. Não a minha, mas a da mãe que a abandonou há muito, quando a filha era apenas uma menina. Não sei o que é a dor de perder uma mãe. E nem quero saber. Rogo a Deus que, dessa agrura, eu esteja livre. Mãe de quatro filhos próprios, dois adotivos e vários outros, nossos amigos que a adotaram como mãe, minha mãe não deixa de ser só minha. Foi ela que me carregou por 9 meses. Foi ela que me esperou dormir nas infinitas noites insones. Foi ela quem inventou qualquer programa apenas para arrancar um sorriso meu. Foi ela que me ensinou o que é amor e, talvez, seja por isso que, hoje, eu só acredito no amor de mãe para filho. O resto é balela. Nessa minha jovem vida, já visitei muitos lugares. Conheci muitos países e fui apresentado a muitas mulheres mães. Mas nenhuma é como a minha. Nenhuma consegue ser tão forte, demonstrando fragilidade. Nenhuma consegue ser tão madura, tendo um espírito tão adolescente. Nenhuma é tão mãe sendo tão menina. Penso que ser mãe não é tarefa fácil. Deixar a si mesma de lado para dedicar-se a outro não é pra qualquer um(a). Uma vida inteira de renúncia e abnegação e, quando a missão parece estar cumprida, as mães são fragmentadas em pequenos pedaços chamados netos e, assim, elas tornam-se avós. Mães duas vezes. E então, um processo que nem sequer havia terminado, modifica-se, e traz de volta o melhor do passado.
As brincadeiras de casinha, no chão, com as netas substituem o chá das cinco com as melhores amigas. A ida ao pediatra rouba o tempo da caminhada de fim de tarde. As conversas com o marido, agora, são sussurros ao pé do ouvido do bebê que, no berço, insiste em não dormir. As noites mal dormidas retornam à rotina e ficam ainda mais difíceis. Agora, são dois pra cuidar, filha e neto. Mas a verdadeira mãe não reclama. Esquece a casa, o marido, os afazeres. Esquece de si mesma para cumprir uma missão. A missão de ser mãe. Uma tarefa muito maior que a de apenas gerar vida, mas, sim, de manter a vida no mundo. Pra mim, isso é ser mãe. Pra mim, essa é a minha mãe. A melhor do mundo!!! A todas que são, foram ou ainda pretendem ser mães. Recebam essa homenagem escrita por Patriolino Ribeiro Neto para esse dia tão especial, o dia das Mães!













